Presidente da Associação Médica Mundial condena governo Bolsonaro: "Se tivesse tido conduta sensata teríamos menos mortes"

O médico condenou a falta de especialistas no governo federal, e disse que o Ministério da Saúde atua de maneira "absolutamente subserviente" ao que Bolsonaro propaga

(Foto: Reuters)


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247 - Miguel Roberto Jorge, psiquiatra, professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e presidente da Associação Médica Mundial (AMM), que reúne entidades médicas de 115 países e representa mais de 10 milhões de profissionais da saúde, condenou a gestão da pandemia da Covid-19 pelo governo Bolsonaro.

"Se tivesse tido conduta sensata e alinhada com o que os experts em saúde e profissionais de Medicina, teríamos menos mortes. Essas atitudes fizeram com que mais pessoas se expusessem, se infectassem e morressem", disse, em entrevista ao Estadão. 

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Ontem (2), o Brasil teve seu pior dia da pandemia, tendo registrado 1.726 mortes. O país atingiu o triste recorde enquanto vê hospitais de todas as regiões anunciando lotação de leitos de UTI.

O médico também condenou o Ministério da Saúde e a diplomacia brasileira, que, respectivamente, atua de maneira subserviente aos desejos do presidente sem qualquer embasamento de especialistas e não garantiu doses o suficiente para a população brasileira.

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"Certamente, o fato de que não tínhamos, no Ministério da Saúde, pessoas que pudessem ser consideradas como aquelas que tinham voz e especialidade no assunto. Tudo que o presidente quis foi acabar tendo um ministro absolutamente subserviente ao que ele queria que fosse propagado, como drogas e medicamentos sem nenhum tipo de eficácia comprovada e desrespeitando e até mesmo desqualificando as medidas preventivas. A preocupação foi de ter sempre alguém subserviente e não alguém para trazer efetivamente a orientação e a voz de especialistas no assunto. Temos sanitaristas, infectologistas, imunologistas: são essas as pessoas que deveriam nortear a política do governo. Coisa que não foi feita e que está resultando neste número absurdo de casos e de mortes, que poderiam ser menores", disse.

"Por outro lado, com a palavra dos especialistas, obviamente que a diplomacia brasileira poderia e deveria ter ido atrás de fazer o que muitos países fizeram no sentido de garantir o fornecimento de vacinas quando estivessem aprovadas e disponíveis. Isso não foi feito e estamos vendo, hoje, essa quase realidade de que há um número absolutamente desprezível de vacinas disponíveis no País", completou o médico. 

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Comunidades médicas nacionais e ao redor do mundo vêm se posicionando contra o governo Bolsonaro. No último dia 8, um grupo de profissionais da saúde e cientistas protocolou na Câmara um pedido de impeachment, afirmando que o negacionismo do presidente "implicou (e vem implicando) perda de vidas e prejuízos incomensuráveis, da saúde à economia".

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