Caixa quer reduzir dividendo à União para 25%

O banco negocia com o Tesouro Nacional reduzir o percentual dos lucros que repassa à União para o piso estatutário de 25%, disse o presidente da instituição, Gilberto Occhi, em entrevista à Reuters; medida visa fortalecer o capital do banco estatal, enfraquecido após anos de crescimento acelerado e de baixa rentabilidade, mas pode complicar ainda mais o esforço fiscal da União

O banco negocia com o Tesouro Nacional reduzir o percentual dos lucros que repassa à União para o piso estatutário de 25%, disse o presidente da instituição, Gilberto Occhi, em entrevista à Reuters; medida visa fortalecer o capital do banco estatal, enfraquecido após anos de crescimento acelerado e de baixa rentabilidade, mas pode complicar ainda mais o esforço fiscal da União
O banco negocia com o Tesouro Nacional reduzir o percentual dos lucros que repassa à União para o piso estatutário de 25%, disse o presidente da instituição, Gilberto Occhi, em entrevista à Reuters; medida visa fortalecer o capital do banco estatal, enfraquecido após anos de crescimento acelerado e de baixa rentabilidade, mas pode complicar ainda mais o esforço fiscal da União (Foto: Paulo Emílio)


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Aluisio Alves, Reuters - A Caixa Econômica Federal está negociando com o Tesouro Nacional reduzir o percentual dos lucros que repassa à União para o piso estatutário de 25 por cento, disse o presidente-executivo do banco estatal, Gilberto Occhi.

A medida visa fortalecer o capital do banco estatal, enfraquecido após anos de crescimento acelerado e de baixa rentabilidade, mas pode complicar ainda mais o esforço fiscal da União.

"Nosso plano é que o nível fique entre 25 e 50 por cento, se possível 25 por cento", disse Occhi em entrevista à Reuters.

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Apontado no final de maio para o comando do banco pelo governo interino de Michel Temer, Occhi disse estar ciente de que, após vários anos de crescimento acelerado do crédito, o banco estatal agora tem que cuidar de reforçar o capital e melhorar a geração de resultados.

"Todos os objetivos traçados lá atrás em termos de crescimento foram alcançados", disse Occhi. "Agora temos cerca de 22 por cento do mercado de crédito e o compromisso da minha gestão é elevar a rentabilidade do banco."

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Nos últimos anos, a Caixa vinha repassando integralmente os lucros para a União, que por outro lado vinha fazendo sucessivos aportes de recursos no banco para sustentar o ritmo de crescimento dos empréstimos.

Com isso o banco, que há menos de uma década era o sétimo no ranking de instituições financeiras do país por ativos, chegou à vice-liderança no começo deste ano.

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Como parte da ênfase agora para melhorar os resultados, a Caixa criou recentemente uma diretoria exclusiva para concentrar os esforços de cobrança e renegociação de dívidas, com objetivo de estabilizar já nos próximos trimestres os índices de inadimplência.

"Os resultados dessa iniciativa vão aparecer muito breve", disse.

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Embora níveis de inadimplência da Caixa sejam inferiores à média do mercado, dado que mais de 80 por cento da carteira está atrelada a operações de menor risco como habitação e consignado, o índice de atrasos acima de 90 dias atingiu no primeiro trimestre o pico em sete anos, movimento que disparou as provisões para calotes e fez o lucro cair 46 por cento sobre um ano antes.

O banco também majorou nos últimos meses suas taxas de juros e elevou as tarifas à média do mercado.

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Um dos caminhos que o banco tem buscado para tentar reduzir a pressão sobre o capital, a venda de carteiras com maiores níveis de inadimplência, no entanto, foi suspenso em maio, devido a questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU). Occhi disse que somente depois de resolver as pendências com o TCU retomará a venda de carteiras.

No balanço do segundo trimestre, além de lidar com o peso da deterioração da qualidade dos empréstimos, a Caixa ainda terá dois eventos não recorrentes negativos. Um deles é a marcação a mercado dos cerca de 1,9 bilhão de reais em debêntures da Oi, que pediu recuperação judicial. O outro é um aporte de valor não revelado para perdas sofridas pelo Funcef, fundo de previdência dos empregados da Caixa, em 2015.

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"Mas não existe nenhuma hipótese de termos prejuízo no trimestre", garantiu Occhi.

PARCERIAS

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Occhi disse que a Caixa também deve ver sua rentabilidade aumentar com a expansão de negócios nos quais pretende vender participações, como o de seguros, concentrado na Caixa Seguridade.

A Caixa tentou vender uma fatia do negócio por meio de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano passado, mas a operação foi suspensa devido às condições adversas do mercado, diante de um país mergulhado em uma profunda crise econômica e política.

"Pretendemos retomar o contato com bancos de investimentos nas próximas semanas para retomar a operação na próxima janela de mercado que, esperamos, aconteça no final deste ano ou no começo do próximo", disse na mesma entrevista o presidente-executivo da Caixa Seguridade, Raphael Rezende.

O Banco do Brasil é um dos bancos com mandato para coordenar o negócio.

A Caixa também pretende começar nos próximos meses um road show à procura de um sócio majoritário para a Lotex, braço de negócios de gere o negócio de loterias instantâneas.

O passo seguinte será buscar sócio para a divisão de cartões, negócio que está numa fase mais incipiente de preparação, disse Occhi, afirmando que, por enquanto não há planos para venda de nenhum outro ativo.

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