Cauby e Mario Lago são destaques em Festival do Rio

Vitrine anual da produção recente do cinema brasileiro, a Première Brasil traz em sua programação nesta edição do Festival do Rio dois documentários que abordam importantes artistas da música popular brasileira: Mario Lago, de Marco Abujamra e Markão de Oliveira, e Cauby – Começaria Tudo Outra Vez, filme do cineasta Nelson Hoineff

Vitrine anual da produção recente do cinema brasileiro, a Première Brasil traz em sua programação nesta edição do Festival do Rio dois documentários que abordam importantes artistas da música popular brasileira: Mario Lago, de Marco Abujamra e Markão de Oliveira, e Cauby – Começaria Tudo Outra Vez, filme do cineasta Nelson Hoineff
Vitrine anual da produção recente do cinema brasileiro, a Première Brasil traz em sua programação nesta edição do Festival do Rio dois documentários que abordam importantes artistas da música popular brasileira: Mario Lago, de Marco Abujamra e Markão de Oliveira, e Cauby – Começaria Tudo Outra Vez, filme do cineasta Nelson Hoineff (Foto: Leonardo Attuch)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Vitrine anual da produção recente do cinema brasileiro, a Première Brasil traz em sua programação nesta edição do Festival do Rio dois documentários que abordam importantes artistas da música popular brasileira que tiveram profunda ligação com a história da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Mario Lago, de Marco Abujamra e Markão de Oliveira, teve sua pré-estreia nacional ontem no Cine Odeon Petrobras. Hoje (6), às 19h15, no mesmo cinema, será a vez da sessão de gala de Cauby – Começaria Tudo Outra Vez, filme do cineasta Nelson Hoineff.

Selecionado para a mostra Retratos, da Première Brasil, o filme de Abujamra e Oliveira é uma cinebiografia de Mario Lago (1911-2002), compositor, ator, radialista, autor teatral e também militante político. Com vasto material de arquivo, incluindo algumas raridades, o documentário leva o espectador a um passeio de 96 minutos pela vida de Lago, conduzido pelo próprio artista.

continua após o anúncio

“O mais difícil foi escolher o que ia ficar de fora, entre as cenas incríveis que reunimos”, conta o diretor Markão de Oliveira. Entre as imagens raras, o documentário resgata o conjunto vocal norte-americano Andrews Sisters cantando a marcha carnavalesca Aurora, composta por Mario Lago e Roberto Roberti, no filme Hold that Ghost, de 1941.

Entre os depoimentos, destaca-se o do ator Lima Duarte, que conta o início da amizade entre os dois na Rádio Tupi e a convivência de ambos nos tempos de boêmia. O documentário tem cenas rodadas no estúdio de radioteatro da Rádio Nacional, no antigo prédio da emissora, na Praça Mauá, com depoimentos dos radialistas Daisy Lucidi e Gerdal dos Santos, contemporâneos de Mário Lago na fase áurea da emissora.

continua após o anúncio

Os 25 anos de carreira de Lago na televisão são retratados com cenas das novelas em que ele atuou. A participação do ator no cinema, em filmes como Terra em Transe, de Glauber Rocha, também não foi esquecida.

“Nos quisemos traçar um painel de toda a trajetória dele, mas tivemos que sacrificar muita coisa para não prejudicar o ritmo do filme. Conseguir passar para a tela tudo o que Mario Lago representou foi um grande desafio”, diz Markão, diretor e fotógrafo que tem vários documentários em seu currículo, entre eles A Vida É um Sopro (2007), sobre Oscar Niemeyer. 

continua após o anúncio

Militante comunista, Mário Lago foi preso sete vezes por motivos políticos e teve seus direitos políticos cassados pela ditadura militar. De acordo com o diretor, o documentário procurou ressaltar a coexistência do militante com o boêmio na personalidade do artista. “Ele era militante com muita firmeza e ao mesmo tempo um bon vivant, que vivia intensamente a vida do Rio de Janeiro.Esta foi uma faceta muito interessante do Mario Lago”, destaca Markão de Oliveira. 

Versões de poesias de Lago musicadas por Lenine e Arnaldo Antunes completam o filme. Mario Lago terá mais duas exibições no festival, no domingo (6), às 16h, no Ponto Cine, em Guadalupe, zona norte do Rio, e na segunda-feira (7), às 14h, no Oi Futuro Ipanema, na zona sul. Segundo o diretor, deverá chegar às salas de exibição no próximo

continua após o anúncio

Um dos quatro documentários de longa-metragem selecionados para a categoria “hors-concours” da Première Brasil, Cauby – Começaria Tudo Outra Vez, retrata um personagem que, com mais de 80 anos, continua em plena atividade e mantém inalterado sua voz e seu carisma. Cauby Peixoto é o último expoente de uma geração de grandes cantores revelados nos anos 40 e 50, a era de ouro do rádio brasileiro.

A ideia de levar para o cinema a trajetória desse que é considerado por muitos colegas de profissão o maior cantor brasileiro de todos os tempos foi do próprio diretor Nelson Hoineff, cineasta que tem se destacado por seus documentários sobre personalidades controversas, como Santos Dumont, Chacrinha e Paulo Francis. “Comecei a pensar no filme há muitos anos, quando assisti a um show de Cauby aqui no Rio. Demorei a fazer o filme, foi uma negociação lenta”, conta Hoineff.

continua após o anúncio

Ao longo de 90 minutos, o filme procura desvendar a lenda Cauby, um artista que desafia o tempo e faz de sua carreira um constante recomeço. Há mais de dez anos vivendo em São Paulo, Cauby Peixoto se apresenta regularmente, às segundas-feiras, no Bar Brahma, no centro da capital paulista. “Os shows estão sempre repletos, com um público que vai desde octogenários a uma garotada de 20 e poucos anos”, diz o cineasta.

A idolatria que cercava o cantor nos anos dourados da Rádio Nacional é um dos destaques do filme. O cerco das fãs, que chegavam a rasgar as roupas de Cauby,  era incentivado pelo empresário do cantor, Di Veras.

continua após o anúncio

“Ele inventava coisas como vestir o Cauby com um terno só parcialmente costurado para facilitar as fãs rasgarem a roupa. O Di Veras de certa forma inventou o mito Cauby. Botar aquelas moças todas gritando o nome dele, agarrando. O Cauby é um talento sem paralelo, mas esse talento precisou de uma ajuda demarketing muito forte e o Di Veras foi o grande propulsor disso”, conta Hoineff.

Na visão do diretor, foi justamente esse marketing o que faltou para Cauby, em sua tentativa de uma carreira internacional nos Estados Unidos, no fim da década de 50, com o nome artístico de Ron Coby. “O filme tem vários depoimentos de pessoas sobre os motivos que levaram o cantor a não ter o sucesso esperado no exterior”, diz.

continua após o anúncio

Para Hoineff, Cauby Peixoto é um profissional singular e um personagem enigmático. “Ele se dedica 24 horas por dia à sua arte. A qualquer momento em que você vai na casa dele, ele está estudando música como se fosse um iniciante. É também muito rígido em seus horários e hábitos.Não bebe nem uma gota de vinho, tem uma alimentação toda balanceada”, observa.

Depois da pré-estreia “Cauby – Começaria tudo outra vez” terá mais duas exibições no festival, na terça-feira (8), às 16h, no Ponto Cine, em Guadalupe, zona norte, e na quarta-feira (9), às 1h, no Oi Futuro Ipanema, na zona sul. Depois, será levado a outros festivais de cinema, antes de começar sua carreira comercial nas salas de exibição de todo o país.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247