Balanço no mercado de capitais
Com razão, a Ambev ultrapassou a Petrobras. Mas, em termos práticos, muito pode ser extraído da reflexão em torno dessa circunstância
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Ao final do ano de 2012, e já na fase de balanço, natural tecer alguns comentários a respeito do mercado de capitais e seu desempenho ao longo do período.
As crises internacionais abalaram fortemente a ruptura e as expectativas dos acionistas, porém investidores de fundos e modalidades específicas conseguiram um resultado acima da média inflacionária.
A oscilação, entre o pico de 70 mil pontos e o mínimo de 55 mil, fez com que pequenos investidores batessem em retirada, não confiando na previsão de ganho ou na suposta abertura de capitais de empresas.
O clima ruim somou-se ao ambiente do descrédito, com recompra de ações e fechamento de capital, entretanto é um fato digno de nota a posição da empresa Ambev em relação à Petrobrás.
Com razão, a Ambev ultrapassou a Petro, a primeira contando com R$ 248 bilhões e, a outra, com R$ 247 bilhões patrimoniais, mas, em termos práticos, muito pode ser extraído da reflexão em torno dessa circunstância.
O governo precisou alterar regras e modificar cláusulas contratuais, e muitas empresas sujeitas a mão visível do Estado sofreram os impactos da reviravolta, e a Petrobrás não foi diferente, sem aumento do preço dos combustíveis e revisão da política de investimentos, com o aumento do consumo no mercado interno e a problemática do refino importado, tudo isso se incorporou ao cotidiano, sem um horizonte definido.
Evidente que há a mistura de etanol na gasolina, mas nem assim a Petro conseguiu eliminar as barreiras e se deixou superar pela transnacional Ambev, o que revela, igualmente, um forte aumento da demanda em atenção ao álcool.
O balanço geral que se define a partir da concorrência da abertura de nova operação no Rio de Janeiro e do aporte de recursos estrangeiros, ambos mobilizam o cenário do próximo ano, porém, enquanto não sairmos da contaminação geral dos mercados, poucos passos daremos em prol de uma solução doméstica.
Cogita-se de uma mega operação que favoreça micro e pequenas empresas, mas tudo dependerá da estabilidade dos mercados e da cooperação dos bancos comerciais e investimentos no aumento da solidez do fluxo de capitais, e a vinda de empresas ou a consequente compra do controle local.
Diversos setores, a exemplo da educação, transporte, consumo, mostram bom desempenho e as blue chips identificaram uma perda de rentabilidade, mas, se o fator é passageiro, torna-se conveniente aguardar o primeiro semestre de 2013 para uma consolidação de novas aberturas de capital.
Uma queda expressiva agoniou o setor imobiliário, diversas empresas apresentaram queda substancial no preço dos seus papéis, e o aspecto está diretamente relacionado ao estoque em carteira, dificuldade de ser cumprido o cronograma, algum endividamento e o aumento das questões com o consumidor.
Invariavelmente, portanto, os mercados de capitais assimilam a capilaridade e sofrem as consequências da instabilidade das medidas, veja claramente o setor elétrico e a desenergização dos preços dos papéis das companhias, evidenciando que a redução da cobrança impacta diretamente na rentabilidade das empresas.
De qualquer forma, e pela maneira como vem se comportando o governo, algumas novidades poderão advir em 2013, favoráveis à carteira de investimento e, notadamente, com a melhora indispensável da infraestrutura de portos, aeroportos e o trem de grande velocidade, cuja extrema demora na precificação e regras do contrato assinalam um segundo plano da atividade estatal a respeito da modalidade de transporte.
Vimos que as empresas procuraram, ao longo de 2012, cortar custos, reduzir perdas e apresentar balanços mais expressivos, porém notou-se um aumento do número de pedidos de recuperação e falência, a desaguar numa crise típica dos novos tempos do mercado globalizado.
Em suma, o balanço do mercado de capitais no Brasil é apenas regular, e se houver capacidade de incrementar a sua função, o Estado não poderá intervir sem medir as próprias consequências, daí porque a infraestrutura do País depende, inexoravelmente, da consistência das empresas e da estabilidade do mercado, como vertentes indissociáveis de uma economia pujante.
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