Carlos Hamilton, do BC: inflação continua elevada e resistente
O diretor de Política Econômica do Banco Central afirmou que o aperto dos juros para o controle da inflação deve continuar; ele disse ainda que a política fiscal brasileira pode se deslocar para a neutralidade e manteve a projeção de que a inflação neste ano será menor do que a de 2012; "além da dinâmica da demanda e da oferta, nesse período (12 meses) tivemos depreciação do real que certamente em alguma medida se manifesta na dinâmica dos índices de preços no atacado e no varejo e também choque de alimentos registrados no segundo semestre de 2012 e no primeiro semestre de 2013 deste ano", disse, embora reconheça que, no entanto, a inflação deste ano pode ficar abaixo dos 5,84% registrados em 2012
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Por Luciana Otoni
FORTALEZA, 6 Nov (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, afirmou nesta quarta-feira que a inflação continua elevada e resistente, dando indicações de que o aperto dos juros para o controle da inflação deve continuar.
O diretor disse ainda que a política fiscal brasileira pode se deslocar para a neutralidade e manteve a projeção de que a inflação neste ano será menor do que a de 2012.
"Além da dinâmica da demanda e da oferta, nesse período (12 meses) tivemos depreciação do real que certamente em alguma medida se manifesta na dinâmica dos índices de preços no atacado e no varejo e também choque de alimentos registrados no segundo semestre de 2012 e no primeiro semestre de 2013 deste ano", disse o diretor.
Apesar de resistente, o diretor disse, no entanto, que a inflação deste ano pode ficar abaixo dos 5,84 por cento registrados em 2012, considerando o efeito da alta dos juros na desaceleração dos preços.
A inflação continua elevada e resistente mesmo diante do forte aperto monetário posto em prática pelo BC desde abril deste ano. Nesse período, a Selic saiu da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano para 9,5 por cento ao ano em outubro, com indicações do BC de que o aperto continuará.
POLÍTICA FISCAL
O diretor voltou a reafirmar que a política fiscal do governo converge para uma zona de neutralidade.
"De acordo essa medida (superávit estrutural), temos a visão de que a política fiscal para se deslocar para a neutralidade dentro do horizonte relevante da política monetária, que vai até 2015."
Essa avaliação de Carlos Hamilton foi feita após a forte repercussão negativa do mau desempenho fiscal do governo. Em setembro, o setor público consolidado (governo central, Estados e municípios e empresas estatais) registrou déficit primário de 9 bilhões de reais.
Em 12 meses encerrados em setembro, a economia para o pagamento dos juros da dívida está em 1,58 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), colocando em dúvida a capacidade do governo de cumprir a meta ajustada de superávit (de 2,3 por cento) e reforçando apostas de que as agências de rating podem rebaixar a nota do Brasil.
"Os números (de primário) que saíram de setembro não se afastam dos números com os quais já trabalhávamos", afirmou o diretor.
INTERVENÇÕES
O diretor do BC disse ainda que o programa diário de leilões de swap cambial e de venda de dólares com compromisso de recompra poderá ser prorrogado para além de dezembro deste ano.
"Há essa possibilidade sim, e dependerá das avaliações que fizermos. Essa possibilidade está aberta."
O programa de leilão de câmbio de 60 bilhões de dólares foi lançado em 22 de agosto pelo BC com o objetivo de oferecer proteção cambial aos agentes econômicos em meio à forte volatilidade sobre os mercados de câmbio em agosto.
Ele fez uma avaliação positiva do programa dizendo que está funcionando bem e que há demanda.
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