"O que chama a atenção em 'O Jogo da Imitação' são duas coisas: o temperamento de Alan Turing e sua orientação sexual. Nos registros mais fidedignos de sua biografia ele era abertamente homossexual e uma pessoa dócil - diferente do que traz na atuação de Benedict Cumberbatch, indicado ao Oscar. Vale a pena ter olhos para estes detalhes", diz Rafael Samways, em sua coluna sobre os destaques da cena cultural
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Atualizado em 5 de July de 2018, 12:21
"O que chama a atenção em 'O Jogo da Imitação' são duas coisas: o temperamento de Alan Turing e sua orientação sexual. Nos registros mais fidedignos de sua biografia ele era abertamente homossexual e uma pessoa dócil - diferente do que traz na atuação de Benedict Cumberbatch, indicado ao Oscar. Vale a pena ter olhos para estes detalhes", diz Rafael Samways, em sua coluna sobre os destaques da cena cultural (Foto: Leonardo Attuch)
Nas últimas semana o burburinho está em torno de American Sniper. Clint Eastwood mais uma vez dá show assinando este filme. A história é real. Trata-se de uma biografia do Chris Kyle - um dos homens que mais matou no oriente médio, servindo o Tio Sam. No livro/roteiro fica claro nossa inversão de valores. Acabamos por torcer para (um assassino?) anti-herói, só que verídico. Não um Rambo - que a cada tiro consegue acertar “dois inimigos” e caímos na gargalhada. No caso de Kyle (Bradley Cooper indicado ao Oscar) são mais de 150 pessoas que morreram com seus tiros precisos na dura realidade do oriente médio. De crianças até mercenários talibãs, um-a-um cai na trama biográfica. Discussão sobre direitos humanos e política? Deixo pro Sakamoto :P
Nesta semana entra em cartaz nos cinemas brasileiros outra biografia. No caso, do Alan Turing , em o Jogo da Imitação. O filme está cotado para alguma das estatuetas de Hollywood. No entanto, pelo que pude ver e comparar com a história real do matemático, noto que a trama foi amenizada, e talvez, um pouco deturpada. Claro: os feitos de Turing para a engenharia de computação e matemática nos permitem usar os computadores e todas as plataformas digitais como conhecemos hoje. O que chama a atenção são duas coisas: o temperamento de Alan Turing e sua orientação sexual. Nos registros mais fidedignos de sua biografia ele era abertamente homossexual e uma pessoa dócil - diferente do que traz na atuação de Benedict Cumberbatch, indicado ao Oscar. Vale a pena ter olhos para estes detalhes.
Nota: parece que os lançamentos estão calcado em cinebiografias. Repararam?
As indicações do Oscar estão aí, já dispostas e bastante comentadas, porém a notícia da semana foi a premiação de Sundance (Premiação para filmes independentes nos EUA). Conseguimos um grande prêmio para a indústria cinematográfica brasileira na obra "Que Horas Ela Volta", dirigido por Anna Muylaert. Tenho minhas ressalvas quanto ao tema de miséria explorado no eixo internacional. Não cheguei a ver a película estrelada por Regina Casé e Camila Márdila (dividiram o prêmio como melhor atriz). Entretanto, reluto quando o assunto são as mazelas brasileiras. Temos tanto de belo pra mostrar… Por que não explorar isto?
Já nos embalos do controle remoto, antes de dormir, revi os 12 Macacos. Não lembrava que o filme era tão bom. Não discuto aqui a fotografia, a atuação do Bruce Willis e Brad Pitt, nem a direção de arte (Steampunk). Falo da estória em si. O enredo promove as “píras” mas eloquentes dos “Matrix da vida.” Questões como livre-arbítrio, passado e futuro se misturam e provocam nosso raciocínio associando com temas como sustentabilidade e ecologia. Viva os 12 macacos!
No MP3
Quem tiver acima de 35, ou for entusiasta de musica dos anos 80, vai lembrar da Annie Lennox e sua ex-banda: o Eurythmics. Nos walkmans e nas rádios, canções como Angel e Sweet Dreams estavam no topo entre 83 e 90. Para meu espanto, fui dar uma fuçada nas músicas mais ouvidas na cena B. Encontrei uma tal de Kaleida que me lembrou demais a Annie em seus vocais unidos a teclados em tons mais graves. Vale a pena conhecer: http://youtu.be/HkhSZyYmpO4
Já na cena brasileira o que mais tem pontuado no eixo “hypster/barbudo/alternativo” é a cantora Tiê. Impressiona sua história: de modelo da Ford Models, passando pelo Pato-Fu, à uma das interpretes mais aclamadas pela critica. Vale conhecer o trabalho dela e aumentar o volume: http://youtu.be/1Ngn3fZIK2E
No confessionário
Vi em sequência os últimos lançamentos da franquia Marvel: Capitão América (2), Homem de Ferro (3), os Vingadores (Avengers) e para arrematar estou acompanhando: S.H.I.E.L.D (a série água com açúcar pra ser vista babando antes de dormir). O que chamo atenção aqui é a capacidade das produções se interligarem sem deixar nenhuma ponta solta. Normalmente, neste tipo de roteiro sempre fica alguma coisa de fora. Porém, pelo que vi, nada foi esquecido na junção de cada uma das tramas. Há algumas perguntas que ficam para os próximos episódios. Mas, nada fica solto entre os filmes/série. Quem tiver tempo (e gostar de HQs) vale a maratona em assistí-los na sequência. Sugiro que comesse pela ordem de lançamento dos filmes e esbanje pipoca com guaraná.
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