Companhias e mercados de capitais
Enquanto todos silenciam e a política tributária for perversa, não poderemos contar com passos largos para um mercado de capitais pujante
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Enquanto as bolsas americana e europeia continuam oscilando entre pequenas altas e algumas baixas, a brasileira permanece num ritmo frenético de graves prejuízos.
O Brasil, país do futuro, vive um tempo delicado de encruzilhada e falta de pesados investimentos regionais e internacionais.
O governo tenta, por todas as fórmulas, atrair o capital externo, mas impera uma certa desconfiança, que mutila investidores e minoritários.
A recente notícia da contração do crescimento americano já causou abalo e estragos no mercado de capitais local.
Somos uma economia fechada, não há dúvida alguma, e o fundamento é tentar diagnosticar o aspecto elementar das companhias no desenvolvimento de suas economias na captação de recursos.
A realidade nua e crua é que os grandes negócios gravitam em torno de poucas companhias e sempre houve um viés das estatais, dentre as quais o Banco do Brasil, Petrobrás e o sistema elétrico.
Com o tratamento dispensado pelo governo, vimos que uma das bases essenciais do mercado solapou e a injeção de investidores ficou cada vez menor.
A Bolsa brasileira, no começo do ano, teve um desempenho auspicioso na sua jornada, porém foi somente isso.
A partir da primeira quinzena de janeiro, e de vento em popa, o que ela credita são prejuízos e amarguras aos que tentam, de alguma forma, acreditar que o momento é transitório.
Uma antiga ministra da Pasta da Fazenda destacou que o momento é de investir no mercado acionário, e apostava todas as fichas que o Brasil atrairia grandes movimentos de capitais.
Entretanto, e aqui está a circunstância capilar, os maiores investimentos têm sido feitos pelas nações árabes, e tanto a Europa como os Estados Unidos dependem desses recursos para crescer e desenvolver seus projetos.
Estamos atrasados na infraestrutura, no sistema de portos e aeroportos, nada obstante a latente e constante preocupação do governo em abrir, para a iniciativa privada, os investimentos.
Analistas estão menos otimistas com o desce diário das bolsas, e alguns papéis atingiram um pico de agonia e ansiedade. Enquanto a Exxon americana bate a Apple no ramo de petróleo, é óbvio, aqui entre nós a gigante Petrobrás, apesar dos ingentes esforços realizados, navega em mares bravios e não consegue impregnar credibilidade nos investidores, além da manobra acertada dos minoritários no sentido de reverter o prejuízo.
Fundos públicos e privados fazem suas apostas, mas o mercado brasileiro continua sendo apenas um detalhe no xadrez da economia globalizada.
Entre as marcas indeléveis do mercado, temos preços de papéis excessivamente elevados e outros, em cotejo, imprecificáveis, o que não permite, consequentemente, entrar na bolsa estrangeira.
Três medidas seriam fundamentais, a redução do custo, com a concorrência simétrica, o aumento gradual do número de empresas que abrissem seus capitais na bolsa, com estímulos e políticas fortes de captação e, inequivocamente, a integração com bolsas latino-americanas, europeias e asiáticas, para que os negócios se fizessem em tempo real.
O número de investidores pessoas físicas tem diminuído com frequência, e qualquer derrapada é o ponto chave para que o interessado venda posição. Enquanto todos silenciam e a política tributária for perversa, não poderemos contar com passos largos para um mercado de capitais pujante.
Dosado o lado realista com a visão mais otimista de tantos outros, passado o carnaval e a regada folia incontida, o que desperta o sentimento é a aproximação do dia "D".
E, no mercado de capitais, o "D" significa deslanchar, sem fôlego, musculatura e novas regras, o estratagema de atrair novas aberturas de companhias parece que está com seus dias contados, lamentavelmente, para a economia nacional como um todo.
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