Bolsa e dólar sobem com decisões do Fed e Fitch
No dia em que o banco central dos Estados Unidos aumentou a taxa de juros em 0,25%, pela primeira vez em quase 10 anos, e que o Brasil perdeu o grau de investimento com o rebaixamento pela Fitch, o Ibovespa ganhou força e fechou em alta de 0,32% a 45.015 pontos; volume financeiro negociado foi de R$ 22,425 bilhões; já o dólar teve alta 1,24% a R$ 3,9227 na compra e a R$ 3,9247 na venda
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Do Infomoney - O Fomc (Federal Open Market Committee) elevou as taxas de juros dos Estados Unidos da banda de 0% a 0,25% ao ano para 0,25% a 0,50% em votação unânime. Com isso, os índices norte-americanos Dow Jones e S&P 500 mergulharam e depois recuperaram todo o mergulho e já sobem 0,5%. Dadas as condições econômicas atuais, o Fed afirmou que as taxas de juros só são suscetíveis a aumentar de forma "gradual", terminando em um alvo de longo prazo de 3,5%, meta que ficou inalterada em relação à previsão setembro.
Por aqui, o Ibovespa ganhou força e fechou em alta de 0,32% a 45.015 pontos. O volume financerio negociado na Bovespa, somando o vencimento dos contratos futuros do índice, foi de impressionantes R$ 22,425 bilhões. Ao mesmo tempo em que a Bolsa subia, o dólar futuro para janeiro de 2016 reduziu ganhos, saindo de uma alta de 1,26% para uma de 0,76% a R$ 3,919. O dólar comercial fechou às 16h59 (horário de Brasília), então não houve tempo hábil para repercutir a decisão do Fomc. O câmbio teve alta 1,24% a R$ 3,9227 na compra e a R$ 3,9247 na venda.
A Bolsa operou em queda na maior parte do pregão, em meio a notícias de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixaria o cargo por conta da mudança da meta de superávit primário de 0,7% para 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Além disso, o mercado repercutiu a decisão da Fitch de rebaixar o rating do Brasil de BBB- para BB+, com perspectiva negativa. Esse rebaixamento depois daquele realizado pela S&P em setembro fez com que o Brasil esteja agora oficialmente com rating "junk", ou seja, perdemos o grau de investimento.
Fitch
Segundo a Fitch destacou em relatório, o rebaixamento reflete a recessão da economia mais profunda do que anteriormente antecipado, com os desenvolvimentos adversos do cenário fiscal e a incerteza política que pode minar ainda mais a capacidade do governo para implementar as medidas fiscais para estabilizar o crescente aumento da dívida pública. A perspectiva negativa reflete a continuidade da incerteza econômica, fiscal e política.
A deterioração doméstica é destacada pela Fitch como aumentando os desafios das autoridades em realizar políticas efetivas para aumentar a confiança e levar a um aumento das perspectivas de crescimento, consolidação fiscal e estabilização da dívida.
A Fitch ainda revisou as perspectivas para o PIB, prevendo uma contração de 3,7% em 2015 e de 2,5% em 2016, com riscos da economia se deteriorar ainda mais. O aumento da taxa de desemprego, as restrições para o crédito, a confiança em baixa, a alta inflação estão sendo fatores negativos para o consumo em meio ao cenário de incertezas, enquanto o setor de construção e os efeitos negativos das investigações de corrupção na Petrobras devem refletir ainda mais negativamente sobre o investimento. Além disso, o cenário externo segue bastante complicado para o País com a queda dos preços de commodities, assim como a desaceleração do crescimento econômico chinês.
Levy e ajuste fiscal
Segundo o jornal Valor Econômico, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy já acertou com a presidente Dilma Rousseff sua saída do governo há alguns dias. O ministro permanecerá no cargo por um breve período até que a presidente encontre um substituto e o cenário político fique mais nítido. O Palácio do Planalto, afirma a colunista Claudia Safatle, teria pedido uma transição de forma mais suave e discreta para não assustar o mercado.
