Bovespa perde força, mas registra 3ª alta no ano

O Ibovespa fechou com leves ganhos de 0,32%, a 38.057 pontos; já o dólar comercial encerrou o pregão com alta de 0,51%; no cenário nacional, a fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, acabou gerando grande confusão no mercado, fazendo com que muitos especialistas mudassem suas expectativas para baixo, com alguns acreditando até na manutenção da Selic; depois de disparar 6%, ações da Petrobras viraram para queda, puxadas pelo preço de petróleo, e fecharam com perdas de quase 3%

Movimentacao na Bovespa.Dola fecha o dia em queda nesta quinta-feira na casa dos R$1.81.Sao Paulo/SP, Brasil. 06/10/2011. Foto: Anderson Barbosa / Fotoarena
Movimentacao na Bovespa.Dola fecha o dia em queda nesta quinta-feira na casa dos R$1.81.Sao Paulo/SP, Brasil. 06/10/2011. Foto: Anderson Barbosa / Fotoarena (Foto: Gisele Federicce)


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Por Rodrigo Tolotti Umpieres • Ricardo Bomfim - O Ibovespa conseguiu fechar em alta nesta terça-feira (19), mas ficou bem longe da máxima do dia, ficando praticamente estável. Durante a manhã, o índice chegou a disparar 2,4%, em meio a expectativa de estímulos na China após dados fracos da atividade econômica no país. Contudo, o índice acabou amenizando depois do petróleo virar de uma alta expressiva para uma forte queda. As ações da Petrobras caíram, fazendo pressão no benchmark.

O Ibovespa fechou com leves ganhos de 0,32%, a 38.057 pontos. Já o dólar comercial encerrou o pregão com alta de 0,51%, cotado a R$ 4,0529 na compra e R$ 4,0549 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro teve ganhos de 0,44% a R$ 4,072. Lá fora, as bolsas europeias fecharam todas em forte alta, enquanto os índices norte-americanos viraram para queda perto do fim do pregão, atrapalhando o desempenho da Bolsa por aqui.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 19 pontos-base a 15,41%, indicando uma alta de 25 pbs da Selic amanhã. Enquanto isso, o DI para janeiro de 2021 virou para alta de 19 pbs a 16,65%, com o mercado acreditando em uma piora econômica no longo prazo. Segundo a Bloomberg, a precificação de alta da Selic caiu de 45,5 pbs para 35,9 pbs, sendo que agora, a curva mostra uma chance maior de 25 pbs de alta. Isso em meio a rumores de que a cúpula do PT promete reagir e fazer duras críticas ao governo, caso os juros subam. As notícias são de que a presidente Dilma Rousseff conversou ontem com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em uma reunião que não constou da agenda oficial.

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Saíram também rumores de que o governo espera que o Banco Central eleve a taxa de juros em 0,25 ponto percentual e não 0,5 como espera a maior parte dos economistas. Vale lembrar que hoje é o primeiro dia da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que vai definir a Selic amanhã. No entanto, segundo o sócio-presidente da Canepa Asset, Alexandre Póvoa, uma elevação de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom amanhã teria o mesmo efeito de "enxugar gelo".

"A decisão mais correta tecnicamente seria subir muito juros, para gerar um choque de expectativas ou não subir nada, mas com um discurso forte. Hoje em dia, subir 0,25 não tem nenhum impacto prático", afirma, lembrando que a demanda agregada da economia já está muito pressionada e um grande componente da inflação atual é inercial.

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Petróleo

Hoje o dia parecia de recuperação do petróleo, mas o repique acabou ficando para trás com uma forte virada das cotações. Após a commodity voltar a cair ontem diante do levantamento das sanções que caíam sobre o Irã por conta do seu programa nuclear, o petróleo chegou a ter uma sensível valorização, mas, no fim, o barril do WTI (West Texas Intermediate) caiu 3,60% a US$ 28,35, enquanto o barril do Brent se manteve em alta de 0,81% a US$ 28,78.

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FMI e Tombini

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avalia como "significativas as revisões das projeções de crescimento para o Brasil em 2016 e 2017", feitas hoje pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). "Todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado", disse o presidente do BC.

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A fala de Tombini acabou gerando grande confusão no mercado, com diversos economistas tentando avaliar qual pode ser a decisão do Copom nesta quarta. As declarações do presidente do BC aliadas com o relatório do FMI fizeram com que muitos especialistas mudassem suas expectativas para baixo, com alguns acreditando até na manutenção da Selic.

