Bendine defende mudar contratações na Petrobras
"Não concordo com o modelo de licitação de carta-convite. Acho que gera riscos", declarou o presidente da estatal, em audiência no Senado; dispensa da necessidade de aplicar a lei de licitações, modelo que facilita a prática de fraudes em contratos, foi decidida por decreto no governo FHC; segundo Aldemir Bendine, "a partir do momento que você tem um cadastro de fornecedores capacitados você pode fazer concorrência entre eles"; o dirigente também ressaltou que pretende realizar mudanças na governança da empresa, para que as decisões sejam tomadas de forma cruzada entre as diversas áreas; alterações começarão pela cúpula; ele também afirmou que não pode garantir que não haverá mais corrupção na Petrobras
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247 - O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, defendeu nesta terça-feira 28, durante audiência no Senado, que o atual modelo de contratações na estatal deve ser alterado. "Não concordo com o modelo de licitação de carta-convite. Acho que gera riscos", declarou o dirigente, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
A dispensa da necessidade de aplicar a lei de licitações, modelo que facilita a prática de fraudes em contratos, como as investigadas hoje na Operação Lava Jato, pela Polícia Federal, foi firmada em decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e é amplamente utilizada pela companhia nos últimos anos.
Segundo Bendine, "a partir do momento que você tem um cadastro de fornecedores capacitados você pode fazer concorrência entre eles". O presidente da estatal também disse que pretende fazer mudanças na governança da empresa, para que as decisões sejam tomadas de forma cruzada entre as diversas áreas. As alterações, segundo ele, começarão pela cúpula da empresa.
Planejamento estratégico é um dos desafios, diz Bendine
De acordo com Bendine, a empresa venceu os dois primeiros desafios a que a diretoria se propôs: apresentar um balanço auditado de 2014, o que foi feito na última quarta-feira 22, e resolver o problema de financiabilidade da companhia para este ano.
Agora, segundo ele, a concentração estará na definição de um novo plano estratégico de negócios e na melhora da governança corporativa após os atos de corrupção da Lava Jato. O plano estratégico deve ser anunciado em cerca de 30 ou 40 dias, informou Bendine.
Ele atribuiu ao preço do petróleo o maior impacto nas perdas da companhia no ano passado. O balanço divulgado na semana passada registrou perdas de R$ 21,6 bilhões, sendo R$ 6,2 bilhões em decorrência de práticas de corrupção.
Abaixo, reportagens da Agência Brasil sobre a fala de Bendine no Senado:
Bendine diz que não pode garantir que não haverá mais corrupção na Petrobras
Karine Melo - O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, disse hoje (28) que não pode garantir que não haverá mais problemas de corrupção na empresa, durante audiência conjunta das comissões de Infraestrutura e Assuntos Econômicos do Senado, quando afirmou também que corrupção existe em empresa pública, em sociedade de economia mista e em empresa privada.
"O que tem que se ter dentro dessas companhias é um bom processo de governança, de compliance {O cumprimento das normas reguladoras de determinado setor}, de mitigação de riscos, algo em que vamos apostar muito fortemente para que não ocorra", acrescentou Bendine. Porém, "dizer que, com isso, definitivamente se afastam riscos de malfeitos dentro da companhia, é algo que a gente nunca vai poder atestar", disse ele.
"Mas, com certeza, a gente vai mitigar, e muito, situações como as que a empresa vivenciou", prosseguiu o executivo, ressaltando que haverá um investimento "muito forte" na tomada de decisões. Outra opinião de Bendine é que a corrupção na estatal não é culpa do Decreto e da Lei de Licitações ( lei 8.666), pois "O problema não está no marco regulatório dessas concorrências; o problema está na mitigação desses riscos e na forma adotada dentro do gerenciamento da empresa".
Preço da gasolina no Brasil é justo, diz Bendine
O preço dos combustíveis praticado atualmente no Brasil foi considerado justo pelo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Em audiência conjunta das comissões de Infraestrutura e Assuntos Econômicos do Senado, ele explicou que, à exceção dos Estados Unidos, os valores estão dentro da média do mercado mundial.
"Nossa gasolina não é tão mais cara, quando comparada com unidades de dólar, ao do mercado em geral, como o europeu. Hoje, estamos em condição justa de colocação de preços de derivados e não temos perspectiva de volatilidade em relação a isso", disse.
O presidente da Petrobras acrescentou que, diferentemente do Brasil, que adota um modelo mais estável, os americanos operam num quadro volátil, com preços mudando constantemente nas bombas.
Aldemir Bendine também falou aos senadores sobre os prejuízos anunciados semana passada pela companhia. Ele atribuiu parte do prejuízo de R$ 21 bilhões à desvalorização cambial e à queda no preço do barril de petróleo.
Segundo ele, o barril chegou a US$ 114 em meados de 2014, caindo para menos de US$ 50 no fim do ano. Para 2015, a empresa trabalha com o barril na casa dos US$ 70 e com o dólar a R$ 3,30.
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