A ata

Na história da condução econômica, esses dois anos serão anotados como uma desconstrução das bases criadas. Refiro-me de forma direta à interferência presidencial na tomada de decisão do BC



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Após mais uma ata de reunião divulgada pelo COPOM, onde parece que a razão e a coerência enfim prevaleceram sobre a impulsividade de Dilma, os atores econômicos do Banco Central parecem ter retomado o controle para o estabelecimento de uma nova roupagem da política macroeconômica. O controle inflacionário é obrigação do Banco Central, e suas ações devem convergir para tal manutenção, e não servir de ferramenta única e exclusivamente de manobras governamentais.

Em síntese, a tradução da "retomada do BC" contra as políticas descoladas da realidade econômica pode estar relacionada a esta frase, extraída da ata do COPOM: "Os preços do grupo alimentos e bebidas (...) variaram 0,96% em abril e 14,00% em doze meses (6,23% até abril de 2012). Por sua vez, os preços dos serviços aumentaram 8,13% em doze meses (8,00% até abril de 2012). Em síntese, a inflação de serviços segue em níveis elevados, e observam-se pressões no segmento de alimentos e bebidas."

Em outro trecho, "o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação."

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O comércio, acredita o BC, ainda será influenciado pelo crescimento da massa salarial e do crédito. A indústria ainda não voltou aos seus melhores níveis de produção, mas dependem de um contexto mais macro e incentivador do que estamos atualmente oferecendo.
Por mais estranho que possa parecer, estamos enfim retomando a conscientização da política macroeconômica iniciada na implantação do Real, retomando a confiança sobre o planejador e buscando ferramentas que enfim sejam transparentes e que retomem a confiança do empresariado.

A ameaça de retirada do grau de investimento por uma agência internacional é algo que reitera a ideia de que o governo não possui uma política estratégica de crescimento econômico, e age em muitos casos por imediatismos. Alem disso, a deterioração das contas externas, o baixo crescimento econômico e a alta dos preços complicam o cenário propositivo. Adicionalmente, inclui-se a alta do dólar que poderá influenciar ainda mais no cenário interno.

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Quando um governo acena por um caminho, por exemplo, de preocupação com a inflação, de preocupação com o custeio da máquina pública, ele na verdade demonstra que está preocupado, que quer tomar ações que conjuntamente restabelecerão um cenário positivo.

Adotar regimes de meta, independência do Banco Central, restringir despesas da máquina pública, compõem ações que ajudam na avaliação positiva da economia.

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Com a possibilidade de rompimento da impulsividade que marcou os primeiros anos de Dilma, espero que retomemos a visão geral da economia. Infelizmente, na história da condução econômica, esses dois anos serão anotados como uma desconstrução das bases criadas. Refiro-me de forma direta à interferência presidencial na tomada de decisão do BC.

Os trechos destacados sobre a ATA do COPOM mostram muito mais do que toda a análise do cenário econômico, mas demonstra de forma interessante o posicionamento da equipe governamental sobre o andamento da economia. Antes, tais ranhuras não estavam previstas, e já se materializam para as próximas reuniões novas tomadas de decisões que privilegiem a função do Banco Central em controlar a inflação.

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A política monetária precisa ser assertiva, direta e inibidora de solavancos. O empresariado, clama reiteradamente uma comunicação direta para o setor, que além dos investimentos em infraestruturas, que mais uma vez espero que tenhamos um começo, precisam ganhar e consolidar suas confianças em crescimento, em um futuro.

Os investimentos dos empresários estão diretamente ligados a confiança de seus resultados, de seus retornos sobre o capital investido. O que julgo positivo, e espero sinceramente que o governo federal volte sua atenção para o que realmente lhe cabe, é pensar nos investimentos estruturantes, criar marcos regulatórios que consolidem o interesse público e privado, e tocar as forças diretivas de nosso país. Tais ações, combinadas com maiores responsabilidades econômicas, solidificam um futuro próspero.

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