Com números, Mantega mostra que há confiança
Ministro da Fazenda promete 2,3% de superavit primário e diz que indicador de retomada não é conversa mole, mas as atitudes concretas do mercado em relação ao Brasil: "Fomos neste primeiro semestre palco do maior IPO do mundo, do BB Seguridade, de R$ 11,5 bilhões. A Petrobras captou US$ 11 bilhões. O investimento externo direto, até abril, foi de US$ 19 bilhões. São provas de confiança na economia brasileira"
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247 – O ministro da Fazenda, Guido Mantega prometeu ontem segurar os gastos neste ano: “Faremos ajustes adicionais, pelo lado da despesa. É bastante sólida a ideia de que nós vamos fazer 2,3% de superavit primário. Podem cravar a informação. Isso é uma meta firme do governo”.
Em mais um dia de forte atuação do Banco Central no mercado de câmbio, Mantega reconheceu que o movimento global de valorização do dólar pesa sobre a inflação brasileira. Mas acredita que isso pode ser passageiro.
Leia trechos da entrevista concedida à Folha:
Pessimismo
O melhor indicador não é conversa mole, mas as atitudes concretas do mercado em relação ao Brasil. Fomos neste primeiro semestre palco do maior IPO [oferta pública inicial de ações] do mundo, do BB Seguridade, de R$ 11,5 bilhões. A Petrobras captou US$ 11 bilhões. O investimento externo direto, até abril, foi de US$ 19 bilhões. São provas de confiança na economia brasileira.
Pressão externa
Temos um evento internacional importante, que vem ocorrendo há 15 dias, desde que o Fed [banco central americano] passou a sinalizar que vai retirar os estímulos que vinha colocando na economia. Hoje, todas as Bolsas estão caindo no mundo. Não é um problema do Brasil, mas generalizado. Aí os oportunistas dizem que tem problema no Brasil. Não tem. Essa desvalorização [do real] não sei se veio para ficar, porque é um momento de reacomodação da economia mundial. A desvalorização não é boa para inflação, mas pode ser passageira. Estamos tomando outras medidas para combater a inflação.
Alta dos Juros
Não pouparemos medidas para manter a inflação sob controle.
Dólar
É um momento de indefinição e de volatilidade e isso causa preocupações. Agora, isso não interrompe a retomada dos investimentos que está acontecendo no Brasil.
Governo
O grande objetivo da política é diminuir o deficit nominal, porque é o mais abrangente. Para o superavit primário, estamos trabalhando com 2,3% [do PIB] neste ano, com abatimento [de R$ 45 bilhões de obras do PAC e de desonerações]. Com a melhora da rentabilidade das empresas, elas estão pagando mais IR, a arrecadação começou a subir. Se você consultar os governos estaduais, lá passou a subir também, é um movimento generalizado. Com esses dados concretos, que não são conjecturas, posso estimar que, com o que nós vamos abater, vai nos deixar com um primário de 2,3%. E o deficit nominal será de 2%. E vai continuar caindo.
Inflação
A inflação deve ficar parecida com a do ano passado, mas prefiro deixar o Banco Central fazer essa projeção.
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