Após comunicado, economistas avaliam que não haverá alta do juro

Segundo reportagem do jornal Estado de S. Paulo, ex-presidentes do Banco Central demonstraram "perplexidade" com a nota divulgada por Alexandre Tombini indicando que pensaria muito bem antes de elevar os juros depois da projeção de crescimento divulgada pelo FMI; se ocorrer, será de no máximo 25 pontos-base, porém não é o cenário mais provável, avaliam economistas

Brasília - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fala na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, sobre as diretrizes e perspectivas da política monetária (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Brasília - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fala na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, sobre as diretrizes e perspectivas da política monetária (Antonio Cruz/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Por Lara Rizério, do Infomoney - Dentre várias instituições que revisaram a recomendação para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) após o comunicado do Banco Central sobre as projeções revisadas do FMI para o Brasil, a Rosenberg Consultores Associados foi uma das mais enfáticas ao dizer: a alta de juros nesta reunião subiu no telhado, ao projetar manutenção da Selic no cenário-base, e uma chance de 30% de elevação de 0,25%.

De acordo com os economistas da consultoria, o mais relevante não foi a revisão do FMI em si e sim a reação que esta provocou por parte do Banco Central, com a autoridade monetária divulgando nota em que ressaltou que as revisões de projeção de crescimento foramexpressivas e que isso será levado em consideração pelo Copom em sua reunião que começa hoje. 

"Ora, para meio entendedor, meia palavra basta: no caso, temos um comentário inteiro sinalizando que o BC vai pensar muito bem antes de elevar os juros. A divulgação do comentário ocorre em meio a pressões de gregos e troianos pela manutenção dos juros e de uma reunião extraordinária com a presidente Dilma, ontem à noite", afirma a consultoria.

continua após o anúncio

Assim, "levando em conta o conjunto da obra, alteramos nossa expectativa para a reunião de hoje para manutenção da taxa de juros, com 30% de chance de elevação de 0,25 ponto percentual". Os economistas destacam que a alta de 0,5 ponto já é praticamente carta fora do baralho após o comunicado – não exatamente pelo seu teor, mas pela sua divulgação no primeiro dia de reunião do Copom, interrompendo o período de silêncio que geralmente precede as decisões sobre juros. 

Embora o número do PIB para 2016 trazido pelo FMI seja mais pessimista que a média do mercado, não chega a ser uma grande surpresa, afirma a consultoria. Todavia, ele serve como alerta, haja vista ao fato de que o FMI costuma ser mais conservador em suas projeções. Segundo o FMI, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve sofrer retração de 3,5 por cento este ano e ficar estagnada em 2017.

continua após o anúncio

"É bem verdade que já testemunhamos uma guinada de 180º deste Copom no passado – quando todos esperavam que ele subisse os juros, iniciou uma trajetória de queda. Mas, naquela ocasião, não tínhamos uma inflação na casa dos dois dígitos", afirmam.

Desta forma, os economistas reforçam, a alta de juros nesta reunião subiu no telhado – e, se ocorrer, será de no máximo 25 pontos-base, porém não é o cenário mais provável. "Redução de juros tampouco parece ser possível, dada a inflação esperada acima do teto para este ano. Quanto às nossas perspectivas para juros ao final do ano, colocamos sob revisão, à espera do comunicado a ser divulgado amanhã à noite para então conseguirmos captar quais são os próximos passos da política monetária em discussão pelo Copom", afirma a Rosenberg.

continua após o anúncio

Vale ressaltar que o "comunicado pré-Copom" surpreendeu também os ex-diretores do BC. Consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo, ex-integrantes do BC demonstraram"perplexidade" sobre a nota divulgada por Tombini.

"Todos os sinais do BC eram mais hawkishes (inclinado ao aperto monetário), apesar da recessão. Não entendemos o motivo de Tombini passar um recado tão dovish (suave) no meio do caminho", disse uma das fontes consultadas pelo jornal.

continua após o anúncio

Outra fonte avaliou que a mudança de Tombini é contraditória com toda a linha apresentada desde o final do ano passado. "Ou o BC não passou os recados certos ou teve de mudar de posição de última hora, o que é muito pior", afirmou.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247