BC: Retração no comércio recomenda cautela
Um indicador divulgado nesta terça-feira torna ainda mais complexa a decisão do Copom, que anunciará amanhã se irá manter ou elevar a taxa básica de juros, hoje em 7,5%; o Índice de Confiança do Comércio registrou a quinta queda consecutiva, com recuo de 3,6% em maio, segundo a FGV; instituição presidida por Alexandre Tombini se mostra dividida; para a jornalista Miriam Leitão, essa é uma das reuniões mais difíceis do Comitê
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247 - Um índice divulgado nesta terça-feira torna ainda mais complexa a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Segundo a FGV, o Índice de Confiança do Comércio registrou a quinta queda consecutiva neste trimestre, com recuo de 3,6% em maio. O resultado, de acordo com a instituição, mostra que a atividade do comércio continua em ritmo menos intenso que no início do ano passado.
Para a jornalista Miriam Leitão, d´O Globo, essa é uma das reuniões mais difíceis do Comitê, por conta de vários fatores, entre eles, previsões de economistas e indicadores do IBGE. "No mercado financeiro, há dúvidas", lembra a colunista. E conclui: "Quando a atividade está fraca, a inflação alta, e o mundo incerto, é o momento difícil de fazer a reunião do Copom".
Reportagem do Valor Econômico desta terça-feira aponta que a instituição, presidida por Alexandre Tombini, está dividida, tendo como principal ponto de discordância o impacto do cenário externo na inflação. O desafio, diz o jornal, está em "construir um consenso mínimo sobre o ritmo que irá imprimir daqui por diante no ciclo de aperto monetário iniciado em abril".
Leia abaixo matéria da Agência Brasil a respeito:
Índice de Confiança do Comércio registra quinta queda consecutiva com recuo de 3,6% em maio, informa FGV
Vitor Abdala, repórter da Agência Brasil - O Índice de Confiança do Comércio (Icom), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 3,6% no trimestre finalizado em maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Essa é a quinta queda registrada pelo indicador, que já havia tido uma redução de 2,9% no trimestre finalizado em abril.
Segundo a FGV, o resultado mostra que a atividade do comércio continua em ritmo menos intenso que no início do ano passado. No trimestre finalizado em maio, o Índice de Situação Atual, que mede a satisfação do empresário do comércio em relação ao momento atual, registrou a primeira queda no ano: 2,6%.
O Índice de Expectativas, que mede o otimismo do empresário do comércio em relação aos próximos meses, teve uma queda de 4,3% no trimestre finalizado em maio.
Entre os subsetores do comércio, apenas o segmento de veículos, motos e peças teve crescimento: 4,2%. O segmento de material de construção teve queda de 4,8% e o subsetor conhecido como varejo restrito (todo o varejo excluindo-se material de construção e veículos) recuou 6,2%. No atacado, a queda foi de 1,9%.
E abaixo a coluna desta terça-feira da jornalista Miriam Leitão, n´O Globo:
Copom no tabuleiro
Os sinais que vieram da China, as palavras que foram ditas nos Estados Unidos, as previsões dos economistas, os indicadores do IBGE, tudo torna mais difícil a decisão do Banco Central a ser tomada na reunião que começa hoje e termina amanhã. O PIB do primeiro trimestre sairá na manhã do dia da decisão, ajudando a orientar a decisão do Copom sobre os juros, hoje em 7,5%.
No mercado financeiro, há dúvidas. Há quem preveja uma alta de 0,5%, pelo fato de o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ter falado em fazer "tudo o que for necessário" para reduzir a inflação. Eu acho que têm mais chance de acertar os que acreditam que o ajuste será de mais 0,25%. E isso pela mistura que está no primeiro parágrafo.
A China está esquisita. O número que saiu na semana passada é apenas um indicador antecedente da indústria, mas, se o país estiver desacelerando mais rapidamente do que se imagina, é água fria no crescimento mundial. Para nós, que somos fornecedores de insumos industriais, saber que a indústria chinesa pode ter encolhido em maio é para se levar em conta.
Isso derruba mais os preços das commodities que o Brasil exporta e pode ter um impacto de redução da inflação aqui. É até espantoso que com tanta queda de preço ainda não tenha havido redução mais forte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial.
Já nos EUA, o sinal dado pelo Fed foi de redução do ritmo do incentivo monetário. Nada de suspensão dos estímulos mensais. Apenas comprar menos títulos. Mas o mundo anda com os nervos tão à flor da pele que isso e o dado das encomendas dos diretores de compras da indústria chinesa - PMI - foram o suficiente para derrubar os mercados. Eles se preocupam com a China mais fraca e se preocupam com os EUA um pouco mais forte, porque isso pode significar retirada dos estímulos por parte do BC americano.
O PIB do Brasil no primeiro trimestre deve ser bom. Talvez pouco menor do que o 1,05% antecipado pelo IBC-Br, o índice de atividade econômica do Banco Central. Até no governo esperam algo em torno de 0,9%, mas isso é crescimento que, anualizado, dá perto de 4%. Só que ontem, de novo, a pesquisa Focus - consulta feita pelo BC com instituições do mercado financeiro - mostrou nova queda na previsão do PIB de 2013, para 2,93%.
A atividade este ano está minguando, como já foi dito aqui na coluna, só que a inflação, mesmo com todos os truques do governo, continua alta. O último foi aumentar o subsídio e a desoneração às empresas de ônibus para que a tarifa não suba muito em São Paulo e, assim, junho tenha inflação menor.
Uma cambalhota foi dada no preço da energia. O governo reduziu as tarifas e, em seguida, a longa estiagem e o baixo nível de reservatórios obrigaram o uso de todas as térmicas do país por muito tempo. Algumas foram desligadas, mas a maioria permanece em atividade. Isso elevou o custo da energia. Para o preço não chegar ao consumidor, o governo vai usar uma conta que estava marcada para ser extinta, a CDE. Desta vez, será alimentada não pelo consumidor, mas por dinheiro a ser pago nos próximos 10 anos por Itaipu ao governo.
A inflação permanece tinhosa, apesar da queda dos preços das matérias-primas no mercado internacional, da desaceleração da China, dos truques do governo e da primeira elevação da taxa de juros na última reunião. Mas a atividade está ficando mais fraca. O número do primeiro trimestre será bom, mas nada exuberante, e pode não se manter nos trimestre seguintes.
Quando a atividade está fraca, a inflação alta, e o mundo incerto, é o momento difícil de fazer a reunião do Copom. O mercado faz suas apostas. Elas são a dinheiro. Um volume incalculável de reais circula no mercado futuro de juros. E desta vez há bancos grandes em lados diferentes.
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