Com ações do Itaú na rabeira, Setubal reclama e culpa mercado

Em reclamação de quinze minutos, contabilizado pelos principais veículos de informação econômica, Roberto Setubal reclama com executivos de finanças que mercado não compreende política de excesso de capital da instituição, com sobra de R$ 1,1 bilhão após lucrar R$ 16,1 bilhões nos nove primeiros meses do ano; ações do Itaú Unibanco são as que menos se valorizaram este ano entre os grandes bancos este ano; saída do setor de seguros e, especialmente, estrangulamento ao crédito fazem mercado acreditar que Itaú gosta apenas de juros altos

25.03.2011 SAO PAULO .EXCLUSIVO EMBARGADO DIRETO DA FONTE ROBERTO SETUBAL NO ALMO�O DE ENTREGA DE PREMIO A ROBERTO SETUBAL NO ROSA ROSARIUM. FOTO:PAULO GIANDALIA/AE
25.03.2011 SAO PAULO .EXCLUSIVO EMBARGADO DIRETO DA FONTE ROBERTO SETUBAL NO ALMO�O DE ENTREGA DE PREMIO A ROBERTO SETUBAL NO ROSA ROSARIUM. FOTO:PAULO GIANDALIA/AE (Foto: Gisele Federicce)


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Do Br2Pontos - Mimado, o banqueiro Roberto Setúbal demonstrou na quinta-feira 17, diante de especialistas do mercado financeiro que não sabe assimilar as mensagens que o próprio mercado oferece. Diante do excesso de capital da instituição e da política de restrição à concessão de crédito aos clientes, as ações do Itaú Unibanco foram as que menos se valorizaram nos primeiros nove meses do ano. A um plenário de executivos financeiros da Apimec, Setubal fez um verdadeiro xororô contabilizado em 15 minutos. Sem aceitar a avaliação sobre as ações do Itaú, o banqueiro disse que a leitura do mercado sobre a instituição "não se justifica". É como se apenas ele estivesse certo, e todos os outros errados.

O banco das famílias Setúbal e Moreira Salles lucrou R$ 16,1 bilhões no período, o maior resultado entre as instituições brasileiras. Em razão de excesso de capital estimado em R$ 1,1 bilhão, considerado um 'dinheiro que não trabalha', além das restrições que impõe ao crédito, aos altos provisionamentos que efetua contra possíveis inadimplentes e a um efetivo afastamento de negócios como os de seguros, seus papéis tiveram o pior desempenho entre as grandes instituições.

Enquanto o Banco do Brasil viu suas ações experimentarem alta de 78%, as do Santander crescerem 72,9% e as do Bradesco, 69,5%, os papéis do Itaú ganharam, 'apenas', 52,2%. Uma derrota, para Setubal, mais que suficiente para ele abrir uma sessão de chororô, ontem, diante dos executivos da associação dos analistas do mercado financeiro, Apimec.

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Setubal renegou, na sua reclamação, o papel do Itaú como agente de crédito, em última análise a função original de todo e qualquer banco. "O mercado ainda olha o Itaú como uma empresa de crédito, mas isso não reflete a realidade", disse ele. "Há uma reação exagerada do mercado durante crises de inadimplência, sem considerar que há uma base mais sólida do nosso modelo de negócios e, na minha forma de ver, isso não se justifica."

Não adiantou. Ao final do dia, após a reafirmação do modelo de entesouramento de recursos e restrições ao crédito, as ações do Itaú caíram 2,99%, o que aponta para uma entre duas verdades: ou apenas Setúbal está certo, ou todo o mercado está errado.

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O desempenho desastrado do presidente do Itaú na Apimec tornou-se notícia nos principais veículos de comunicação especializados em economia.

Abaixo, notícia da agência Reuters a respeito.

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SÃO PAULO (Reuters) – O Itaú Unibanco está atento a oportunidades de aquisições para ampliar as receitas com prestação de serviços, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo do grupo, Roberto Setubal, que também reclamou que o modelo de negócios do banco não é corretamente percebido pelo mercado.

"As ações do Itaú estão baratas", repetiu Setubal várias vezes durante encontro com investidores da Apimec.

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O executivo frisou que o crédito representou apenas cerca de um terço do lucro de R$ 16,3 bilhões do conglomerado nos primeiros nove meses de 2016. Em contrapartida, quase dois terços vieram de receitas com serviços e seguridade e essa tendência deve se consolidar adiante.

"O mercado ainda olha o Itaú como uma empresa de crédito, mas isso não reflete a realidade", disse. "Há uma reação exagerada do mercado durante crises de inadimplência, sem considerar que há uma base mais sólida do nosso modelo de negócios e, na minha forma de ver, isso não se justifica."

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Apesar de acumular alta superior a 50% em 2016, praticamente em linha com o Ibovespa, a ação do Itaú Unibanco tem tido performance mais fraca do que o índice nos últimos cinco anos, apesar de ter tido lucro crescente e mais estável do que a média das empresas no indicador, disse ele.

