Cid desafia Levy e ações educacionais disparam
Um dia depois do ministro da Fazenda Joaquim Levy defender uma "governança muito bem amarrada" com redução na concessão de bolsas do Fies e do Pronatec, o Diário Oficial da União publicou, nesta segunda-feira, 23, portaria do ministro Cid Gomes que reverte limitações ao Fies, decididas no final de 2014; "Cronograma de pagamento de 8 meses por ano apenas ocorrerá em 2015", antes, as mudanças não tinham prazo de vigência; resultado imediato foi a disparada das ações das instituições de Educação na Bolsa de São Paulo; decisão expõe queda de braço entre dois dos principais ministros da presidente Dilma Rousseff
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247 - As ações das instituições de ensino privadas registraram fortes altas na Bolsa de Valores de São Paulo nesta segunda-feira, 23. A animação dos investidores veio no mesmo dia que o Ministério da Educação (MEC) publicou portaria no Diário Oficial da União revertendo limitações ao programa de financiamento Fies, decididas no final de 2014.
Segundo informações da Reuters, às 12h18, as ações da Kroton subiam 7,16 por cento e as da Estácio avançavam 7,3 por cento, enquanto o Ibovespa caía 0,33 por cento. Anima Educação e Ser Educacional, que não integram o principal índice da bolsa, ganhavam 8,72 por cento e 7,21 por cento, respectivamente.
A Portaria Normativa nº 2, de 20 de fevereiro, publicada pelo MEC no Diário Oficial da União desta segunda-feira define que mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) valem apenas para 2015. Anteriormente, as mudanças não tinham prazo de vigência.
"O ministério reverteu quase que inteiramente a portaria 23 (de 29 de dezembro). O cronograma de pagamento de 8 meses por ano apenas ocorrerá em 2015. Nenhuma limitação de preços foi formalmente anunciada na portaria desta manhã", afirmaram analistas do Itaú BBA em nota a clientes.
A medida do ministro Cid Gomes demonstra na direção contrária à posição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em entrevista nesse domingo, 22, Levy defendeu mudanças nos programas de financiamento de ensino Fies e também no Pronatec.
O ministro é a favor da redução da oferta de bolsas de estudo pelo governo. "Aumentar o número de universitários é muito bom e tende a ajudar a aumentar o PIB potencial do País. Mas na medida em que envolve o governo emitir bilhões de reais em dívida pública para pagar mensalidades em faculdades particulares, é óbvio que a governança desse programa tem que ser muito bem amarrada. Senão, serão grandes decepções mais para frente. Dos estudantes, do contribuinte e do investidor", afirmou (leia mais).
Em 2014, o desembolso do Fies chegou a quase 14 bilhões de reais para 1,9 milhão de estudantes, segundo dados do FNDE.
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