'Brasil precisa ajustar modelo de financiamento para deslanchar infraestrutura'

Quem afirma é a vice-presidente de Finanças da Odebrecht, Marcela Drehmer, em entrevista à Reuters; "Alguns velhos problemas, como o do project finance, não foram endereçados", disse; "Estamos aguardando respostas para o financiamento de projetos que já vencemos e ainda não saíram do papel", acrescentou

Vice-presidente de Finanças da Odebrecht, Marcela Drehmer, em entrevista à Reuters em São Paulo. 10/06/2015 REUTERS/Paulo Whitaker
Vice-presidente de Finanças da Odebrecht, Marcela Drehmer, em entrevista à Reuters em São Paulo. 10/06/2015 REUTERS/Paulo Whitaker (Foto: Gisele Federicce)


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Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Para deslanchar grandes projetos de infraestrutura, o Brasil precisa primeiro resolver questões antigas e não resolvidas com o pacote anunciado nesta semana, como a eficácia do modelo de financiamento, disse uma alta executiva da holding Odebrecht.

"Alguns velhos problemas, como o do project finance, não foram endereçados", disse a vice-presidente de Finanças da Odebrecht, Marcela Drehmer, em entrevista à Reuters. "Estamos aguardando respostas para o financiamento de projetos que já vencemos e ainda não saíram do papel".

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Os comentários da executiva vêm após o governo federal ter lançado nesta semana a segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL) para construção de ferrovias, portos, rodovias e aeroportos.

Para a executiva, o sinalização de maior participação do mercado de capitais para financiar os projetos é bem vinda, mas a estruturação de garantias para essas operações precisa de ajustes, incluindo a participação do BNDES, ajustes regulatórios do Banco Central e o uso de um fundo garantidor.

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Após lançar a primeira edição do PIL, em 2012, o governo criou a ABGF, órgão que deveria atuar como garantidor para o financiamento dos projetos. Mas a entidade, ligada ao Ministério da Fazenda, não recebeu a capitalização necessária.

De acordo com a executiva, também falta ao governo dizer como vai incentivar o investidor comprar debêntures desses projetos, dado que a expectativa é de que o mercado de capitais responda por 10 a 15 por cento dos quase 200 bilhões de reais esperados para o PIL2.

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Com o pacote, o governo tenta criar uma agenda positiva, enquanto o país caminha para a pior recessão em 25 anos, refletindo a baixa confiança de empresas e consumidores, uma política econômica mais restritiva e os efeitos da Lava Jato.

Os efeitos dessa operação, que investiga denúncias de corrupção na Petrobras (PETR4.SA: Cotações), já levaram quatro grandes empreiteiras do país a pedir recuperação judicial, enquanto várias outras estão em dificuldades financeiras.

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No caso da Odebrecht, embora a divisão de engenharia e construção seja a face mais conhecida, é um dos 15 braços de negócios do conglomerado baiano, que atuação vai desde o agronegócio industrial a meio ambiente e setor petroquímico.

A área de construção respondeu por 31 por cento do faturamento de 107,7 bilhões de reais da holding em 2014 e três quartos disso oriundos do exterior.

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Segundo Marcela, essa diversificação permitirá à holding manter o ritmo de crescimento anual das receitas ao redor de 19 por cento até 2017, apesar do mau momento do Brasil.

Ainda assim, dado o atual cenário econômico do país, a companhia tem reduzido custos e ajustado o orçamento, especialmente de unidades como as de defesa e do setor imobiliário.

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A meta principal do conglomerado é reduzir seu nível de endividamento, medido pela dívida líquida sobre a geração de caixa (Ebitda), de 4,2 vezes no fim de 2014, para 3,5 até 2017.

Por isso, aquisições de eventuais concorrentes estão fora do mapa da Odebrecht.

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"Mas também não temos intenção de vender nenhum ativo", disse Marcela.

IPOs E EXPANSÃO INTERNACIONAL

O que deve acontecer é a listagem em bolsa de três unidades do grupo nos próximos três a quatro anos, a Odebrecht Ambiental, a Odebrecht Transport (OTP) e a Odebrecht Óleo & Gás, em operações que podem permitir desinvestimentos feitos por sócios nessas companhias.

"Mas vamos fazer no momento adequado, quando tivermos entregado resultados", disse Marcela. "Não pode ter a faca no pescoço para fazer listagem".

Enquanto nem a retomada econômica e das grandes obras de infraestrutura do país não acontecem, a Odebrecht se aproxima rapidamente de ter pela primeira vez a maior parte de suas receitas geradas no exterior.

Com a abertura de uma fábrica de etileno da Braskem BRKM5.SA no México e de geradora de energia no Peru, a fatia de operações internacionais da Odebrecht, que era de 39 por cento em 2011, será superior a 50 por cento no ano que vem.

(Edição de Cesar Bianconi)

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