Com discurso de Lula e avanço da PEC Emergencial, Ibovespa fecha em alta e dólar cai a R$ 5,65

Ibovespa teve alta de 1,3%, a 112.776. Investidores também repercutiram o dado de inflação dos Estados Unidos e a queda das ações de exportadoras

Homem usando máscara de proteção passa próximo de painel com cotações do mercado financeiro. 8/9/2020
Homem usando máscara de proteção passa próximo de painel com cotações do mercado financeiro. 8/9/2020 (Foto: REUTERS/Willy Kurniawan)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Infomoney - O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (10), sessão de forte volatilidade na qual variou entre queda de 1,20% e alta de mais de 1,2%.

No final, dois dos cinco fatores que os investidores acompanhavam de perto acabaram se sobressaindo. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial em primeiro turno na Câmara dos Deputados, com rejeição de alguns dos destaques que reduziam a potência fiscal do projeto, e a confirmação pela Câmara de Representantes dos Estados Unidos do pacote de US$ 1,9 trilhão em estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

continua após o anúncio

O Ibovespa teve alta de 1,3%, a 112.776 pontos com volume financeiro negociado de R$ 40,07 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial fechou em queda de 2,5% a R$ 5,6516 na compra e a R$ 5,6526 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 2,19% a R$ 5,679.

continua após o anúncio

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 4,05%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de seis pontos-base a 5,83%, o DI para janeiro de 2025 avançou quatro pontos-base a 7,39% e o DI para janeiro de 2027 registraram variação negativa de um ponto-base a 7,98%.

Os investidores também repercutiram o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dado de inflação dos Estados Unidos e a queda das ações de exportadoras.

continua após o anúncio

PEC Emergencial

A PEC Emergencial foi aprovada ontem à noite com 341 votos a favor e 121 contra, notícia que animou o mercado, mas o dia não passou sem preocupações.

Um destaque do PDT que retirou da PEC Emergencial a previsão de desvinculação de fundos orçamentários foi aprovado porque o governo não conseguiu os 308 votos necessários para derrubá-lo: foram 302 contra e 178 a favor. Cabe interpretação agora sobre se seria necessário levar o texto de volta ao Senado por conta da alteração.

continua após o anúncio

Depois disso, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), anunciou em plenário a construção de um acordo para permitir a progressão de carreira e promoção de todas as categorias do funcionalismo público de todos os entes da federação.

O movimento representou uma nova desidratação no texto e ocorreu porque o governo temia ser derrotado na votação destaque apresentado pelo PT, que retirava da proposta o artigo que trata de gatilhos para a União, estados e municípios em momentos de calamidade pública. O destaque, após o acordo, foi rejeitado, conforme queria o governo.

continua após o anúncio

Outros destaques que retirariam a força fiscal do projeto também foram rejeitados, como o que foi apresentado pela oposição para suprimir limite de R$ 44 bilhões para auxílio emergencial.

Agora, pelo que foi decidido na Câmara, um novo destaque supressivo deverá ser apresentado no segundo turno de votação da PEC, promovendo as modificações negociadas.

continua após o anúncio

O relator da proposta, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), fez um apelo aos parlamentares para modificarem suas posições, evitando “estrago maior”, e detalhou os termos do acordo, que envolverá a retirada de três trechos de seu parecer.

“Reitero apelo feito pelo líder do governo de que, neste destaque, sejam reconsiderados alguns votos de alguns deputados, pois o governo entende que vai abrir mão, mesmo prejudicando, de forma substancial, algumas questões desta PEC”, disse.

continua após o anúncio

Segundo ele, a retirada de trechos do texto acordada “vai permitir a todas as categorias” progressões de carreira e promoções. Por se tratar de destaques supressivos, o deputado argumentou que a proposta não sofreria atrasos e não precisaria ser novamente votada pelo Senado.

Discurso de Lula

O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fez um pronunciamento e uma entrevista coletiva na sede do sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP). Lula criticou o presidente Jair Bolsonaro e defendeu o investimento do Estado na economia, posicionando-se contra as privatizações, mas adotou um discurso conciliador em diversos temas.

“Nunca ouviram falar privatização da minha boca. Venderam a nossa BR Distribuidora (BRDT3). Vocês já viram o Guedes falar em desenvolvimento? Só falam em vender”, comentou. Para Lula, o que vai fazer a dívida pública diminuir em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é o crescimento econômico via investimento público.

Por outro lado, quando questionado a respeito de uma aproximação com o empresariado como a realizada em 2002, quando o vice-presidente foi José Alencar, Lula afirmou ser necessário construir uma frente ampla para governar o País.

“Quando eu fui candidato em 2002 eu tive como vice o José Alencar. Foi a primeira vez em que fizemos uma aliança entre o capital e trabalho. E, sinceramente, sem nenhuma falsa modéstia foi o momento mais promissor da história desse País”, disse.

Lula disse ainda que é possível construir um programa envolvendo os setores conservadores em questões como vacina e auxílio emergencial. “Conversas com conservadores sobre os problemas do povo podem gerar efeitos extraordinários.”

Sobre a condução da pandemia, Lula criticou duramente Bolsonaro. “Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República, tomem vacina”, disparou.

Na véspera, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu devido ao pedido de vistas do ministro Kassio Nunes Marques a sessão que julgava a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro nesses processos quando o placar estava em 2 a 2.

Em relação ao tema, Lula elogiou os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski pelos votos proferidos no processo de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. “Ontem, eu fiquei feliz porque vi a verdade proferida na íntegra por dois ministros da Suprema Corte. Antes, o Gilmar e o Lewandowski não apareciam.”

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) teceu elogios a Lula em uma série de tuítes posteriores ao pronunciamento do ex-presidente. “Você não precisa gostar do Lula para entender a diferença dele para o Bolsonaro. Um tem visão de país; o outro só enxerga o próprio umbigo. Um defende a vacina, a ciência e o SUS; o outro defende a cloroquina e um tal de spray israelense”, escreveu Maia.

Já Bolsonaro disse que Lula iniciou campanha, mas comemora cedo demais a decisão do STF. Para ele, as falas de Lula foram focadas em “criticar, mentir e desinformar”. “Que governo foi esse? Foi o governo cuja maior marca foi o desmando e a corrupção, e voltado para o populismo”, respondeu o presidente.

Bolsonaro sancionou hoje à tarde projetos de lei que ampliam a capacidade de compra de vacinas. “Temos adquiridos mais de 270 milhões de doses de vacina, a maioria para o primeiro semestre”, disse.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247