As afirmações de Setubal ocorrem em meio a iniciativas dos bancos para diversificar receitas, num cenário em que a recessão no país tem imposto menores receitas com crédito e mais despesas com provisões para perdas com calotes.

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Entre as iniciativas do Itaú Unibanco nesse sentido, o banco comprou no ano passado 50% da empresa de pagamento eletrônico Conectcar e o controle da gestora de recuperação de crédito Recovery. O banco também está perto de lançar uma joint venture com a Mastercard para lançar uma bandeira nacional de cartões de crédito.

BR Distribuidora

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Ao mesmo tempo, a Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco, sinalizou ao mercado que pretende ampliar a participação nos setores industrial e de serviços nos seus resultados.

Atualmente, o Itaú Unibanco representa cerca de 94% dos investimentos totais da Itaúsa, que também tem negócios em segmentos como energia, com a Elekeiroz, e de insumos de madeira e louça para construção civil, com a Duratex.

"Nas últimas décadas, o setor financeiro é o que tem tido o maior ritmo de crescimento dentro do grupo; é razoável imaginar que isso possa mudar um pouco daqui em diante", disse o presidente-executivo da Itaúsa, Alfredo Setubal.

Para o executivo, no entanto, é razoável imaginar que o braço financeiro do conglomerado não terá a participação total reduzida para baixo de 90%.

A Itaúsa anunciou recentemente interesse na disputa pela compra de participação na BR Distribuidora, rede de postos de combustíveis que a Petrobras colocou à venda.

Segundo Alfredo Setubal, qualquer novo investimento da Itaúsa deve ser em setores maduros e que proporcionem bons dividendos para os acionistas.

"Não vamos fazer loucuras; qualquer negócio em que entrarmos tem que criar valor para os nossos acionistas", disse o presidente da Itaúsa, descartando eventual aumento de capital na Itaúsa para financiar eventuais aquisições.

Abaixo, notícia do jornal Valor Econômico a respeito:

Na tarde de ontem, em um evento em São Paulo, Roberto Setubal aproveitou a plateia lotada de analistas e investidores ali reunidos para reforçar uma mensagem em particular: o preço da ação do banco que comanda, o Itaú Unibanco, está muito abaixo do que deveria. No lugar de se queixar, o executivo dedicou mais de quinze minutos de sua apresentação – com direito a uma série de gráficos – a defender a tese de que o mercado acionário não atribui o devido valor ao maior banco privado brasileiro.

"O mercado ainda olha o Itaú muito como uma empresa de crédito. Mas nós temos outro negócio, de serviços e seguros, que não está sujeito ao mesmo ciclo do crédito. Os investidores não entendem isso direito, não valorizam isso", disse, durante reunião da Apimec (associação de analistas), em São Paulo. "Sendo bem direto, o preço da ação do Itaú está baixo".

O argumento de Setubal é que o resultado do banco com serviços e seguros, menos exposto à deterioração da economia, mais que compensa o desempenho do crédito, afetado pelo aumento de inadimplência em tempos difíceis. O executivo mostrou a diferença em números: nos nove primeiros meses deste ano, o banco teve um lucro líquido recorrente de R$ 16,3 bilhões, sendo que R$ 5,5 bilhões vieram das operações de crédito e tesouraria e R$ 9,7 bilhões de seguros e serviços. O restante (R$ 1,1 bilhão) veio da aplicação do excesso de capital do banco.

A diferença é ainda mais acentuada em termos de rentabilidade. Enquanto as operações de crédito e tesouraria tiveram retorno sobre o capital alocado de 12,6% no período, as de seguridade e serviços tiveram rentabilidade de 34,2%.

"Nosso modelo de negócios tem uma base muito mais sólida de geração de resultados que vai muito além de empréstimos", disse. "Esse mix garante uma estabilidade muito maior para os resultados do banco."

Pelo menos no curto prazo, porém, os argumentos de Setubal não foram suficientes para animar os investidores, em mais um dia nervoso no mercado. No pregão de ontem, as ações preferenciais do Itaú fecharam em queda de 2,99%, cotadas a R$ 35,06. O recuo foi maior que o do Ibovespa, principal índice da bolsa, que teve baixa de 1,63%. Os demais bancos também fecharam em queda.

Para Setubal, parte da explicação do preço abaixo do esperado das ações do banco está na forte presença de investidores estrangeiros em sua base acionária. Na opinião dele, o Itaú é um banco muito mais diversificado em termos de receitas que outros bancos globais, o que não é percebido por esses investidores.

"O Itaú mereceria ter um valor de ação mais compatível com seu histórico de resultados", disse.

O executivo aproveitou o evento para fazer outra promessa aos presentes: melhorar a rentabilidade das operações de crédito e tesouraria do banco, hoje em 12,6%. A meta é elevar esse retorno para pelo menos o custo do capital da instituição, que se situa entre 15% e 16%, afirmou.

A melhora passa por uma diminuição das despesas com provisão para devedores duvidosos e pela redução da taxa de inadimplência, movimento que Setubal diz já estar em curso. Segundo ele, os índices de inadimplência nas linhas de crédito para pessoas físicas e para grandes empresas já começam a dar sinais consistentes de queda.

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