Aumento da inflação corrente não é fruto de incerteza fiscal, diz Ministério da Economia

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, reconheceu que um processo desinflacionário ocorreu no início da pandemia de coronavírus, mas afastou a possibilidade de o desarranjo fiscal por conta dos volumosos gastos com o surto da pandemia estar afetando expectativas de inflação para 2021

Fachada do Ministro da Economia e Bolsonaro com Paulo Guedes
Fachada do Ministro da Economia e Bolsonaro com Paulo Guedes (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado | Reuters)


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BRASÍLIA (Reuters) - A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia descartou nesta segunda-feira que a deterioração da inflação no país seja fruto da incerteza em relação à solvência fiscal, em meio a sucessivos ajustes para cima que têm sido feitos para o IPCA.

Em nota sobre a importância do equilíbrio das contas públicas para a trajetória de inflação, a secretaria reconheceu que um processo desinflacionário ocorreu no início da pandemia de coronavírus, ao passo que nos últimos meses deste ano tem havido elevação dos preços ao consumidor.

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Mas a SPE afastou a possibilidade de o desarranjo fiscal por conta dos volumosos gastos com o surto de Covid-19 estar afetando expectativas de inflação para 2021.

“Os resultados dos modelos teóricos mostram que a elevação do risco de insolvência da dívida pública afeta as expectativas futuras de inflação, podendo, em até alguns casos, impactar os preços correntes”, disse.

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“No entanto, não há respaldo teórico em relacionar a piora da situação fiscal com deterioração dos preços correntes, mantendo as expectativas longas de inflação ancoradas”, completou a SPE, argumentando que, a despeito das revisões para cima para o IPCA este ano, as projeções para 2021 “têm se reduzido”.

No boletim Focus desta segunda-feira, feito pelo BC junto a uma centena de economistas, a estimativa para o IPCA em 2020 subiu pela décima semana seguida, a 4,35%, acima do centro da meta de 4%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

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Em 4 de junho, lembrou a própria SPE, a perspectiva para o IPCA chegou a ficar em um aumento de apenas 1,5% neste ano.

Para 2021, ainda segundo o Focus mais recente, a estimativa é de avanço de 3,34% da inflação, sendo que a meta do ano que vem é de 3,75%, também com banda de 1,5 ponto. Em 4 de junho, esse percentual era de 3,1% --tendo, portanto, se elevado de lá para cá, e não diminuído, embora ainda abaixo do centro da meta.

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“O argumento de que o aumento atual dos preços se relaciona com a deterioração da consolidação fiscal parece não ter respaldo nas estimativas de variação deste ativo. Deve-se ressaltar, que, apesar da elevação das incertezas, os ganhos provenientes da consolidação fiscal se mantêm”, destacou a SPE.

A secretaria disse que as expectativas de inflação indicam que a piora recente está limitada “temporalmente”, mas frisou a necessidade de o país prosseguir na trajetória de reformas para aprofundar o quadro de consolidação fiscal “para consolidar os ganhos obtidos e promover melhoras nas taxas longas de inflação implícita e dos juros reais”.

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