O FMI prevê contração maior do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2016, de -1,0% para -3,5%. A instituição revisou também projeção PIB 2017 de +2,3% para um cenário estagnação. O cenário apresentado hoje pelo FMI mostrou um pessimismo maior do que a pesquisa Focus divulgada ontem, que trouxe expectativa para o PIB em -2,99% em 2016 e em +1% em 2017.

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Petrobras afunda, Hering desaba 6% e grupamento faz mais uma vítima na Bolsa

Por Paula Barra - O Ibovespa apaga rali visto mais cedo, quando chegou a subir 2,4%, e fecha em leva alta de 0,22%, mas de volta ao patamar dos 38.000 pontos. Nesta manhã, as ações da Petrobras ajudaram a trazer otimismo ao mercado, depois de subirem 6%, mas logo o cenário se inverteu, com o petróleo voltando a operar no campo negativo, se afastando de reações eufóricas sobre a China.

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Juntamente, as ações dos bancos também viraram para queda, com Itaú Unibanco e Bando do Brasil. Bradesco foi a exceção, conseguindo se manter no zero a zero.

Diante do movimento do mercado, Vale, que também chegou a mostrar expressiva alta de 8%, amenizou ganhos perto do fechamento, enquanto as siderúrgicas Usiminas e Gerdau viraram para queda. Destaque negativo também para as ações da Cia Hering, que afundaram até 6,4%, após fracas vendas no quarto trimestre que, embora já esperadas, reforçaram o cenário extremamente desafiador para a companhia.

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Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Vale e siderúrgicas

As ações da Vale (VALE3, R$ 9,18, +3,26%; VALE5, R$ 7,04, +1,29%) chegaram a disparar 8% no intraday, mas perderam força perto do fechamento, juntamente com o movimento do restante do mercado. Hoje, o minério de ferro encerrou em alta de apenas 0,5%, cotado a US$ 42,1 a tonelada, segundo a The Steel Index.

Ainda no radar da companhia, ajudaram a trazer otimismo ao mercado expectativas por estímulos na economia chinesa e notícia de que o governo se dispôs a negociar um acordo com a mineradora para recuperação do Rio Doce, que ao lado da BHP, é dona da Samarco, segundo informações do jornal O Globo. Conforme ressalta o Valor Econômico, um eventual acordo para a recuperação do rio Doce, onde toda a lama foi despejada em novembro, é uma alternativa à ação civil que pede R$ 20 bi das mineradoras em razão da tragédia.

Um pouco mais descoladas, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 3,38, +0,30%), holding que detém participação na mineradora, tiveram alta mais amena, enquanto as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 1,01, -0,98%) e Gerdau (GGBR4, R$ 3,44, -2,27%) viraram para queda. Já CSN (CSNA3, R$ 3,28, +2,50%) conseguiu se manter em alta.

Em nota a clientes hoje, o BTG Pactual ressaltou que o setor siderúrgico teve um forte dia ontem, gerando debate em torna da melhora da percepção lá fora, indicando que pode estar próximo a um fundo (no ciclo global, apenas). Os analistas destacaram alguns pequenos sinais positivos no exterior, como aumento de preços na China, Estados Unidos e tentativa da Europa.

Por aqui, no entanto, não há nada muito diferente, com o cenário de atividade de 2016 ainda desolador, enquanto descontos ainda parecem mais prováveis que aumentos, comentaram os analistas.

Hoje, dados do Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) mostraram que a venda de aços planos caiu 22,6% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2014.

Petrobras (PETR3, R$ 6,15, -2,38%; PETR4, R$ 4,66, -2,92%)

Depois de disparar 6% nesta manhã, as ações da Petrobras viram para queda, puxadas pelo preço de petróleo. O petróleo WTI caía 3,77%, a US$ 28,31 o barril, enquanto o Brent avançava 0,7%, a US$ 28,75 o barril.

Segundo fonte que pediu anonimato disse à Bloomberg, a Petrobras discute corte de 30% de cargos gerenciais. A proposta de cargos de gerência partiu da diretoria e precisa da aprovação do conselho de administração, que se reúne hoje e pode discutir sobre a pauta. Na última sexta-feira, o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, disse que a empresa faria uma segunda rodada de demissões.

Hoje, o BTG Pactual cortou o preço-alvo para os ADRs da estatal, de US$ 5 para US$ 3 o papel, destacando que a aparente falta de qualquer sentido de urgência está cobrando um pedágio enorme sobre a empresa e destaca que 2015 foi um ano perdido para a estatal. A recomendação para os papéis é neutra.

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