Um Robin Hood às avessas
Filme "O Capital", do cultuado cineasta Costa-Gavras, e que acaba de estrear em São Paulo, desnuda, diante de nossos olhos, a essência do capitalismo financeiro através da escalada de um graduado funcionário
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247 - O pessoal de esquerda, ou de centro-esquerda, que já entrou na idade dos "enta" [40, 50, 60 etc.], tem motivos de sobra para celebrar. Acaba de entrar em cartaz em São Paulo o filme "O Capital", do cultuado cineasta Costa-Gavras – o mesmo de "Z" , "Estado de Sítio", "Desaparecido – um grande mistério", dentre outros.
O filme desnuda, diante de nossos olhos, a essência do capitalismo financeiro através da escalada de um graduado funcionário, um tanto arrivista, mostrando-nos o seu dia a dia e o seu relacionamento com os mais diversos personagens com os quais se depara nessa sua subida ao topo: um antigo amigo desempregado, uma mulher sedutora, a esposa, o filho, os colegas de trabalho, o ex-chefe e tutor etc.
Aprendemos, sobretudo, como os seus/nossos valores – comuns a muitos homens que nos cercam – mudam de acordo com o sopro dos ventos do acaso e da ambição.
Essa película do icônico Costa-Gavras nos dá, sem ser "didática" ou "aborrecida", na verdade sem que sequer nos apercebamos, uma despretensiosa e agradável aula sobre o capitalismo financeiro, a globalização, suas intrincadas redes e artimanhas.
É um filme de ficção. Não se trata de um documentário, um tanto árido para leigos ou "não economistas" como o recente "Trabalho Interno", que trata de tema correlato (a crise e a "podridão" do capitalismo financeiro).
"O Capital" nos ensina, de maneira leve, coisas que, muitas vezes, não temos paciência para apreender na leitura dos ensaios de pensadores contemporâneos como o saudoso Milton Santos, José de Souza Martins, Slavoj Žižek ou Zygmunt Bauman – ou na difícil leitura das obras do velho Marx [a quem o título do filme nos remete, numa sutil ironia], Weber ou Hegel.
Se ao final da exibição, quando correm os letreiros na tela grande, o espectador tiver assimilado que o sistema financeiro funciona como uma espécie de Robin Hood às avessas, que toma dos pobres para dar aos ricos; que as nações têm, todos os dias, sua soberania e autonomia violentadas pelas grandes corporações e pelos especuladores transnacionais; e que o homem moderno pode ser considerado uma espécie de escravo dessas azeitadas e corrompidas engrenagens, já terá valido a pena sua ida ao cinema. Costa-Gavras terá dado então o seu recado.
Na cidade de São Paulo, está passando naqueles espaços considerados os melhores cinemas da cidade: em uma das ótimas salas do Reserva Cultural e também no cinema da Livraria Cultura, dentre outros espaços.
Procure saber em que sala está passando aí na sua cidade e não perca esse filme, pois esse é daqueles que podem, sem favor algum, entrar para a categoria dos "imperdíveis".
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