Além disso, segundo o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a depreciação cambial desta quarta tem um motivo além da saída quase certa de Levy. Este motivo é o temor de que quem assuma o seu posto na Fazenda seja o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Nome mais heterodoxo, Barbosa é visto como um defensor do ajuste fiscal por meio de aumento de tributos e não corte de gastos, além de poder reeditar as políticas econômicas intervencionistas da primeira gestão Dilma.
O grande motivo para uma possível indicação de Barbosa seria a necessidade do governo de ganhar pontos com a sua base de esquerda em meio ao desenrolar do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é um nome difícil, já que seu relacionamento com Dilma não é bom. Contra esta tese de Barbosa na Fazenda, João Pedro Brugger diz que com o rebaixamento a ortodoxia ganha força política. Ou seja, a resistência do mercado e de diversos setores da sociedade contra a sua indicação pode ser maior do que a que o governo espera.
Por outro lado, foi aprovado o projeto que repatria recursos de brasileiros no exterior não declarados ao Fisco com mudanças na redação que permitem que a presidente faça alterações e restabeleça a essência do texto. O Congresso limpou a pauta para votar nesta quarta-feira os projetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 e do Plano Plurianual (PPA) 2016-2019.
Rito de impeachment
O STF (Supremo Tribunal Federal) começou a julgar hoje a validade da Lei 1.079/50, que regulamentou as normas de processo e julgamento do impeachment, e alguns artigos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. As normas foram utilizadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para dar andamento às etapas inciais do processo, que foi suspenso pelo ministro Edson Fachin, relator da ação que trata do assunto, a pedido do PCdoB, até decisão do plenário.
O relator do processo, o ministro Luiz Edson Fachin afirma que Dilma deve ter direito de defesa ampla antes da aprovação do parecer da comissão especial do impeachment na Câmara. A ausência de defesa prévia na fase atual não é problema, diz Fachin, indeferindo neste ponto o pedido do PCdoB.
Além disso, o PMDB reúne hoje a Executiva Nacional do partido, em evento que começou às 10h30, em Brasília. A reunião foi convocada pelo presidente da legenda, vice-presidente Michel Temer, e vai discutir, entre outros assuntos, a operação deflagrada na terça-feira (15) pela Polícia Federal de busca e apreensão em endereços de lideranças do partido, entre elas o presidente da Câmara, ministros e ex-ministros peemedebistas. Segundo interlocutores do partido próximos a Temer, há pressão para que o PMDB defina um posicionamento único em relação à aliança com o PT e ao apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. Uma parte do partido, ligada a Cunha, defende o rompimento com o Palácio do Planalto.
Indicadores
Hoje o varejo surpreendeu e avançou – Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume de vendas no varejo avançou 0,6% em outubro ante setembro, acima da queda de 1% projetada pelo mercado. Na comparação anual recuo de 5,6%, menor do que os 8,3% aguardados pelo mercado. No comércio ampliado recuo de 0,1% ante a queda de 1,9% esperada pelo mercado. Assim, no acumulado dos dez primeiros meses do ano, o comércio varejista recuou 3,6% frente a igual período de 2014. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, com recuo de 2,7% em outubro de 2015, assinalou a perda mais intensa desde janeiro de 2004 (-2,9%) e manteve a trajetória descendente iniciada em julho de 2014 (4,3%).
Ações em destaque
As ações do Bradesco (BBDC3, R$ 23,02, +0,52%; BBDC4, R$ 20,95, +0,87%) viraram para alta durante o pregão e impulsionam o Ibovespa por terem juntas aproximadamente 8% do peso da carteira teórica do índice.
