Com Odebrecht na mira, Emílio sai da toca

Dono da construtora Norberto Odebrecht, o empresário Emílio Odebrecht publica artigo neste domingo em que pede uma agenda nacional que vá além da discussão da corrupção; "O enfrentamento da corrupção é necessário. Como também é necessário que a sociedade, os meios de comunicação e as lideranças ajam para que o Brasil deixe de tolerar a incompetência, a irresponsabilidade e o despreparo na gestão pública", diz ele; Lava Jato pode fisgar Odebrecht e Andrade Gutierrez, empreiteiras poupadas até agora, para tentar ampliar a pressão contra o PT e o ex-presidente Lula

Dono da construtora Norberto Odebrecht, o empresário Emílio Odebrecht publica artigo neste domingo em que pede uma agenda nacional que vá além da discussão da corrupção; "O enfrentamento da corrupção é necessário. Como também é necessário que a sociedade, os meios de comunicação e as lideranças ajam para que o Brasil deixe de tolerar a incompetência, a irresponsabilidade e o despreparo na gestão pública", diz ele; Lava Jato pode fisgar Odebrecht e Andrade Gutierrez, empreiteiras poupadas até agora, para tentar ampliar a pressão contra o PT e o ex-presidente Lula
Dono da construtora Norberto Odebrecht, o empresário Emílio Odebrecht publica artigo neste domingo em que pede uma agenda nacional que vá além da discussão da corrupção; "O enfrentamento da corrupção é necessário. Como também é necessário que a sociedade, os meios de comunicação e as lideranças ajam para que o Brasil deixe de tolerar a incompetência, a irresponsabilidade e o despreparo na gestão pública", diz ele; Lava Jato pode fisgar Odebrecht e Andrade Gutierrez, empreiteiras poupadas até agora, para tentar ampliar a pressão contra o PT e o ex-presidente Lula (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - Ciente de que sua empresa, a Odebrecht, pode ser uma escada para o juiz Sergio Moro, na caçada ao ex-presidente Lula (saiba mais aqui), o empresário Emílio Odebrecht saiu da toca e publicou artigo neste domingo, na Folha de S. Paulo, em que propõe uma agenda que vá além do tema corrupção. Leia abaixo:

Uma agenda para o futuro

Dei tempo ao tempo, mas com a divulgação do balanço da Petrobras decidi romper o silêncio e manifestar minha opinião sobre fatos que têm causado tantos prejuízos, tangíveis e intangíveis, aos brasileiros. Refiro-me ao assunto que há quase um ano ocupa o nosso dia a dia: a corrupção e a falta de uma agenda clara de crescimento com desenvolvimento para o Brasil.

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A corrupção é problema grave e deve ser tratado com respeito à lei e aos princípios do Estado democrático de Direito, mas é fundamental que a energia da nação, particularmente das lideranças, das autoridades e dos meios de comunicação, seja canalizada para o debate do que precisamos fazer para mudar o país. Quem aqui vive quer olhar com otimismo para o futuro --que não podemos esquecer--, sem ficar digerindo o passado e o presente.

O balanço da Petrobras tem uma dimensão simbólica quando atribui o valor de R$ 6,2 bilhões a perdas causadas pela corrupção e R$ 44,6 bilhões a erros de gestão --estratégicos, gerenciais e operacionais.

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São números sobre os quais não me cabem comentários, mas os utilizo para ilustrar a urgência de nos livrarmos das duas pragas, porque tanto corrupção como má gestão são ralos por onde escoam riquezas, energia, dinheiro público e valores morais, drenando compromissos, possibilidades e esperanças.

Pagamos um preço muito alto por falta, protelação e erro nas decisões. Pagamos um preço muito alto pelo custo Brasil, que encarece nossos produtos e serviços e desestimula a competitividade do país. Pagamos um preço muito alto pelos orçamentos sem projetos e pela interferência política na gestão das nossas empresas públicas.

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Por isso, precisamos nos mobilizar para a causa do crescimento com desenvolvimento, renovando nossas percepções e comportamentos e propondo uma agenda de futuro, compartilhada com a sociedade, em um processo de mudança para o qual os meios de comunicação têm muito a contribuir.

Aliás, o indispensável pacote de ajuste fiscal não poderia ocorrer sem a definição clara de onde, como e quando queremos chegar, atrelado, portanto, aos pilares dessa agenda que o momento exige. Nossos desejos e intenções devem ser transformados em objetivos e prioridades definidos com clareza com os responsáveis por fazê-los acontecer.

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Poucos brasileiros têm noção de quanto uma obra ou um investimento são onerados quando paralisados várias vezes durante a sua implementação. Mobilizam-se trabalhadores, equipamentos, recursos. Depois desmobilizam-se. Aí mobilizam-se novamente, e assim por diante. Quem paga essa conta?

A falta de planejamento e de decisão prévias acabam sendo também geradores de custos elevadíssimos para o país porque quando não se faz o que é preciso no tempo certo, fazê-lo de maneira açodada e, não raro, sem os projetos prontos e recursos financeiros necessários, sai muito mais caro.

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Não podemos esquecer dos prejuízos causados por instituições responsáveis por fiscalização, auditoria, aprovações ambientais etc. quando decidem prorrogar ou paralisar empreendimentos necessários ao país --não raro por motivação política ou ideológica, em muitos casos também com a ajuda dos responsáveis por atender suas exigências, que não se antecipam e não as atendem nos prazos e nas condições estabelecidos.

O enfrentamento da corrupção é necessário. Como também é necessário que a sociedade, os meios de comunicação e as lideranças ajam para que o Brasil deixe de tolerar a incompetência, a irresponsabilidade e o despreparo na gestão pública. Porque a causa que é comum a todos nós é a construção de um país melhor para as gerações futuras.

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