Questionado se era de esquerda ou direita, Quino respondeu: de que lado bate o coração?

Em entrevista a Cynara Menezes, o cartunista Quino, criador da Mafalda, respondeu ser de esquerda pois é o lado que bate o coração. A entrevistadora comentou: “a frase é ótima e virou um mantra pra mim"

Joaquin Salvador Lavado com Mafalda
Joaquin Salvador Lavado com Mafalda (Foto: REUTERS/Eloy Alonso)


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247 - Em entrevista da jornalista Cynara Menezes, hoje editora do blog Socialista Morena, ao cartunista Quino, criador da Mafalda, para o caderno ilustrado do jornal Folha de S.Paulo em 1999, falou sobre sua profissão e da repressão da ditadura argentina surgida em 1976. Ele ainda respondeu ser de esquerda pois é o lado que bate o coração, mas essa parte foi retirada pela edição, segundo Cynara.

Cynara descreveu Quino como um “ícone da reação popular à repressão militar sul-americana nos anos 1970”. “Tímido, responde a cada pergunta como quem está envolto em brumas, distraído, sempre indo além do perguntado, recusando-se a ser direto ainda que fosse com o fugidio olhar”, descreveu a jornalista baiana.

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Perguntado por que deixou de desenhar personagens quando parou com Mafalda, Quino respondeu que “personagens prendem muito - prefere deixar a imaginação viajar em desenhos soltos, à maneira do ‘grande pai’ Saul Steinberg, o genial ilustrador romeno, radicado nos EUA, morto este ano”.

Sobre o fato de não ter filhos, o desenhista disse que “não quis trazer mais loucos para este mundo. E, ainda mais, teriam caído naquela época maldita da repressão. Estariam desaparecidos”, falou sobre a ditadura argentina.

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“Fui embora da Argentina em 76. Ninguém me mandou embora, ninguém me disse ‘vamos matá-lo’, mas já estavam morrendo vários amigos meus, desaparecendo… Então, tendo um trabalho como o meu, em que posso trabalhar em qualquer parte, era estúpido permanecer ali”, reforçou.

“Quis voltar em 79, voltei por um mês. Depois, em 80, voltei por dois meses. E em 83, quando Alfonsin ganhou e se supunha que íamos ter uma democracia”, falou ressaltando a situação péssima dos países “pobrezinhos” da América Latina e do resto do mundo. Ele ainda disse que o ex-presidente da Argentina Carlos Menem (uma espécie de FHC argentino) “forma parte dessa política em que não importa a população do país”.

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O desenhista também denunciou o bloqueio econômico a Cuba: “imagine o Japão bloqueado, o que faz? Não dura nem dez anos. Mas eu gosto muito de Cuba. E o socialismo me atrai como sistema político”, afirmou.

“Que tenha fracassado depois de 70 anos, isso não é nada na história da humanidade. Imagine quanta gente se matou tentando voar. Se Leonardo da Vinci tivesse os tecidos, os materiais que existem hoje, o parapente, a asa-delta e tudo isso já existiriam desde 1400 e tanto. Ou seja, por haver matado gente durante três séculos não significa que a aeronáutica seja uma porcaria”, declarou.

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