“Problema diplomático” atrapalha vinda de insumos de vacinas para o Brasil, diz Gonzalo Vecina
Ex-presidente da Anvisa, o médico sanitarista prevê que o Brasil conseguirá vacinar 60% de sua população até dezembro de 2021, chegando à imunidade de rebanho. “Graças à Fiocruz e ao Butantan temos um horizonte. O ministério não andou atrás de vacina”. Assista
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247 - Em participação no Pauta Brasil, programa da Fundação Perseu Abramo transmitido pela TV 247, o médico sanitarista, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Gonzalo Vecina afirmou que o Brasil deve agradecer a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan por terem capitaneado a corrida pelas vacinas contra Covid-19 no Brasil.
“Graças à Fiocruz e ao Butantan temos um horizonte no qual há vacina. Se não fossem a Fiocruz e o Butantan não haveria vacina”, falou Vecina, que disse ainda que “o ministério [da Saúde] não andou atrás de vacina. O ministério negou vacina o tempo todo. O Butantan e a Fiocruz, sem ter mandato para fazer isso, foram atrás da vacina e conseguiram acertar duas”.
Ainda que a vacina de Oxford/AstraZeneca, da Fiocruz, tenha uma eficácia maior que a CoronaVac, do Butantan, o médico ressaltou que qualquer um dos dois imunizantes serão úteis e eficientes na proteção da população, desde que se tenha um contingente mínimo vacinado. “Não tem nem melhor e nem pior. A vacina pior é a vacina que eu não cubro 80% da população. Se eu cobrir 80% da população, independente da eficácia, eu vou conseguir o resultado da imunidade coletiva, ou seja, não vai mais haver circulação do vírus”.
Sobre a dificuldade do Brasil de importar insumos farmacêuticos da Índia e, principalmente, da China para a produção das vacinas no país, Vecina afirmou que, além da burocracia chinesa, há um problema diplomático em questão, já que o governo Jair Bolsonaro ataca os chineses gratuitamente no âmbito da política internacional.
“Por que a China está segurando as vacinas lá? É um problema da burocracia lá, mas tem também outros problemas: o 5G da Huawei, o que o filho do Bolsonaro fala todo dia mal dos chineses. Então tem um problema diplomático aí”.
O especialista afirmou, segundo seus próprios cálculos, que o Brasil poderá chegar à imunidade de rebanho em dezembro de 2021, caso o impasse nas tratativas acerca da importação dos insumos seja solucionado rapidamente. “Vamos ter vacina ao longo do ano. Vamos ter a partir de março 30 milhões de doses saindo das duas fábricas. Trinta milhões de doses a partir de março dá 300 milhões de doses até dezembro. Nós temos 160 milhões de pessoas a vacinar, são todos os que têm mais de 18 anos, então precisamos de 320 milhões de doses. Vamos chegar perto. Temos condição de chegar na imunidade de rebanho, se essas coisas se resolverem, em dezembro de 2021”.
O Pauta Brasil, novo programa da Fundação Perseu Abramo, receberá especialistas, lideranças políticas e gestores públicos para discutir os grandes temas da conjuntura política brasileira. Os debates serão realizados às segundas, quartas e sextas-feiras, sempre às 17h, e serão transmitidos ao vivo pela TV 247.
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