Em artigo, Breno Altman e Jones Manoel criticam 'falsificação do debate' sobre Caetano e Losurdo
O historiador Jones Manoel e o jornalista Breno Altman afirmam que há distorções sobre declarações do músico Caetano Veloso acerca do socialismo e das reflexões do filósofo italiano Domenico Losurdo, já falecido. "O grande pecado de Caetano Veloso foi lembrar da história real", dizem
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247 - Em análise publicada no Le Monde Diplomatique, o historiador Jones Manoel e o jornalista Breno Altman recordaram a entrevista de Caetano Veloso ao 'Conversa com Bial', no dia 4 de setembro, em que o músico não ter mais uma "perspectiva apenas negativa das experiências socialistas". "Citou, como motivação para sua mudança de leitura acerca do socialismo real e do liberalismo (ficou menos 'liberaloide', nas suas palavras), a produção de um dos autores deste artigo e, particularmente, as reflexões do italiano Domenico Losurdo, filósofo falecido em 2018", destacaram os autores do texto.
De acordo com Jones e Altman, "essa declaração de Caetano foi suficiente para abrir uma temporada de choro e ranger de dentes". "Não falou da União Soviética ou Stálin, mas as redes sociais foram tomadas por uma avalanche de comentários… sobre stalinismo. Raras foram as intervenções que abordaram a revisão crítica do cantor sobre o liberalismo, ligando-o à escravidão e ao colonialismo, muito menos sobre o pensamento de Losurdo", acrescentaram.
O historiador e o jornalista alertaram que o músico "é acusado de 'neostalinista', sem uma definição do que significaria esse termo ou porque se justificaria a aplicação desse rótulo ao cantor, muito menos a Domenico Losurdo".
"Afinal, qual é o argumento básico do filosofo italiano? Ele considera que o liberalismo, embora represente um avanço civilizatório vis a vis o feudalismo e a sociedade de castas, sempre embutiu cláusulas de exclusão contra a classe trabalhadora e os povos colonizados, contra mulheres e negros, configurando-se como uma defesa da liberdade, da limitação do poder e dos direitos naturais como garantias circunscritas à 'comunidade dos livres': homens, brancos e proprietários dos meios de produção", disse.
Segundo os autores do texto, "o grande pecado de Caetano Veloso foi lembrar da história real". "Quando o músico comenta que a metrópole do mundo capitalista demoniza o Irã, mas deita na cama com a Arábia Saudita, a pergunta que devíamos fazer é: o discurso de oposição ao Irã é mesmo em defesa da democracia e dos direitos humanos? Esse tipo de raciocínio, elementar e factual, é banido pelos nossos “pluralistas” defensores do pensamento único".
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