Peritos da OMS contestam estratégia de 3ª dose de vacina contra Covid para todos

Segundo os especialistas, a aplicação do reforço em toda a população não é necessária, pois as primeiras doses já seriam suficientemente eficazes contra as formas graves do coronavírus

(Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil)


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Da RFI - Os peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência de Medicamentos norte-americana (FDA na sigla em inglês), divulgaram nesta segunda-feira (13) um parecer no qual contestam a estratégia de administração de uma terceira dose de vacina anticovid. Segundo os especialistas, a aplicação do reforço em toda a população não é necessária, pois as primeiras doses já seriam suficientemente eficazes contra as formas graves do coronavírus, inclusive em casos de contaminação pela variante Delta. 

“Essas vacinas, que são limitadas, salvarão mais vidas se elas forem fornecidas às pessoas que têm um risco maior de desenvolverem uma forma grave (da Covid) e que ainda não foram imunizadas”, declararam os peritos na revista científica The Lancet. “Os dados atuais não mostram a necessidade de doses de reforço da vacina na população, na qual a eficácia contra as formas graves [do vírus] permanece elevada”, completou o grupo, composto por especialistas da OMS, da FDA e de outros organismos de pesquisa internacionais. 

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Os peritos consideram que mesmo se com o tempo uma queda de anticorpos é registrada nas pessoas vacinadas com duas doses, isso não significa que os imunizantes são menos eficazes contra as formas mais graves da Covid-19. Eles explicam que, além dos anticorpos, é necessário levar em conta a chamada “imunidade celular”, ligada aos linfócitos, mesmo se esse tipo de proteção é mais difícil de ser quantificada. Além disso, os cientistas preferem trabalhar com a implementação de doses de reforço concebidas especialmente para combater as variantes mais resistentes que podem surgir no futuro, e não administrar doses suplementares de vacinas já existentes. 

Países pobres saem perdendo com a 3ª dose 

O debate sobre a terceira dose da vacina contra a Covid-19 é intenso no mundo, diante da desigualdade flagrante entre países ricos, onde grande parte da população já está imunizada, e os pobres, onde as campanhas de vacinação ainda estão no início. A OMS já contestou várias vezes o princípio da dose de reforço para toda a população. A organização insiste que, além de não se basear em nenhum critério científico, essa medida negligencia as regiões mais precárias do mundo. 

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Porém alguns países, como França e Israel, já começaram a administrar as doses de reforço para os segmentos da população considerados mais vulneráveis: idosos (seis meses após a segunda dose) e pessoas com o sistema imunológico frágil. Alemanha e Suécia também anunciaram que vão lançar uma campanha de aplicação da 3ª dose.

As novas declarações da OMS são feitas no mesmo dia em que as autoridades francesas iniciaram a administração da terceira dose nos idosos que vivem em casas de repouso. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, lançou pessoalmente a campanha de reforço da imunização e defendeu a estratégia. “Para as pessoas mais vulneráveis, a eficácia da vacina diminui com o tempo”, insistiu o chefe do governo, lembrando que a população das casas de repouso “pagou um preço alto” no início da pandemia, antes da chegada da vacina. 

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Segundo dados oficiais, o vírus matou 26.700 residentes de casas de repouso na França, o que representa quase um quarto do total de mortos no país. Mais de 90% dessa população já recebeu duas doses da vacina. 

Em Israel, a dose de reforço, que já começou a ser aplicada nos mais velhos, deve atingir todos a partir de 12 anos. Já o governo dos Estados Unidos prevê uma campanha de reforço para todos os americanos com doses das vacinas Pfizer e Moderna. 

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