Com déficit de quase 20 mil bancários, Caixa reabre Programa de Desligamento Voluntário

Período de adesão ao PDV começou nesta quarta-feira (2) e vai até o próximo dia 11. No programa anterior, cerca de 2,3 mil aderiram ao programa, menos de um terço da estimativa

(Foto: Divulgação/Fenae)


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Com um déficit de quase 20 mil bancários, a Caixa Econômica Federal reabriu o Programa de Desligamento Voluntário (PDV). O período de adesão começou nesta quarta-feira (2) e vai até o próximo dia 11. Segundo informações da direção da estatal, as regras continuam as mesmas do último PDV [aberto entre os dias 9 e 20 do último mês de novembro], quando havia a previsão de saída de 7,2 mil empregados, quantidade que ficou abaixo da expectativa do banco: cerca de 2,3 mil aderiram ao programa, menos de um terço da estimativa”.

No entendimento da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a baixa adesão ao PDV anterior é o que motivou a Caixa a reabrir o programa em menos de 15 dias, com a meta de enxugar ainda mais o quadro de pessoal da empresa. “O que estamos vendo é o total desmonte do banco público”, lamenta o presidente da Fenae, Sergio Takemoto. “A Caixa reabriu o PDV logo após o início de uma reestruturação, sem nenhum planejamento. O que parece é que o único intuito foi pressionar os empregados a aderirem ao plano, pois o banco não alcançou o objetivo de mais de sete mil adesões”, acrescenta.

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De acordo com a estatal, os bancários que aderirem ao PDV serão desligados até o final do ano, com direito a um incentivo financeiro equivalente a 9,5 remunerações base.  

A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) orienta que os trabalhadores estejam seguros quanto à adesão ou não ao Programa de Desligamento Voluntário. "Essa é uma mudança para toda a vida. Então, os empregados devem estar seguros sobre essa mudança", alerta a coordenadora da comissão, Fabiana Uehara Proscholdt.

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Para entidades sindicais, empregados têm denunciado pressão por parte de chefias para adesão ao PDV. Relatos dão conta, inclusive, que funções comissionadas estariam sendo “congeladas” — uma forma de direcionar os funcionários ao programa de desligamento do banco.

REESTRUTURAÇÃO — No início desta semana, um processo de reestruturação surpreendeu os bancários da Caixa. Cerca de 170 imóveis não terão os aluguéis renovados e outros serão vendidos.

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Muitos empregados chegaram para trabalhar e não sabiam para onde seriam transferidos. As mudanças estariam relacionadas às áreas das vice-presidências Rede de Varejo (Vired), Tecnologia e Digital (Vitec) e Logística e Operações (Vilop). Gerências como as de Tecnologia (Gitec), de Logística (Gilog), de Segurança (Giseg) e de Alienação de Bens Móveis e Imóveis (Gilie) teriam as filiais extintas e parte de suas atividades seriam transferidas para unidades centralizadoras que serão criadas.

O processo também atinge as gerências executivas de Governo (Gigov) e de Habitação (Gihab), responsáveis pelo planejamento urbano dos municípios. Por meio de ofício, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), assessorada pela CEE/Caixa, questionou o banco quanto às mudanças e à falta de articulação com os empregados, conforme prevê o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Este e outros assuntos serão tratados nesta quinta-feira (3) na Mesa Permanente de Negociações entre a CEE e a direção da Caixa.

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ASSISTÊNCIA COMPROMETIDA — Com a saída dos mais de dois mil empregados no último Programa de Desligamento Voluntário, o déficit de trabalhadores na Caixa Econômica se aproxima de 20 mil, colocando em risco real a capacidade e a qualidade da assistência à sociedade.

“É preocupante o desligamento desses trabalhadores sem uma indicação do banco para a contratação de novos empregados”, destaca o presidente da Fenae. “Além de piorar as condições de trabalho, a falta de bancários pode prejudicar o atendimento à população; especialmente, neste momento de pandemia”, afirma Sergio Takemoto.

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Até o encerramento do último PDV, dia 20 de novembro, o déficit no quadro de pessoal da Caixa já superava 17 mil profissionais. A empresa, que chegou a ter 101,5 mil trabalhadores em 2014, conta atualmente com 84,2 mil empregados. Apesar disso, o banco trabalhava com a estimativa de desligamento de 7,2 mil trabalhadores, este ano.

NECESSIDADE DE CONTRATAÇÕES — No Acordo Coletivo de Trabalho 2014/2015, a direção da empresa — por força de decisão judicial — se comprometeu a realizar duas mil contratações. Trezentos bancários foram convocados no último mês de maio para atuarem no Norte e no Nordeste. Contudo, o número está longe de ser o ideal, segundo apontam a Fenae e outras entidades representativas da categoria.

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Além da falta de empregados, o banco — de acordo com o balanço do terceiro trimestre — ainda fechou 796 postos de trabalho, em doze meses. Destes, 30 foram reduzidos entre os últimos meses de março e setembro, em plena pandemia. Também foram fechadas duas agências. Apesar disso, a Caixa registrou um incremento de mais de 43 milhões de novos clientes.

A CAIXA — A Caixa Econômica Federal é a principal operadora e financiadora de políticas públicas sociais, além de geradora de emprego, renda e desenvolvimento para o país. Desde o início da pandemia do coronavírus, o banco é responsável pelo pagamento do auxílio e do FGTS emergenciais além de outros benefícios a mais de 120 milhões de pessoas: metade da população brasileira.

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Cerca de 70% do crédito habitacional é feito pela Caixa e 90% dos financiamentos para pessoas de baixa renda estão no banco público. Além de moradias populares — como as do programa Minha Casa Minha Vida — a estatal também investe na agricultura familiar, no Financiamento Estudantil (Fies) e nas micro e pequenas empresas.

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