Bancos temem ser bodes expiatórios da crise

Para receber a ajuda que pode chegar a 100 bilhões de euros, instituições espanholas terão que cortar mordomias e dividendos aos acionistas; o Santander, de Emilio Botín, que tem presença forte no Brasil, a princípio poderá resolver problemas sem recorrer a ajuda externa; PIB pode cair 4,1%

Bancos temem ser bodes expiatórios da crise
Bancos temem ser bodes expiatórios da crise (Foto: Edição/247)


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247 – Assim que se divulgou o maior resgate de todos os tempos, que poderá chegar a 100 bilhões de euros no caso espanhol, a imprensa europeia passou a detalhar as condições do pacote, que ainda não estão totalmente claras. De acordo com o jornal El Pais, o socorro ajuda a evitar uma corrida bancária, garantindo depósitos. No entanto, para os investidores, ela deverá acarretar menores dividendos e, para os bancos que recorrerem às linhas de crédito, a contrapartida deverá ser redução de custos e cortes de mordomias entre os executivos.

Do ponto de vista dos cidadãos espanhóis, por mais que as autoridades neguem a exigência de maior austeridade fiscal, não é isso o que se espera. Como o pacote eleva a dívida pública espanhola, são esperados novos aumentos de impostos e cortes de benefícios sociais. Por isso mesmo, os banqueiros temem ser apontados como os bodes expiatórios da crise.

Cenários traçados pelo Fundo Monetário Internacional apontam risco de convulsão social na Espanha. No pior deles, o PIB espanhol recuará 4,1% neste ano e mais 1,6% no ano que vem, ajudando a desinflar ainda mais a bolha imobiliária – neste quadro, os preços de casas e apartamentos cairiam mais 30%, ampliando as perdas do setor financeiro com as hipotecas. Num país onde o desemprego já é de 24%, este cenário traria convulsão social e acentuaria a crise de legitimidade política – o premiê Mariano Rajoy, do direitista PP, foi eleito com a promessa de reduzir o custo Espanha, criar empregos e evitar um resgate, palavra que ele evita a todo custo.

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O caso do Santander

No cenário traçado pelo FMI, apenas os três maiores bancos espanhóis, que são BBVA, Santander e La Caixa, atravessariam crise sem recorrer ao pacote de resgate. O quarto maior, o Bankia, que era dirigido por um ex-chefe do FMI, Rodrigo de Rato, já foi estatizado.

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Isso não significa, no entanto, que estes bancos não tenham que se capitalizar. O Santander, por exemplo, tentou vender 10% de suas ações ao Banco do Brasil, mas a oferta foi rechaçada pela presidente Dilma Rousseff.

Ao Brasil,  a situação do Santander desperta interesse especial, uma vez que se trata do terceiro maior banco privado, atrás apenas do Bradesco e do Itaú Unibanco, e teme-se que haja eventual contágio da crise europeia por aqui.

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Por ora, a tendência é que as linhas do pacote de resgate sejam acessadas por bancos como Kutxabank, Sabadell, Popular e Bakinter, que não fazem parte do primeiro pelotão espanhol.

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