Após subir 9,09% ontem, as ações da Oi (OIBR4, R$ 1,53, +6,25%) tiveram um novo dia de alta, com ganhos de quase 7%. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a companhia conseguiu levantar US$ 1,2 bilhão - por volta de R$ 4,7 bilhões - com o ChinaDevelopment Bank (CDB), o "BNDES chinês", para fazer investimentos e quitar parte de sua dívida no próximo ano. O jornal apurou que o contrato está fechado e deve ser anunciado até sexta (18). Cerca de metade do valor (US$ 600 milhões) será usada em investimentos, sendo que a Oi terá de comprar equipamentos da fornecedora chinesa Huawei.
Durante a tarde, as ações da Tim (TIMP3, R$ 7,06, +4,59%) também passaram a subir forte com uma notícia divulgada pela Bloomberg de que a Oi quer fazer uma oferta pela empresa em janeiro. Logo após a informação ser divulgada, os papéis chegaram a subir 8,89%, na máxima da sessão.
As ações da Vale (VALE3, R$ 13,25, +2,87%; VALE5, R$ 10,48, +1,95%), viraram para alta após começarem o pregão em baixa.
A Petrobras (PETR3, R$ 8,95, -1,65%; PETR4, R$ 7,29, -1,75%) fechou em queda. No radar das estatal, a pressão feita pelo Ministério de Minas e Energia para que a empresa assinasse um novo contrato de longo prazo para fornecimento de nafta à Braskem (BRKM5, R$ 26,37, +1,58%) foi em vão. Na noite desta terça-feira, 15 a estatal informou que as "tratativas" com a petroquímica continuam, e com isso não foi assinado um novo contrato.
O mais recente aditivo formalizado entre as companhias tinha validade o dia 15 de dezembro. Em comunicado, a Petrobras informou que "não haverá interrupção no fornecimento até o acordo definitivo". Desde a sexta-feira passada o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, pressiona publicamente a diretoria da Petrobras. Na oportunidade, diante de uma plateia formada por executivos da indústria química, Braga revelou detalhes daquele que seria o novo contrato de longo prazo entre as empresas.
Entre as siderúrgicas, CSN (CSNA3, R$ 4,29, -2,72%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,60, -4,76%) caíram. A CSN está avaliando medidas para reduzir produção de aço no próximo ano diante de um mercado interno em retração e problemas gerados por medidas de proteção comercial nos Estados Unidos e aumento das exportações da China.
O grupo, que também atua em produção de cimento e minério de ferro, também citou problemas com disputas legais com o Ministério Público de Volta Redonda (RJ), que indicam aumento de custos para a companhia. A CSN informou ainda que está estudando antecipar para o início do próximo ano parada para manutenção do alto-forno 2 da usina em Volta Redonda, que representa 30% da capacidade instalada total de produção de aço da companhia no Brasil, de cerca de 5 milhões de toneladas anuais. Além disso, pesa para o setor a notícia de que a produção brasileira de aço bruto em novembro somou 2,548 milhões de toneladas, queda de 4,4% sobre o resultado de um ano antes, informou nesta quarta-feira o Instituto Aço Brasil (IABr). As vendas de aço no mercado interno, enquanto isso, foram de 1,368 milhão de toneladas, recuo de 18% na comparação anual.
Cenário externo
Na Europa, o dia foi de cautela, com os mercados registrando leves ganhos também à espera do Fomc. Em destaque no cenário corporativo por lá, está o Casino, que sobe 7% após a companhia anunciar planos de redução de dívida.
Enquanto isso, as bolsas asiáticas subiram com força nesta quarta-feira, com a confiança sendo impulsionada pela alta em Wall Street antes da provável elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, que ocorrerá às 17h. O índice Nikkei avançou 2,6%, se recuperando da mínima de dois meses atingida na sessão anterior com o humor para o risco melhorando antes de um dos eventos do mercado mais antecipados deste ano. Com o aumento dos juros sendo visto como praticamente certo após mais de um ano de antecipação, o foco do investidor está em como será o ritmo do ciclo de aperto que o Fed vai optar por fazer no próximo ano. O banco centralda mair economia do mundo já sinalizou que pretende elevar os juros de forma gradual.
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