Ações da Eletrobras encontram o fundo do poço

Plano de renovação das concessões do setor elétrico coloca os papéis da empresa no nível mais baixo de 2005; medida faz parte do programa do governo Dilma para baratear a conta de luz

Ações da Eletrobras encontram o fundo do poço
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Por Danielle Assalve

SÃO PAULO (Reuters) - As ações preferenciais da Eletrobras amargaram sua pior queda diária em quatro anos nesta sexta-feira, com investidores temendo os impactos negativos que uma possível renovação antecipada de concessões elétricas terá sobre os resultados e dividendos da estatal federal.

O papel perdeu 11,5 por cento nesta sexta-feira, a 11,60 reais. Foi a maior queda diária de fechamento desde 12 de novembro de 2008, para a menor cotação desde setembro de 2005. Na mínima da sessão, a ação preferencial --que é a mais negociada-- chegou a cair 14,5 por cento, a 11,21 reais.

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Na quinta-feira, quando o mercado acionário brasileiro ficou fechado por feriado nacional, os recibos de ações (ADRs) da Eletrobras negociados nos Estados Unidos registraram queda de 5,9 por cento.

A Eletrobras divulgou na noite de quarta-feira um lucro líquido 36 por cento menor no terceiro trimestre, ante igual período de 2011. Mas o que preocupou mesmo investidores foram os números que a estatal mostrou sobre o impacto das renovações de concessões nos moldes estabelecidos pelo governo.

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"Esqueça os resultados do terceiro trimestre, as renovações de concessões são o que importam", escreveram analistas do Bank of America Merrill Lynch em relatório.

A renovação das concessões implicará baixa contábil superior a 15 bilhões de reais e perda de receita de 9,6 bilhões de reais por ano ante o patamar atual, segundo cálculos da própria Eletrobras no demonstrativo de resultado.

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Apesar do impactos negativo, é forte no mercado a percepção de que a companhia aceitará as condições impostas pelo governo --seu principal acionista-- para renovar suas concessões que vencem entre 2015 e 2017.

"Um conflito de interesse entre buscar os melhores interesses da Eletrobras e reduzir as tarifas para consumidores finais está na mão do governo brasileiro, responsável tanto por determinar as condições de renovação e por aceitar os termos como acionista controlador da Eletrobras", disse o BofA Merrill Lynch em relatório.

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O governo da presidente Dilma Rousseff anunciou em setembro um plano para reduzir as tarifas de energia no próximo ano em 20 por cento, na média. Desde então, a ação preferencial da Eletrobras acumula desvalorização de 38 por cento.

Acionistas da Eletrobras vão deliberar em assembleia no dia 3 de dezembro sobre a renovação antecipada e condicionada das concessões. A diretoria da estatal recomendou aos acionistas na última quarta-feira a aprovação da renovação, numa ação simultânea ao pedido de renúncia do representante dos acionistas minoritários no Conselho de Administração da Eletrobras.

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Em sua carta de renúncia, obtida pela Reuters, o conselheiro José Luiz Alquerés disse que "temos visto medidas do governo --até bem intencionadas na origem-- destruírem brutalmente valor" na Eletrobras, por não considerarem a realidade do mercado.

"O pedido de desligamento do representante dos minoritários sinaliza a forte pressão que o governo tem feito sobre o Conselho no sentido de fazê-la aceitar a renovação mesmo com toda a perda de receita", escreveram analistas da Ativa Corretora em relatório.

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As ações ordinárias da Eletrobras caíram 2,43 por cento nesta sexta-feira, a 9,25 reais, enquanto o principal índice acionário da bolsa paulista, o Ibovespa, fechou o pregão em queda de 1,56 por cento.

(Por Danielle Assalve; Edição de Raquel Stenzel)

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