Na ABL, FHC diz que falta "alma democrática" no Brasil

Ex-presidente ocupa cadeira n°36 sob olhares dos colegas de PSDB, como Geraldo Alckmin, Aécio Neves e José Serra. Também estiveram presentes o ministro do STF Marco Aurélio Melo e o cantor Gilberto Gil. Com homenagem a Ruth Cardoso, ele diz que “nossa cultura de favores e privilégios, de retraimento da responsabilidade pessoal e atribuição de culpa aos outros, principalmente ao governo e às coletividades, desobriga o cidadão a fazer sua parte, a sentir-se comprometido"

RIO DE JANEIRO, RJ - 10.09.2013: FHC/POSSE/ABL - Posse do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Academia Brasileira de Letras, no Rio, nesta terça-feira. O sociólogo foi eleito para ocupar a cadeira nº. 36, sucedendo ao jornalista João de Scantimburg
RIO DE JANEIRO, RJ - 10.09.2013: FHC/POSSE/ABL - Posse do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Academia Brasileira de Letras, no Rio, nesta terça-feira. O sociólogo foi eleito para ocupar a cadeira nº. 36, sucedendo ao jornalista João de Scantimburg (Foto: Roberta Namour)


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247 - Na cerimônia de posse na Academia Brasileira de Letras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou de sua mulher Ruth, falecida em 2008, e falou de carências da democracia em discurso.

"Desenvolvimento, demoracia, liberdade e igualdade eram e continuam a ser nossa obsessão. A esses objetivos dediquei meus esforços como intelectual e tentei alcançá-los em minha prática política", disse.

"A Ruth me ensinou muita coisa. Por exemplo, esses movimentos que a gente tem visto nas ruas, ou quando eu fui há 10 dias na (favela) da Maré (zona norte do Rio). Não é surpresa para mim, porque foi algo que a Ruth sempre me passou, ela tinha a mente mais aberta que a minha e me ajudou a ser menos acadêmico. Ela sempre foi mais voltada para as coisas concretas, é o que eu tento ser", explicou.

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Segundo ele, houveram avanços nas últimas décadas, mas afirmou que ainda falta "alma democrática" aos cidadãos: "Nossa cultura de favores e privilégios, de retraimento da responsabilidade pessoal e atribuição de culpa aos outros, principalmente ao governo e às coletividades, desobriga o cidadão a fazer sua parte, a sentir-se comprometido".

FHC fez referência aos protestos de junho. "A ampliação da democracia e da liberdade de informação choca-se com as insuficiências da República. À inadequação das instituições acrescenta-se sua desmoralização, agravada por episódios de corrupção. Esboça-se entre nós, como em outros países, uma crise da democracia representativa."

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Vários políticos acompanharam a posse de FHC na ABL, entre eles, os colegas de PSDB Geraldo Alckmin - governador de São Paulo -, Aécio Neves, senador mineiro e presidente da sigla, José Serra, ex-governador de São Paulo, e Tasso Jereissati, ex-senador. Também estiveram presentes o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Melo, o cantor Gilberto Gil e muitos acadêmicos.

Leia relato de sua posse da Agência Brasil:

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Cristina Indio do Brasil
Rio de Janeiro - O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso toma posse neste momento como membro da Academia Brasileira Letras (ABL), no centro da capital fluminense. A cerimônia ocorre no Salão Nobre do Petit Trianon. Ele vai ocupar a cadeira 36 que ficou vaga com a morte do jornalista João Scantimburgo, em 22 de março deste ano.

Fernando Henrique é o terceiro ex-governante do Brasil eleito para ABL. Em 1941, Getúlio Vargas assumiu a cadeira 37 e, em 1980, José Sarney tomou posse da cadeira 38. Na eleição foram 24 votos de acadêmicos presentes à sede da academia, no centro do Rio, e 14 por carta. Houve ainda uma abstenção. Fernando Henrique recebeu 34 dos 39 votos possíveis e concorreu com dez escritores.

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O ex-ministro Celso Lafer, que ocupa a cadeira 14, e vai fazer a saudação ao novo imoral da academia. Ele disse à Agência Brasil que falará de sua amizade com Fernando Henrique. “Tenho uma amizade com ele de mais de 40 anos. Vou falar do que significa a amizade e o que representa a obra dele", declarou.

Fernando Henrique foi presidente da República por dois mandatos sucessivos, de 1995 a 2002. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1931, é doutor em sociologia e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP). Fora do país foi também professor em universidades como Stanford, Berkeley e Brown, nos Estados Unidos; Cambridge, no Reino Unido; Paris-Nanterre e Collège de France, na França, e Ipes/Cepal, em Santiago do Chile.

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Com sua atuação política teve os direitos políticos cassados em 1964 pelo regime militar e exilou-se na Europa e no Chile. Quando voltou ao Brasil ingressou no então MDB e foi eleito senador por São Paulo. Em 1988, participou da fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), do qual é presidente de honra. Antes de ocupar a presidência da República, Fernando Henrique foi ministro das Relações Exteriores e da Fazenda no governo Itamar Franco (1992-1994).

O novo membro da ABL é autor ou coautor de livros de sociologia e de análise de sua atuação como político, além de artigos acadêmicos. Uma de suas obras, Dependência e Desenvolvimento, escrita em coautoria com Enzo Falletto, publicada originalmente em espanhol, em 1969, é considerada marco nos estudos sobre a teoria do desenvolvimento. O livro teve dezenas de edições, em 16 idiomas.

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O último livro, lançado em junho deste ano, Pensadores que Inventaram o Brasil, revê textos de autores como Florestan Fernandes, Celso Furtado, Gilberto Freyre. Os temas tratam de democracia, de desenvolvimento econômico e de promoção da justiça social, entre outros.

Edição: Aécio Amado

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