Alta na informalidade não antecipa volta do emprego formal, aponta estudo
Estudo do Credit Suisse mostra que explosão do emprego informal com a reforma trabalhista não é antecipação de recuperação do emprego formal, como prometia o governo Temer; de acordo com os dados, se o PIB crescer 2% em média nos próximos anos (o Credit projeta 1,8% para 2018), apenas no primeiro trimestre de 2023 o País terá uma a taxa de desemprego em torno dos 7%, registrada em 2014; com o golpe, o Brasil continua ladeira abaixo
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247 - Um estudo do Credit Suisse mostra que explosão do emprego informal com a reforma trabalhista não é antecipação de recuperação do emprego formal, como prometia o governo Michel Temer. De acordo com as estatísticas do banco, em reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, se o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 2% em média nos próximos anos (o Credit projeta 1,8% para 2018), apenas no primeiro trimestre de 2023 o País terá uma a taxa de desemprego em torno dos 7%, registrada em 2014. No primeiro trimestre entre março e maio deste ano, o desemprego ficou em 12,7%, atingindo 13,2 milhões de pessoas.
O economista-chefe do banco suíço, Leonardo Fonseca, afirma que atual recuperação econômica é frágil e está parcialmente baseada numa tímida recuperação do consumo, o que também reduz o nível contratação, ao contrário das outras recuperações econômicas analisadas, em que a retomada foi impulsionada pelo aumento exportações e, por consequência, nos investimentos.
“Não há evidências de que o mercado informal antecipa a recuperação”, acrescenta ele, que analisou o que ocorreu no emprego nos dez trimestres seguidos após seis recessões. “Tentamos ver se a relação entre recuperação da economia e melhora do mercado informal aconteceu em outras recessões. Não observamos que a população informal reage primeiro e a formal vem depois. Só há relação estatísticas entre atividade econômica e mercado formal”, complementa.
Apenas em 1999 e em 2003 a recuperação do informal antecedeu a do formal. O inverso foi registrado em 2009 e casos (1992 e 1995) de contínua deterioração dos indicadores trabalhadores com carteira assinada enquanto aumentava o número dos sem carteira.
Sobre a crise de 2001, vale ressaltar um comportamento diferente das outras: inicialmente, houve uma melhora nos dois mercados, mas uma nova crise econômica entre 2002 e 2003 implicou no avanço da informalidade e na estagnação do mercado formal.
Os dados indicam que uma recuperação no número de trabalhadores com carteira assinada ocorrerá somente quando a economia voltar a crescer de forma mais expressiva. “O mercado informal tem custos menores. É mais fácil e uma retomada do formal só vai acontecer quando a economia se consolidar”, continua Fonseca.
O que também influencia nas dificuldades da retomada é a PEC do Teto dos Gastos, que congela os investimentos públicos por 20 anos. De acordo com a proposta, o investimento de uma no deve ser o do ano anterior - apenas corrigido pela inflação.
Para realizar o estudo, o economista usou dados da Pesquisa Mensal do Emprego, feita pelo IBGE até fevereiro de 2016 com informações das regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
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