Clarice Falcão ataca também no cinema

Em "Eu Não Faço a Menor Ideia...", Clarice Falcão, que faz sucesso no Porta dos Fundos, encarna estudante desorientada; a personagem acaba de entrar numa faculdade de medicina mas, como aponta o título, não sabe direito o que quer da vida

Em "Eu Não Faço a Menor Ideia...", Clarice Falcão, que faz sucesso no Porta dos Fundos, encarna estudante desorientada; a personagem acaba de entrar numa faculdade de medicina mas, como aponta o título, não sabe direito o que quer da vida
Em "Eu Não Faço a Menor Ideia...", Clarice Falcão, que faz sucesso no Porta dos Fundos, encarna estudante desorientada; a personagem acaba de entrar numa faculdade de medicina mas, como aponta o título, não sabe direito o que quer da vida (Foto: Leonardo Attuch)


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SÃO PAULO, 19 Dez (Reuters) - Se os Ursinhos Carinhosos resolvessem dirigir um filme, seria algo bem parecido com "Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida", título quilométrico do segundo longa de Matheus Souza ("Apenas o Fim"). Ao centro do filme está Clara, interpretada por Clarice Falcão, atriz-cantora-comediante que ficou famosa com vídeos humorísticos na internet.

A personagem acaba de entrar numa faculdade de medicina mas, como aponta o título, não sabe direito o que quer da vida. Logo no primeiro dia do curso, mata aula e vai para um boliche, onde conhece Guilherme (Rodrigo Pandolfo), filho do dono e contratado para induzir os clientes solitários a consumir mais.

Souza, que também assina o roteiro, faz no longa um estudo de personagem, uma jovem de perfil indie, fofa e engraçadinha que, por não saber o que fazer da vida, apenas vaga de um lado para outro, tentando matar o tempo. Ela não gosta de medicina, e parece só ter escolhido esse curso porque todos seus parentes têm profissões ligadas à saúde. Aparentemente, Clara é um gênio, pois entrou na faculdade sem muito esforço - mas, se o for, é um gênio infantilizado. Guilherme, por sua vez, é tão indie e fofo quanto ela e promete ajudá-la a descobrir sua verdadeira vocação.

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Eles começam, então, uma brincadeira. Ela deve imaginar qual é, no fundo, a verdadeira função de uma profissão e, a partir daí, fazer algo parecido para ver se realmente quer trabalhar na área. Por exemplo, medicina consiste em ajudar as pessoas, então, ela deve sair por aí ajudando; ou direito, que, para os personagens, consiste em mentir, então, ela toda noite conta uma mentira para os pais.

Em seu primeiro longa, "Apenas o fim", Souza fez um retrato melancólico do fim de um romance juvenil e o rito de passagem para a vida adulta. E, apesar do excesso de piadas internas sobre cultura pop e afins, havia algo de honesto ali, algo de mágico e perspicaz. Diante de "Eu não faço a menor ideia...", o outro filme parece ter sido sorte de principiante, pois tudo que havia de qualidade ali aqui se dissolve num falatório sem propósito. Até o humor é óbvio - os tios, por exemplo, têm perfis parecidos com a sua especialidade, por exemplo, o pediatra (Leandro Hassum) é infantilóide, o cardiologista (Augusto Madeira) está com o coração partido, e até o nutricionista (Gregorio Duvivier) é guloso.

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Clara e Guilherme habitam um mundo pautado pelo consumismo - possuem diversas bugigangas tecnológicas de grife, e a faculdade dela fica dentro de um shopping. Mas a partir daí supor que o longa faça uma crítica a uma geração vazia que só quando consome consegue sentir alguma coisa, é dar mais crédito do que o filme merece.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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