Marta quer CEUs no exterior para projetar Brasil
Ministra da Cultura defende investimentos internacionais baseados no conceito do "Soft power", que denota a capacidade de um país de influenciar e persuadir por meio de seu poder de inspiração e atração, em vez de militar
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247 – A ministra da Cultura, Marta Suplicy, quer levar a bandeira de sua gestão na prefeitura de São Paulo para o exterior. Em entrevista à Folha, ela diz que pretende construir CEUs das Artes internacionais e que o investimento do governo na Feira Internacional do Livro de Frankfurt (R$ 18,9 milhões), em setembro, não é muito quando visto pelo prisma do "soft power".
"Soft power" (poder "suave", em tradução livre) é um conceito das relações internacionais --criado por Joseph Nye, cientista político de Harvard-- que denota a capacidade de um país de influenciar e persuadir por meio de seu poder de inspiração e atração, em vez de militar.
Leia trechos:
O que esperar de palpável do investimento do MinC nessa direção?
É algo tão palpável como Hollywood foi para os Estados Unidos. Os países que entenderam isso criaram institutos para divulgar sua cultura pelo mundo. A China tem mais de mil institutos Confúcio. O Instituto Goethe está no mundo inteiro. A identidade brasileira já tem uma marca. E o ministério se esforça para expandir essa marca.
MinC pretende criar CEUs das Artes no exterior também?
Sim. O de Portugal vai ser o primeiro. Foi alugado um espaço enorme para o ano do Brasil em Portugal [encerrado na semana passada] e estamos avaliando as possibilidades com o Itamaraty. Aí não precisamos investir tanto. Outro deve ser em Londres, na entrada da embaixada do Brasil. Agora estamos vendo a programação.
Como está a construção desses CEUs das Artes no Brasil?
Vamos inaugurar cem neste ano. Estamos capacitando os gestores que vão atuar nesses locais. Até agora, inaugurei um no Paraná. Os outros estão sendo erguidos em ritmos diferentes. Cada um desses aparelhos custa R$ 1,65 milhão.
O MinC vai investir R$ 18,9 milhões na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, evento em que o Brasil é homenageado. Não é muito dinheiro?
A Argentina investiu R$ 20 milhões em 2010. A Catalunha, R$ 39 milhões em 2007. A Índia, R$ 12 milhões em 2006. Depende de que país você fala e do quanto quer aparecer. É uma média razoável porque temos de representar o Brasil da melhor forma possível. Isso é "soft power".
O novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Renato Lessa, criticou o fato de a projeção internacional da nossa literatura estar sendo bancada por verbas públicas.
Não vou comentar o que já está. Se, numa próxima oportunidade, não precisar ser assim, vai depender da avaliação dessa experiência. Pode ter sido um gasto desnecessário, um erro. Imagino que não, mas pode ser.
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