Autores condenam censura prévia na Carta de Fortaleza

Documento, obtido em primeira mão pelo Brasil 247, manifesta apoio irrestrito a Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada no STF pela Associação Nacional dos Editores de Livros e que pede a constitucionalidade da publicação de biografias não autorizadas; polêmica envolveu artistas do calibre de Roberto Carlos, Caetano Veloso e Chico Buarque; texto assevera que a necessidade de autorização prévia converteu-se no Brasil em “constrangimento e impedimento” à produção não apenas de obras literárias

Documento, obtido em primeira mão pelo Brasil 247, manifesta apoio irrestrito a Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada no STF pela Associação Nacional dos Editores de Livros e que pede a constitucionalidade da publicação de biografias não autorizadas; polêmica envolveu artistas do calibre de Roberto Carlos, Caetano Veloso e Chico Buarque; texto assevera que a necessidade de autorização prévia converteu-se no Brasil em “constrangimento e impedimento” à produção não apenas de obras literárias
Documento, obtido em primeira mão pelo Brasil 247, manifesta apoio irrestrito a Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada no STF pela Associação Nacional dos Editores de Livros e que pede a constitucionalidade da publicação de biografias não autorizadas; polêmica envolveu artistas do calibre de Roberto Carlos, Caetano Veloso e Chico Buarque; texto assevera que a necessidade de autorização prévia converteu-se no Brasil em “constrangimento e impedimento” à produção não apenas de obras literárias (Foto: Valter Lima)


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Brasil 247 - Reunidos no Ceará desde a última quinta-feira (14) para o 1º Festival de Biografias, escritores de todo o Brasil vão ler nas próximas horas a Carta de Fortaleza, um manifesto que defende total liberdade ao autores do gênero. O texto, obtido em primeiríssima mão pelo Brasil 247, manifesta apoio irrestrito à Ação Direta de Inconstitucionalidade dos artigos 20 e 21 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), ajuizada no STF pela Associação Nacional dos Editores de Livros, e ao projeto de lei 393/2011, de autoria do deputado federal Newton Lima, que pretendem abolir a censura prévia imposta a biografias.

A carta, uma reposta a artistas que tentam impedir a publicação de biografias não autorizadas, é assinada por escritos dos quilates de Fernando Morais, Guilherme Fiuza, Humberto Werneck, João Máximo, Ruy Castro, Josélia Aguiar e Lira Neto, que fará a leitura do documento.

O texto assevera que “a necessidade de autorização prévia converteu-se no Brasil em constrangimento e impedimento à produção não apenas de biografias, mas de qualquer trabalho de não ficção que trate de política, artes, esportes e outros aspectos da vida nacional.” A carta termina com uma manifestação de confiança dos escritores “no espírito democrático e republicano dos congressistas do Brasil e dos ministros do Supremo Tribunal Federal”.

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O festival de biografias de Fortaleza, que se encerra neste domingo (17), contou com debates diários e sessões de autógrafos, exibição de filmes, exposição, apresentações musicais e uma pequena feira de livros. A curadoria é do jornalista Mário Magalhães, ganhador do Prêmio Jabuti 2014 de melhor biografia por "Marighella – o Guerrilheiro que Incendiou o Mundo".

Leia o manifesto dos escritores

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Carta de Fortaleza

Os biógrafos reunidos no 1º Festival de Biografias, em Fortaleza, vêm a público manifestar apoio irrestrito à Ação Direta de Inconstitucionalidade dos artigos 20 e 21 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), ajuizada no Supremo Tribunal Federal pela Associação Nacional dos Editores de Livros, e ao projeto de lei 393/2011, de autoria do deputado federal Newton Lima. As duas bem-vindas iniciativas pretendem abolir a censura prévia imposta a biografias e demais manifestações culturais, acadêmicas e jornalísticas.

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A necessidade de autorização prévia converteu-se no Brasil em constrangimento e impedimento à produção não apenas de biografias, mas de qualquer trabalho de não ficção que trate de política, artes, esportes e outros aspectos da vida nacional.
Esse instrumento de censura _os artigos 20 e 21 do Código Civil_ já retirou de circulação ou ergueu obstáculos à difusão de livros, filmes, canções, teses acadêmicas, programas de televisão e obras diversas. São atingidos historiadores, documentaristas, ensaístas e pesquisadores de modo geral, além do jornalismo e, sobretudo, a sociedade brasileira.

A legislação em vigor transformou nosso país na única grande democracia do planeta a consagrar a censura prévia, em evidente afronta aos princípios de liberdade de expressão e direito à informação conquistados com a Constituição Cidadã de 1988.

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Alguém já disse que, antes de virar a página da história, é preciso lê-la. Para ler, pesquisar e narrar, a liberdade é imprescindível.

Nós, que vivemos sob a censura imposta pela ditadura instaurada em 1964, recusamo-nos a aceitar agora formas de cerceamento da livre manifestação de ideias e relatos históricos. O conhecimento da própria história é um direito dos brasileiros.

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Confiamos no espírito democrático e republicano dos congressistas do Brasil e dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Fortaleza, 17 de novembro de 2013

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Fernando Morais
Guilherme Fiuza
Humberto Werneck
João Máximo
Josélia Aguiar
Lira Neto
Lucas Figueiredo
Luiz Fernando Vianna
Mário Magalhães
Paulo César de Araújo
Regina Zappa
Ruy Castro

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