A “queda” da inflação que subiu e as pressões sobre Temer
"As manchetes dizem que a “inflação baixou”, com a ressalva que aumentou a acumulado em 12 meses. Manipulação: a inflação subiu, porque foi o dobro da registrada em agosto do ano passado", diz Fernando Brito, sobre o fracasso da política antiinflacionária conduzida por Ilan Goldfajn, a despeito da maior taxa de juros do mundo
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Por Fernando Brito, editor do Tijolaço
As manchetes dizem que a “inflação baixou”, com a ressalva que aumentou a acumulado em 12 meses.
Manipulação: a inflação subiu, porque foi o dobro da registrada em agosto do ano passado.
Aliás, se o negócio for fazer manipulação jornalística, também se poderia escrever “Com Temer, inflação de agosto dobrou”.
Numericamente, correto. Mas, como a técnica que os jornais usam, pouco útil para far sério sobre economia, como se deve fazer.
O índice de 0,44% de inflação, medida pelo IPCA, aperta ao extremo as perspectivas do Governo Temer em matéria de um resultado anual de reajuste de preços em torno dos 7%, como previa a equipe econômica.

É muito difícil que a taxa anual fique abaixo de 7,5%, tendendo a 8%, isso se não houver algum abalo cambial, porque isso está longe de ser impossível com a quase unanimidade do convencimento de que os juros americanos irão subir.
Não há razão – dentro da lógica “mercadista”, claro – para prever uma redução nas taxas de juros que possa impulsionar o BC a uma decisão de baixar a taxa Selic.
Se o fizer, terá sido por pressão política.
Dizer que a inflação de agosto baixou em relação à de julho – de 0,52% para os mencionados 0,44% – é conta para enganar trouxa, porque a sazonalidade dos preços faz desta a maior taxa dos últimos nove anos.
Escrevi aqui, há um mês: julho era a “janela de oportunidade” (junto com o último trimestre do ano) para fazer a inflação baixar. Porque agosto teve, em 2015, uma variação muito baixa – 0,2% – que muito dificilmente se repetirá mês que vem.
Àquela altura, o mercado previa algo abaixo de 0,3% para o IPCA de agosto.
Só o que o Governo tem, a esta altura, para “animar” os agentes econômicos é a chacina dos direitos sociais.
Vem aí uma nova onda de pressões para que Michel Temer imole em praça pública o que lhe resta de pridência política.
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