BC: meta cheia de superávit não será cumprida em 2012
Esse cenário já era esperado pelos agentes do mercado e, agora, o governo vai reforçar o discurso de que, para 2013, a meta cheia será alcançada
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Por Luciana Otoni
BRASÍLIA, 30 Out (Reuters) - O Banco Central reconheceu nesta terça-feira, pela primeira vez, que a meta integral de superávit primário do setor público neste não deve ser cumprida por conta da atividade econômica mais fraca. Esse cenário já era esperado pelos agentes do mercado e, agora, o governo vai reforçar o discurso de que, para 2013, a meta cheia será alcançada.
"O Banco Central trabalha com cumprimento da meta (neste ano) considerando a prerrogativa de abatimento da meta", disse a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, referindo-se à possibilidade de abater da meta cerca de 25 bilhões de reais de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Os impactos se mostraram mais intensos do que o antecipado. Tivemos moderação significativa da atividade desde o segundo semestre do ano passado", acrescentou ele, afirmando ainda que, em 2013, a meta cheia será alcançada.
A pá de cal veio com os números de setembro, quando o superávit primário ficou em 1,591 bilhão de reais, o pior desempenho para esses meses em três anos. Em 12 meses até setembro, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 2,30 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
No ano, o saldo acumulado está positivo em 75,816 bilhões de reais o que, para cumprir a meta integral do governo de 139,8 bilhões de reais (equivalente a cerca de 3 por cento do PIB), exigiria uma economia mensal de pouco mais de 21 bilhões de reais até o final do ano.
O desempenho do primário do mês passado foi o pior para setembro desde 2009, quando o setor público registrou déficit de 5,418 bilhões de reais. Em setembro de 2011, o saldo havia ficado positivo em 8,096 bilhões de reais
O resultado veio pior do que esperado pelo mercado para o período, cuja mediana ficou em 4,2 bilhões de reais, segundo pesquisa Reuters.
Uma importante fonte da equipe econômica afirmou à Reuters que o cenário de não cumprimento da meta cheia neste ano terá de levar o governo a reforçar que, em 2013, o objetivo de 155,9 bilhões de reais será alcançado integralmente. A última vez que o governo não cumpriu a meta cheia foi em 2010.
"O governo vai ter que dar um mensagem forte de que a meta cheia vai ser cumprida no próximo ano", afirmou a fonte, acrescentando que não acreditava numa reação ruim dos mercados sobre o cenário de 2012 porque já era esperado que o objetivo cheio não seria alcançado.
Para o economista sênior do Banco Espírito Santo (BES), Flavio Serrano, essa é a avaliação. "Mesmo sabendo que o resultado (primário) de outubro deve ser muito forte, ainda assim governo não vai ser capaz de entregar a meta (cheia)", complementou.
O saldo primário tem sido afetado pela queda nas receitas com o desempenho mais fraco da economia neste ano. A arrecadação federal, em setembro, somou 78,215 bilhões de reais, com queda real de 1,08 por cento sobre um ano antes, o quarto mês seguido de contração.
O governo avalia que, neste final de ano, a economia brasileira estará crescendo mais forte. O presidente do BC, Alexandre Tombini, já chegou a afirmar que, em ritmo anualizado, a atividade estará crescendo a 4 por cento neste segundo semestre e em 2013.
Fontes do governo já haviam dito à Reuters que o Brasil corria o risco de não cumprir a meta de primário neste ano.
GOVERNOS REGIONAIS E ESTATAIS
No mês passado, os governos regionais (Estados e municípios) registraram superávit primário de 1,144 bilhão de reais, enquanto as empresas estatais tiveram déficit primário de 484 milhões de reais. Na contabilização do BC, o resultado primário do governo central ficou positivo em 931 milhões de reais.
Diante dos maus desempenhos, o BC informou ainda que o déficit nominal --receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros-- ficou em 12,254 bilhões de reais no mês passado. É o pior resultado para setembro desde 2010, quando houve superávit nominal de 11,997 bilhões de reais devido à capitalização da Petrobras.
A apropriação com juros somou no mês passado 13,844 bilhões de reais, chegando a 161,424 bilhões de reais nos primeiros nove meses do ano. O BC informou ainda que a dívida pública do país ficou em 35,3 por cento do PIB no mês passado, estável sobre agosto, e estima que para outubro, ela caia para 35,1 por cento.
(Reportagem adicional de Tiago Pariz, Alonso Soto, Anthony Boadle e Silvio Cascione)
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