Argentina libera compra de dólar para conter pânico
Medida foi anunciada no início da tarde pelo governo de Cristina Kirchner, em razão da fuga de capitais; discurso de Dilma em Davos ressaltou diferenças do Brasil em relação à Argentina, mas, em dia de pânico, todos saíram perdendo; presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que acompanha de perto a crise argentina
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247 - No início desta tarde, o governo argentino recuou e anunciou a liberação da compra de moeda estrangeira por pessoas físicas para tentar conter a crise de desconfiança em relação ao peso – crise que arrasta mercados de países emergentes, incluindo o Brasil.
Leia, abaixo, reportagem do Infomoney:
SÃO PAULO - Após chegar a zerar as perdas de 1,04% registradas no início do pregão logo após o início do Discurso de Dilma em Davos, o Ibovespa volta a perder forças nesta sexta-feira (24) e opera com queda de 1,67% por volta das 14h15 (horário de Brasília), aos 47.513 pontos, voltando a perder os 48.000 pontos - o que não acontecia desde agosto do ano passado.
O índice perdeu bastante fôlego com a abertura do mercado nos EUA, O desempenho segue os índices norte-americanos, que operam com perdas próximas de 1%, elevadas para as bolsas do país. A mídia norte-americana tem reportado que o problema começou com uma uma fuga sistemática iniciada na moeda argentina.
Embora o discurso de Dilma tenha sido "morno" em Davos, as bolsas mundiais perdem bastante força com uma fuga em massa de mercados mais desenvolvidos. Desta vez os problemas começaram na Argentina: a forte desvalorização da moeda de lá, que caiu 11% na véspera, chama a atenção para a "fuga dos investidores" de ativos tidos como "arriscados", como ações e moedas de emergentes. Há temores de que essa forte desvalorização inicie uma crise econômica por lá e o país virou o centro das atenções dos mercados internacionais.
A situação impacta os índices de toda a América Latina. O Merval, índice argentino, cai 3,32% por volta das 14h. A bolsa peruana tem queda de 1,70% neste mesmo horário, enquanto o IPSA da bolsa chilena recua 1,30%. O Inmex, do México, recua 1,31% e o IGBC da Colômbia apresenta queda de 0,90%. No total, o ETF (Exchange Traded Fund) de mercados emergentes cai 2,57% nos EUA.
Se por um lado, a alta do dólar impulsiona as ações de companhias produtoras de commodities, o pessimismo apontado pela Pimco na véspera e a falta de perspectivas para o Brasil pressiona o benchmark.
Apesar do cenário pessimista prevalecer, as ações das produtoras de matérias-primas ganham forças nesta sessão com a nova valorização do dólar, que já chega a valer R$ 2,42 nesta sexta. A moeda norte-americana apreciada beneficia empresas que possuem receita lastreadas em dólar e custos em reais. Além destes papéis, importante destacar o desempenho das ações da Vale (VALE3, R$ 31,03, +0,32%; VALE5, R$ 28,18, +0,11%), que apesar de bem mais "tímido" que as outras produtoras de commodities, acaba tendo efeito direto no Ibovespa pela forte participação que ela possui na carteira teórica do índice - atualmente, VALE3 e VALE5 respondem por cerca de 10% do Ibovespa. Além disso, elas iniciaram o dia com queda superior a 1%. Em 2014, a queda das duas ainda seguem superiores a 10%.
No caso da Fibria e da Suzano, favorece ainda os comentários positivos de grandes bancos internacionais. O Credit Suisse manteve sua visão de que o setor deve ter bons ganhos no curto prazo e projeta resultados mais fortes devido aos preços altos e câmbio favorável. Porém, o banco acredita que ocorra uma queda dos preços da commodity a partir do segundo trimestre. Na quarta-feira, o Bank of América Merrill Lynch mostrou uma análise positiva para investimentos na indústria brasileira de papel e celulose neste ano. Segundo os analistas do banco, o setor deve registrar ganhos melhores que as mineradoras e siderúrgicas.
Brookfield é maior queda do índice
A Brookfield (BISA3, R$ 1,22, -7,58%) devolve os ganhos de 18,92% da sessão anterior após a companhia se limitar a dizer que "não tem conhecimento de nenhum fato que justifique tais oscilações". Os rumores de que a companhia pode vir a fechar seu capital e sair foram o principal "gatilho" para a forte alta vista no pregão anterior. Embora a empresa tenha dito que desconhece o motivo dessa valorização, analistas de mercado consideram a possibilidade de sair da Bovespa interessante para a construtora.
Dilma mostra otimismo com Brasil em Davos
No final desta manhã, a presidente Dilma Rousseff realizou seu discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Dilma destacou que os emergentes continuam a desempenhar papel estratégico e que é apressada a tese segundo a qual as economias emergentes serão menos dinâmicas. "Os emergentes serão dinâmicos porque têm grandes oportunidades", afirmou. Sobre a crise, a presidente ressaltou que a recuperação definitiva da crise financeira global de 2008 não deve ser focada apenas no curto prazo, mas também os horizontes de médio e longo prazo nas avaliações.
Sobre os indicadores econômicos do País, ela destacou a importância do controle da inflação e das contas públicas, essenciais para a estabilidade, reforçando que o Brasil segue o regime de metas de inflação e que trabalha para atingir o centro da meta de inflação - de 4,5% ao ano -, ressaltando os fortes problemas econômicos que o Brasil enfrentou na época da hiperinflação. Sobre as despesas de conta corrente do Governo Central, Dilma ressaltou que as contas estão sobre controle e que a dívida líquida do setor público caiu e mesmo a bruta declinou, afirmando que o País tem um dos menores endividamentos do mundo.
Pimco reforça pessimismo com Brasil
Evitando que o Ibovespa esboce alguma reação nesta sessão, o comentário da Pimco na véspera segue pressionando o índice. Em artigo publicado na quinta-feira no site da Pimco, Michael A. Gomez, responsável pela equipe de gestores do portólio de emergentes da gestora, disse que embora existam ativos atrativos no Brasil, a instauração da "ordem" no mercado financeiro local é incerta a menos que políticas efetivas sejam restauradas.
"O Brasil precisa ancorar a política econômica sob uma rigorosa e crível meta de superávit primário, em vez de executar o mix atual de política fiscal expansionista, empréstimos públicos subsidiados e política monetária cada vez mais apertada", escreveu Gomez. O relatório foi publicado no momento em que Dilma Rousseff está em Davos com a complicada missão de cativar investidores estrangeiros a trazerem seu capital para o País.
No mesmo dia, o Financial Times destacou em matéria que os estrangeiros que apostaram no Brasil amargaram perdas de US$ 284 bilhões em três anos em meio a um cenário de deterioração econômica nacional e intervenção do governo.
Cabe destacar ainda a fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, no Fórum Econômico de Davos, afirmando que o patamar de crescimento anual de 2% do Brasil registrado no terceiro trimestre de 2013 não é suficiente, mas minimizando a desvalorização recente do real ante o dólar.
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