Ação da PF derruba exportações do Brasil

Em decorrência da deflagração da Operação Trapaça - nova fase da Carne Fraca, da Polícia Federal - o Ministério da Agricultura paralisou, de forma preventiva, as exportações de carne de frango das três frigoríficos da BRF envolvidas: Mineiros (GO), Rio Verde (GO) e Carambeí (PR); desembarques foram interrompidos para 12 destinos; as ações da BRF, dona da Sadia e Perdigão, também despencaram 20% nesta segunda-feira 5 na Bovespa; a ação prendeu o ex-presidente da BRF Pedro Faria e mais 10 pessoas

Agentes da Polícia Federal deixam sede da BRF, em Curitiba 05/03/2018 REUTERS/Geraldo Bubniak
Agentes da Polícia Federal deixam sede da BRF, em Curitiba 05/03/2018 REUTERS/Geraldo Bubniak (Foto: Gisele Federicce)


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247 - Em decorrência da deflagração da Operação Trapaça - nova fase da Carne Fraca, da Polícia Federal - o Ministério da Agricultura paralisou, de forma preventiva, as exportações de carne de frango das três frigoríficos da BRF envolvidas: Mineiros (GO), Rio Verde (GO) e Carambeí (PR).

Os embarques foram interrompidos para 12 destinos, incluindo União Europeia, Vietnã, Coreia do Sul e Israel. China e Rússia não estão na lista, provavelmente, porque as plantas afetadas já não estavam exportando para esses mercados, informa reportagem da Folha.

As ações da BRF também caíram cerca de 20% nesta segunda-feira 5, causando uma perda de R$ 5 bilhões em valor de mercado à empresa.

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Leia mais sobre a operação na reportagem da Reuters:

PF mira BRF em nova fase da operação Carne Fraca e prende ex-presidente Pedro Faria e mais 10

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Por Pedro Fonseca e Gabriela Mello - A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira o ex-presidente da BRF Pedro Faria e mais 10 pessoas em nova fase da operação Carne Fraca, que investiga irregularidades na análise sanitária de produtos alimentícios e que contou ainda com mandados de condução coercitiva de outras 27 pessoas.

Faria foi presidente da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, entre 2015 até o final do ano passado, em uma reformulação da administração da empresa que teve o presidente do conselho de administração da BRF, Abilio Diniz, como um dos principais promotores.

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Os mandados envolvem prisões temporárias. Além de Faria, foi preso Hélio dos Santos Júnior, que na semana passada renunciou do posto de vice-presidente de operações globais.

A BRF é a maior exportadora de carne de frango do mundo e desde o início da operação Carne Fraca, no começo de 2017, os resultados da companhia têm sido atingidos pelo escândalo, que impactou as exportações do Brasil já que vários países, incluindo a China, suspenderam temporariamente importações de produtos de proteína animal do Brasil.

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As ações da BRF despencavam quase 19 por cento às 15h56, enquanto o Ibovespa tinha alta de 0,32 por cento. A rival JBS recuava cerca de 5 por cento.

Segundo o delegado da PF encarregado das investigações, Maurício Moscardi Grillo, a BRF não tomava todos os cuidados sanitários necessários, e executivos da companhia tinham conhecimento dos fatos.

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O delegado disse em entrevista que provas e emails coletados indicam que as fraudes foram cometidas entre 2012 e 2015, com intervenção de gerente da BRF no cadastramento de laboratório que fraudaria as análises da qualidade dos alimentos para a empresa.

"O controle de qualidade da empresa, bem como executivos ligados à empresa em todas as áreas hierárquicas, do seu presidente até o gerente de controle de qualidade, tinham conhecimento dos fatos que aconteciam", afirmou o delegado.

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Os emails incluem troca de mensagens de uma ex-funcionária do grupo que afirma ter sido pressionada por superiores para alterar resultados de análises laboratoriais, disse o juiz André Wasilewski Duszczak em despacho que autorizou a operação desta segunda-feira.

Além de trocas de resultados de análises, o coordenador-geral de inspeção de produtos de origem animal do Ministério de Agricultura, Alexandre Campos da Silva, acrescentou que houve omissão da presença da bactéria salmonela em produtos da companhia e que as fraudes cometidas colocam em risco a exportação de carnes do Brasil.

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Na ação desta segunda-feira, chamada Operação Trapaça, agentes da PF cumprem um total de 91 mandados judiciais nos Estados de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo.

"Todos (os mandados) foram de pessoas em caráter de testemunha nos autos da investigação, não desrespeitando a decisão do Supremo (Tribunal Federal) de não desrespeitar o suspeito. Mas temos que considerar o poderio econômico da empresa que é muito grande", afirmou Grillo.

"A investigação policial deve repercutir negativamente, tanto no mercado local, quanto no mercado externo. O grande risco para a BRF é a volta (e aumento) das restrições sobre seus produtos no Brasil e exterior", afirmaram analistas da Guide Investimentos em relatório.

A BRF disse, em nota enviado ao mercado, que está se inteirando dos detalhes da nova fase da operação da PF e que está colaborando com as investigações para esclarecer os fatos. Além disso, a empresa reiterou que segue as normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos.

MUDANÇAS NA GESTÃO

A BRF também informou que o seu conselho de administração, reunido nesta segunda-feira, marcou uma assembleia geral extraordinária de acionistas no dia 26 de abril para discutir a proposta de troca de todo o colegiado da companhia. Os fundos de pensão Previ, do Banco do Brasil, e Petros, da Petrobras, entre os principais investidores da BRF defendem a troca dos executivos do conselho, incluindo Diniz.

No ano passado, ao anunciar no final de agosto decisão de troca da presidência-executiva da BRF, Diniz afirmou que não havia nenhuma chance do substituto de Faria vir de dentro da própria companhia, sem dar muitos detalhes o motivo desta preferência. Na ocasião, Diniz afirmou a analistas da BRF que o momento do anúncio da saída de Faria, em um momento em que a empresa vinha apresentando resultados abaixo do esperado, era adequado e que"não houve pressão de ninguém" para a troca do comando.

Na semana passada, Diniz afirmou aos analistas da BRF que a empresa precisava"recuperar a credibilidade para a administração da companhia". A empresa teve em 2017 prejuízo líquido de 1,1 bilhão de reais e passou a ser presidida por José Aurélio Drummond Jr. no final do ano passado.

Procurada nesta segunda-feira, a Península, empresa que representa os investimentos da família Diniz, não se manifestou sobre a operação da PF.

Segundo a Polícia Federal, as investigações demonstraram que a prática das fraudes contava com a anuência de executivos do grupo empresarial, e também foram constatadas manobras extrajudiciais operadas por executivos do grupo com o fim de acobertar a prática dos atos ilícitos ao longo das investigações.

"As fraudes operadas tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal (SIF/MAPA) e, com isso, não permitir que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da empresa investigada", afirmou a PF.

Por Gabriela Mello e Pedro Fonseca, com reportagem adicional de Flavia Bohone, em São Paulo, e Ricardo Brito, em Brasília, texto de Alberto Alerigi Jr, edição de Maria Pia Palermo e Raquel Stenzel

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