Chico Vigilante e Berzoini defendem uso das reservas

Em artigo publicado nesta quarta-feira, 10, o deputado Chico Vigilante e o ex-deputado Ricardo Berzoini defendem que as reservas internacionais poderiam ser usadas tanto como investimento direto, como na forma de fundo de aval para parcerias público privadas

(Foto: Divulgação)


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247 - O deputado distrital Chico Vigilante e o ex-deputado Ricardo Berzoini defendem o uso de parte dos US$ 348 bilhões em reservas internacionais do Brasil, acumuladas nos governos Lula e Dilma, para estimular a economia em meio à pandemia.

Em artigo publicado nesta quarta-feira, 10, Vigilante e Berzoini defendem que as reservas poderiam ser usadas tanto como investimento direto, como na forma de fundo de aval para parcerias público privadas.

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"Se usadas como propomos, pode salvar milhões de brasileiros da miséria. E reativar a economia nacional, deixando ainda como legado, mais transporte, mais banda larga, mais moradias e mais saneamento", afirmam. 

Leia, abaixo, o artigo na íntegra:

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Em 23 de março passado, publicamos uma análise* dos prováveis impactos da pandemia do COVID-19 na economia brasileira e um conjunto de sugestões para fazer frente à crise econômica e social, além da questão sanitária, cuidando da renda emergencial e da geração de atividade econômica, e os respectivos empregos, na superação da recessão, evitando que se torne depressão econômica.

Falávamos de medidas sociais, voltadas para apoiar as pessoas físicas e as jurídicas de micro, pequeno e até médio porte. Tratamos também de medidas tributárias, para corrigir injustiças e aportar receita adicional, tributada de quem tem real capacidade de contribuir pois são ricos e praticamente não são atingidos pelo “tsunami” da pandemia.

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O poder executivo federal pouco fez. Agiu com timidez e avaliação errada, sem falar da indiferença demonstrada em relação às perdas de vidas e de meios de sobrevivência. O legislativo, pressionado pela opinião pública e tendo que lidar com as boas propostas do PT e dos demais partidos de oposição, avançou mais. Mas ainda aquém das necessidades.

Hoje, dois meses e meio depois, queremos reafirmar as propostas apresentadas e dizer que a crise será mais prolongada no Brasil, por conta das atitudes irresponsáveis do presidente da República e de alguns governadores que começaram bem a gestão da crise, inclusive enfrentando o governo federal, mas sucumbiram à pressão de comerciantes e entidades que ignoram a estupidez da antecipação da abertura, no momento de crescimento da quantidade de casos e mortes.

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Há que se ter mais gastos públicos. Mesmo os economistas mais liberais reconhecem essa necessidade. E o caminho para isso, além das medidas tributárias que corrijam em parte as facilidades que as leis brasileiras concedem aos mais ricos, é usar com responsabilidade e inteligência parte das magníficas reservas cambiais acumuladas por Lula e Dilma em treze anos de governos. No dia 2 de janeiro de 2003, posse do Lula, o Brasil tinha apenas US$ 37,6 bilhões. Em 3/01/2011, eram 289,1 bilhões, quando tomou posse a presidenta Dilma. No dia do golpe de 2016, eram 364,8 bilhões e antes de ontem, 08/06/20, 347,9 bilhões de dólares. Em reais (a 4,89/dólar), cerca de 1 trilhão e 700 bilhões.

Pois bem, basta propor ao Congresso Nacional lei orçamentária de calamidade, para usar menos de um terço desse montante, em caráter excepcionalíssimo, para:

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1) um plano nacional de infraestrutura logística de transporte, com obras criteriosamente selecionadas, para ativar o setor que mais gera empregos, de altíssima a baixa qualificação.

2) um plano nacional de universalização da fibra ótica para tráfego de dados, com a finalidade de assegurar banda larga de fato para todos, pessoas, empresas e setor público, com custos módicos.

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3) um plano de reativação do Minha Casa Minha Vida(MCMV), com um grande projeto de saneamento básico, a fim de combater as trágicas condições de moradia que o projeto original do MCMV visava e que foram mais expostas pela pandemia.

As reservas poderiam ser usadas tanto como investimento direto como na forma de fundo de aval para parcerias público privadas.

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Esta oportunidade aí está. Não agradará aos ortodoxos. Mas não constitui aberração, pois trata-se da poupança da República, constituída em tempos de dólar barato, justamente para ser usada (em parte) para combater situações dramáticas e para proteger o Brasil da especulação cambial internacional. Se usadas como propomos, pode salvar milhões de brasileiros da miséria. E reativar a economia nacional, deixando ainda como legado, mais transporte, mais banda larga, mais moradias e mais saneamento.

Chico Vigilante é deputado distrital – PT/DF

Ricardo Berzoini é ex-deputado federal – PT

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