BC vê inflação e crescimento menores

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, o Banco Central reduziu sua projeção para a inflação, sem informar os valores, tanto para 2014 quanto 2015 pelo cenário de referência; o comitê também informou que os efeitos da sua política monetária, "em parte, estão por se materializar", mas repetiu que tem de se manter "vigilante"

BC vê inflação e crescimento menores
BC vê inflação e crescimento menores (Foto: Divulgação)


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Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central passou a ver menos crescimento econômico neste ano, ao mesmo tempo em que reduziu as expectativas de inflação em 2014 e 2015, sinalizando que deve manter a Selic no patamar atual por mais tempo do que muitos agentes econômicos pensavam até então.

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, o BC também informou que os efeitos da sua política monetária, "em parte, estão por se materializar", mas repetiu que tem de se manter "vigilante".

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Além disso, informou que "as decisões futuras de política monetária serão tomadas com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas".

"O Copom pondera que o ritmo de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano, em comparação ao de 2013, e que, no médio prazo, mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada", afirma a ata, acrescentando que o consumo também tende a crescer menos do que o visto em anos anteriores, ao mesmo tempo em que os investimentos tendem a ganhar impulso.

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Na ata anterior, de abril, o BC afirmou que a atividade tendia a se manter "relativamente estável". A economia brasileira iniciou o ano desacelerando, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre, afetada pelo mau desempenho da indústria e dos investimentos.

Na semana passada, o BC interrompeu o ciclo de aperto monetário iniciado em abril de 2013 ao decidir manter a Selic em 11 por cento ao ano, como era amplamente esperado pelos agentes econômicos apesar de a inflação ainda estar elevada e perto do teto da meta do governo --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais. [NL1N0OF029] O que chamou a atenção foi o BC ter dito, em comunicado, que a decisão ocorria "neste momento", levando boa parte dos especialistas a acreditar que a porta estava aberta para voltar a subir a taxa básica de juro em pouco tempo.

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Com a ata, no entanto, essas percepções perderam força. O economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, passou a achar que "muito provavelmente" o BC não vai voltar a subir a Selic em dezembro, como acreditava até a publicação dessa ata. Isso porque, além de a autoridade monetária ver menos inflação neste ano e no próximo, passou a ver crescimento menor da economia em 2014.

"Pela ata, a intenção deles (BC) é não subir a Selic tão cedo", afirmou. "Eu acho que precisaria, mas não é o que está sendo indicado", acrescentou.

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A expectativa de economistas ouvidos na pesquisa Focus do BC é de que o PIB cresça apenas 1,5 por cento neste ano, num momento em que a presidente Dilma Rousseff tenta a reeleição, abaixo dos 2,5 por cento do ano passado. [nL1N0OJ0CW]

MENOS INFLAÇÃO

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Pela ata, o BC reduziu sua projeção para a inflação, sem informar os valores, tanto para 2014 quanto 2015 pelo cenário de referência. No entanto, informou que elas continuam acima do centro da meta.

Diretores do BC têm dito que a recente inflação dos alimentos é temporária, balizando a decisão de parar de subir os juros. Mas, por outro lado, demonstram forte preocupação com a inflação dos preços administrados. Na ata, o BC manteve o cálculo de que ela ficará em 5 por cento neste ano.

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O BC elevou suas contas sobre os preços das tarifas de energia elétrica neste ano, com alta de 11,5 por cento, ante 9,5 por cento. Por outro lado, passou a ver queda de 4,2 por cento nos preços na telefonia fixa, sobre estabilidade vista até então.

"Nos últimos doze meses as condições monetárias foram apertadas, mas o Comitê avalia que os efeitos da elevação da taxa Selic sobre a inflação, em parte, ainda estão por se materializar", trouxe a ata do Copom.

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No documento anterior, de abril, a autoridade monetária havia dito que os efeitos da política monetária sobre a inflação eram "cumulativos" e se manifestavam "com defasagens", e que "parte significativa" dos efeitos das altas da Selic estava para acontecer.

"É uma ata de quem parou (de subir juros) e de quem quer ficar parado por algum tempo. A não ser que tenha uma reversão de cenário", afirmou o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo.

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