BC revisa projeção de queda da economia de 1,1% para 2,7%
Banco Central (BC) revisou a projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015; estimativa de 1,1%, divulgada em junho, foi elevada para 2,7%; para o período de 12 meses encerrados em junho de 2016, a estimativa de queda é 2,2%; Relatório Trimestral de Inflação aponta ainda para uma piora da expectativa inflacionária, apesar de destacar que elevação ainda é de "pequena magnitude" em meio a avaliação do mercado sobre o balanço de risco e trajetória fiscal do país; expectativas para a inflação em 2016 apontam alta do IPCA para 5,3%, sobre 4,8% no relatório de junho
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Kelly Oliveira, Repórter da Agência Brasil - O Banco Central (BC) espera maior retração da economia este ano. A projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos, passou de 1,1%, divulgada em junho, para 2,7%, informa Relatório de Inflação divulgado hoje (24).
De acordo com o BC, a produção agropecuária deverá crescer 2,6% (estimativa anterior era 1,9%). Já a produção da indústria deve ter queda 5,6%, contra a previsão anterior de retração de 3%. O setor de serviços teve ter queda de 1,6%, contra a estimativa anterior de 0,8%.
O consumo das famílias deve cair 2,4%, contra a retração de 0,5% prevista em junho. Os investimentos - Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – devem apresentar queda de 12,3%, ante 7% previstos em junho.
Para o período de 12 meses encerrados em junho de 2016, a estimativa de queda do PIB é 2,2%.
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BC ressalta piora nas expectativas de inflação, mas vê economia mais fraca
Reuters - O Banco Central destacou o recente aumento das expectativas de inflação após ter havido certo progresso no processo de convergência, mas avaliou que a elevação ainda é de "pequena magnitude" em meio às percepções pioradas dos agentes econômicos sobre o balanço de risco e trajetória fiscal do país.
"Esses fatos constituem um claro e importante sinal sobre, de um lado, os progressos obtidos com a implementação da estratégia atual de política monetária, mas, de outro lado, sobre as consequências da deterioração no balanço de riscos", disse a autoridade monetária em Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira.
No documento, o próprio BC piorou suas expectativas para a inflação em 2016, pelo cenário de referência, com alta do IPCA de 5,3 por cento, sobre 4,8 por cento no relatório de junho., distanciando do centro da meta --4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.
Esse cenário levou em conta a taxa de juros básicos de 14,25 por cento ao ano e dólar a 3,90 reais, já distante do atual patamar na casa dos 4,20 reais nesta manhã.
Os mercados estão turbulentos diante das preocupações com a capacidade de o Brasil efetivamente reequilibrar as contas públicas após a perda do selo de bom pagador pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.
Para 2015, o BC elevou a perspectiva para a inflação a 9,5 por cento, contra 9,0 por cento anteriormente, vendo, por outro lado, alta do IPCA de 4,0 por cento no terceiro trimestre de 2017.
O BC reiterou ainda que o cenário de convergência para a inflação no fim de 2016 tem se mantido, "apesar de deterioração no balanço de riscos agravada recentemente pelos efeitos do rebaixamento da nota de crédito soberana".
Neste contexto, repetiu que a manutenção da Selic no patamar atual de 14,25 por cento pelo período "suficientemente prolongado" é necessária para o objetivo perseguido, fazendo a ressalva que elevações de prêmios de riscos, com reflexo no preço de ativos, exigem que a política monetária "se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação".
O posicionamento já vinha sendo expresso pelo BC desde o fim de julho, o que fez boa parte do mercado acreditar que só mexeria nos juros no ano que vem --e para baixo-- diante da esperada contribuição da fraqueza econômica para a diminuição da escalada de preços.
No Relatório de Inflação, o BC também ressaltou esse cenário de atividade mais adverso e passou a ver contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7 por cento este ano, sobre queda de 1,1 por cento antes. Já para o acumulado dos quatro trimestres até o segundo trimestre do ano que vem, a expectativa é de recuo de 2,2 por cento.
O rebaixamento do país, afirmou o BC, piorou as expectativas de curto prazo e os custos a médio e longo prazos, aumentando os prêmios de riscos e tornando a recuperação da atividade e da confiança mais lenta. Assim, a autoridade monetária defendeu os atuais ajustes fiscais para reverter esse quadro.
(Por Marcela Ayres)
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