Bolsonaro quer repetir o desastre do Brexit e prepara saída do Mercosul
Os impactos da saída do Mercosul podem ser perdas bilionárias por causa do fim das exportações brasileiras com tarifas diferenciadas aos países do bloco. A gestão de Jair Bolsonaro quer mais abertura para outras nações que não fazem parte desta organização intergovernamental. A CNI prevê redução do PIB de ao menos 10 setores industriais
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247 - O Ministério da Economia e o de Relações Exteriores avaliam os impactos de uma eventual saída do Brasil do Mercosul. As consequências podem ser perdas bilionárias por causa do fim das exportações brasileiras com tarifas diferenciadas ao bloco. O governo Jair Bolsonaro quer mais abertura para outros países fora desta organização intergovernamental, mas, de acordo com a gestão de Jair Bolsonaro, a Argentina estaria resistindo à redução da TEC (tarifa externa comum), que incide sobre os produtos exportados pelos países vizinhos para outras nações.
Para o Brasil, a redução tarifária em 80% de mais de 10 mil produtos do bloco significa mais abertura comercial. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), um corte de 50% na tarifa reduzirá o PIB (Produto Interno Bruto) de pelo menos 10 dos 23 setores industriais até 2022. Não por acaso uma parte da equipe econômico do ministro Paulo Guedes não vê com bons olhos uma eventual saída do Mercosul. Entre janeiro e agosto deste ano, os países compraram US$ 9,2 bilhões em produtos do Brasil, que importou US$ 11,8 bilhões de seus parceiros.
Com a redução tarifária de produtos para outros países, a indústria teria redução média do imposto de importação para o setor de 13,6% para 6,4%. Em cada dez itens, seis teriam descontos superiores a 50%. Na média, a TEC ficaria em 6,8%, com uma redução de 40%.
Em viagem ao Japão, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, na quarta-feira (23), que pode pedir a suspensão da Argentina para evitar que essa revisão tarifária seja barrada.
“Nós sabemos que a volta da turma do Foro de São Paulo e da Cristina Kirchner para o governo argentino pode, sim, colocar em risco todo o Mercosul. E, se possivelmente colocando em risco todo o Mercosul, repito, possivelmente, você tem de ter uma alternativa no bolso”, disse.
Questão política
Nos bastidores, assessores do Palácio do Planalto consideram que as intenções de Jair Bolsonaro teriam o objetivo de interferir nas eleições da Argentina, ajudando seu aliado, o liberal Mauricio Macri. A maior abertura econômica para outros países seria uma forma de o Brasil "emparedar" os argentinos.
No país vizinho a chapa peronista, formada por Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, disparou nas pesquisas eleitorais para a sucessão presidencial. Ambos são protecionistas.
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