O rock virou uma coisa de velho reacionário, diz Rodrigo Lima da banda Dead Fish
Em entrevista, o vocalista da banda Dead Fish, Rodrigo Lima, reverenciou a geração punk dos anos 1980, mas detonou a atual: “hoje, com o punk e o rock tendo envelhecido tão mal, eu tenho botado muito mais as minhas fichas nessa juventude que ouve rap”. Assista
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247 - Convidado do canal de Eduardo Moreira, do Instituto Conhecimento Liberta, o vocalista e líder da banda de hardcore Dead Fish, Rodrigo Lima, afirmou, durante o bate-papo online, que o movimento punk foi seu verdadeiro formador de opinião e identidade. “Hoje, eu vejo que o punk foi muito mais importante para mim, como indivíduo, do que a faculdade de Direito que cursei na Universidade Federal do Espírito Santo. Aprendi muito com esse caldo de caos de diferenças de opinião, mas que tudo acabava se resolvendo. Era a micro-política porque o punk é um microcosmo muito pequeno”, disse.
Para o líder do Dead Fish, o punk seria uma alternativa às massas do Brasil. “Os mais diversos pontos de vista são fontes de escolhas de pautas e lutas dentro do movimento. Por eles, escolhemos cenários e formas de luta”, pontuou.
Sobre a influência da geração dos anos 1980, Lima diz que quando o Dead Fish começou nos anos 1990, eles queriam “fazer alguma coisa mais ou menos parecida, mas com um pouco mais de melodia”. Porém, a decepção é enorme com o que há atualmente.
“Agora, nos anos 10 do século XXI, a gente viu o rock dar uma envelhecida num nível tosco, o rock virou uma coisa de velho reacionário que comprou Harley-Davidson em 70 vezes. É o nosso trampo, mesmo eu sendo mais velho, é o trampo do (João) Gordo, mesmo ele sendo mais velho, é o trampo do Jão (ambos do Ratos do Porão), mesmo ele sendo mais velho, manter essa característica. O rock é uma coisa questionadora, rebelde, e até em algum nível - tenho muitos amigos anarquistas, tenho muitos amigos comunistas que estão inseridos dentro do punk - é uma questão revolucionária também. Sempre houve essa discussão internamente, uma discussão de alto nível. Até a gente chegar nesse nível esquerda/direita, de culpabilizar as esquerdas. Inclusive um dos meus grandes amigos de infância, que foi meu chefe, ele era punk nos anos 1980, em São Paulo, chegou a ser ‘Careca’ durante um tempo e andou para frente, mudou. Mas o punk está dentro dele. Ele é um cara que ama justiça social, é contra o racismo, aprendi muito com ele, e hoje é um advogado conhecido em São Paulo. Mas sempre existiu essa raiva adolescente.”
Sobre o futuro, Rodrigo vê esperança na juventude do rap. “Hoje, com o punk e o rock tendo envelhecido tão mal, eu tenho botado muito mais as minhas fichas nessa juventude ‘rapera’, que ouve rap e que tem uma estrutura étnica por trás, que é a negritude, a história da diáspora dos caras”, afirmou.
Veja a entrevista na íntegra:
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