Dora: Roberto trocou “censura” por “acordo”

Colunista do Estadão escreve que, em sua entrevista ao Fantástico, o cantor Roberto Carlos "deixou intacto o conceito de obrigatoriedade de autorização" de biografias, trocando apenas a palavra "censura" por "acordo" antes da publicação

Colunista do Estadão escreve que, em sua entrevista ao Fantástico, o cantor Roberto Carlos "deixou intacto o conceito de obrigatoriedade de autorização" de biografias, trocando apenas a palavra "censura" por "acordo" antes da publicação
Colunista do Estadão escreve que, em sua entrevista ao Fantástico, o cantor Roberto Carlos "deixou intacto o conceito de obrigatoriedade de autorização" de biografias, trocando apenas a palavra "censura" por "acordo" antes da publicação (Foto: Gisele Federicce)


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247 - Ao tentar melhorar sua imagem em meio à polêmica das biografias, depois de semanas de silêncio, o cantor Roberto Carlos foi falar ao programa Fantástico, da TV Globo. A visão da colunista Dora Kramer é a de que ele apenas trocou a palavra "censura" por "acordo", deixando "intacto o conceito de obrigatoriedade de autorização". O Rei também usou as palavras "conversa e ajustes", por exemplo. Leia abaixo nota intitulada "Dá no mesmo", publicada na coluna de Dora no Estadão:

Dá no mesmo
Roberto Carlos tenta se penitenciar da fria a que levou seus colegas a entrar (porque quiseram) na questão das biografias: ofereceu suporte legal de primeira – e caríssima – linha ao grupo Procure Saber e deu entrevista ao Fantástico depois de semanas de silêncio. Disse que é a favor de biografias não autorizadas. Mediante, entretanto, um "acordo prévio". É de se supor que com os autores e/ou editoras sobre o conteúdo do que seria publicado. De onde trocou "censura" por "acordo" e deixou intacto o conceito de obrigatoriedade de autorização.

E ainda alguns trechos da entrevista, feita pela jornalista Renata Vasconcelos:

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Renata: Contra calúnia, difamação, o caminho da Justiça não basta? Não cabem processos, pedidos de indenização?
Roberto Carlos: É. Só que o resultado vem um pouco tardio. Depois que todo mundo já leu, já viu na internet. Alguns já compraram até os livros, aqueles que foram colocados à venda. Isso não funciona muito não.
Renata: As pessoas não podem julgar pelo critério próprio se vale a pena dar respaldo para o que está escrito ou não? Deixar as pessoas avaliarem?
Roberto Carlos: Não. Nesse caso, não.
Renata: Qual seria o caminho, então?
Roberto Carlos: Conversar, discutir. Chegar a uma conclusão que seja mais razoável pra todo mundo.
Para ele, o ideal seria não proibir ou exigir aprovação prévia, mas sim promover um diálogo entre autores e biografados ou seus representantes. Os "ajustes" que defende, no entanto, não foram detalhados.
Renata: Você hoje é favor das biografias sem autorização prévia?
Roberto Carlos: Sem autorização. Porém, com certos ajustes.
Renata: Que ajustes seriam esses?
Roberto Carlos: Isso aí tem que se discutir. São muitas coisas. Tem que haver um equilíbrio e alguns ajustes para que essa lei não venha a prejudicar nem um lado, nem outro. Nem o lado do biografado, nem o lado do biógrafo. E que não fira a liberdade de expressão e o direito à privacidade.
Renata: Você permitiria a biografia que foi feita a seu respeito há alguns anos?
Roberto Carlos: Isso tem que ser discutido.

"O biógrafo também pesquisa uma história que está feita. Que está feita pelo biografado. Então ele, na verdade, não cria uma história. Ele faz um trabalho e narra aquela história que não é dele. Que é do biografado. E, partir do que escreve, ele passa a ser dono da história. E isso não é certo. Isso, na minha opinião, não é justo", concluiu o cantor.

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