BC atua, mas dólar atinge maior nível em 4 anos

O dólar voltou a registrar forte alta nesta sexta-feira, chegando ao patamar de R$ 2,14, o maior desde 2009; segundo analistas, a ação do Banco Central visou frear o movimento especulativo impulsionado pela formação da Ptax, mas que ainda é cedo para entender qual seria eventual novo teto para a divisa norte-americana

BC atua, mas dólar atinge maior nível em 4 anos
BC atua, mas dólar atinge maior nível em 4 anos (Foto: Luke Daniek)


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Por Bruno Federowski e Natália Cacioli

SÃO PAULO, 31 Mai (Reuters) - O dólar voltou a registrar forte alta nesta sexta-feira, chegando ao patamar de 2,14 reais, o maior em quatro anos e apesar da atuação do Banco Central, com investidores diante da possibilidade de um cenário de melhor liquidez internacional.

Segundo analistas, a ação do BC visou frear o movimento especulativo impulsionado pela formação da Ptax, mas que ainda é cedo para entender qual seria eventual novo teto para a divisa norte-americana.

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O dólar ganhou 1,36 por cento, cotado a 2,1424 reais na venda, maior patamar desde 5 de maio de 2009, quando fechou a 2,149 reais diante da profunda crise financeira que assolava o mundo naquele momento.

No mês, a moeda norte-americana acumulou valorização de 7,04 por cento frente ao real. Foi a maior alta mensal desde setembro de 2011, quando o ganho ficou em 18,15 por cento.

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Segundo a BM&F, o giro ficou em torno de 1,5 bilhão de dólares nesta sessão.

"A tendência mundial é de valorização do dólar, só que tudo tem um teto. Então, o mercado está testando", disse o operador de câmbio da Advanced Reginaldo Siaca.

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Os mercados mundiais estão reagindo à possibilidade de o Federal Reserve, banco central norte-americano, reduzir em breve seu estímulo monetário diante dos sinais de recuperação da maior economia do mundo. Caso tomada, essa decisão limitaria a oferta de dólares nos mercados mundiais, pressionando para cima as cotações da divisa dos Estados Unidos.

Nesta sexta-feira, essa avaliação ganhou força com a divulgação de que a confiança do consumidor norte-americano chegou ao maior nível em quase 6 anos.

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AÇÃO DO BC

Antes de anunciar o leilão de swap cambial tradicional --equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro-- no início da tarde, o BC fez pesquisa de demanda para a operação. Foram vendidos 17,6 mil contratos da oferta de até 30 mil.

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A última vez que a autoridade monetária interveio no mercado de câmbio foi no final de março deste ano, quando o dólar se aproximava de 2,03 reais no intradia. Após o leilão nesta sessão, o dólar chegar a reduzir parte de seus ganhos, chegando à 2,1189 reais na venda, mas em seguida voltou a ganhar força.

A alta da moeda veio também com a briga pela formação da Ptax de maio, cujo fechamento foi por volta das 13h, e com a valorização da divisa no exterior, ofuscando a alta da Selic a 8 por cento ao ano, que tende a elevar a atratividade do país para investidores estrangeiros.

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Uma fonte do governo disse nesta sexta-feira à Reuters que a alta da Selic tende a mitigar a alta do dólar ante o real, mas que ainda é cedo para falar o que vai acontecer com o câmbio no futuro próximo devido aos sinais de melhora da economia norte-americana.

Segundo Siaca, o dólar tende a se fortalecer em todo o mundo em função da perspectiva de redução do estímulo do Fed, mas os próximos passos do mercado brasileiro são mais incertos, uma vez que há expectativa de intervenção do BC.

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"Depende de como o BC agir na segunda-feira, porque o dólar vai pressionar para cima de novo. Tudo é uma incógnita", afirmou.

Analistas destacavam ainda que recentes declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocavam dúvidas sobre possível novo nível de intervenção do BC, uma vez que o ministro disse que o câmbio não será usado como ferramenta de combate à inflação.

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