Omitir dados sobre pandemia é "como tapar o sol com a peneira", diz presidente da Transparência Internacional
“Pretender tapar o sol com peneira nunca foi uma medida razoável para os líderes dos países em situações como a que enfrentamos. Acho que é um erro subestimar a população”, disse a presidente da ONG Transparência Internacional, Delia Ferreira Rubio
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247 - A presidente da ONG Transparência Internacional, Delia Ferreira Rubio, disse que a decisão do governo Jair Bolsonaro de suspender a divulgação do total de mortes relacionadas à pandemia do novo coronavírus é como querer “tapar o sol com a peneira”. “A população está vendo o que está acontecendo. Pretender tapar o sol com peneira nunca foi uma medida razoável para os líderes dos países em situações como a que enfrentamos. Acho que é um erro subestimar a população”, disse Delia em entrevista à BBC Brasil.
Segundo ela, “nesta pandemia, do ponto de vista institucional, a informação foi uma das vítimas. Em uma reunião sobre políticas públicas, eu mencionei o caso do Brasil. Acho um assunto muito importante. Primeiro, pelo grave que é que um governo tenha decidido que não daria informação sobre essa questão. E do ponto de vista do controle institucional, o que foi positivo é que existem mecanismos para colocar as coisas em seu lugar. Acho positivo que a medida tenha sido revertida”.
Para a advogada argentina, existe uma discussão populista no debate sobre a economia em meio à pandemia. “A outra discussão, um pouco populista, é o argumento em alguns países de que tudo é a saúde e nada mais que a saúde'. Em outros, o argumento é 'não vamos focar na saúde porque a economia é o principal'. Nas sociedades, os interesses devem ser compatíveis. É preciso dar atenção à saúde e também aos efeitos econômicos, sociais, psicológicos e profissionais”, destacou
“Essa é uma emergência que não é somente sanitária. É também uma emergência econômica. Se um país é parado por 90 dias, é evidente que esse país terá uma forte perda econômica. De forma geral e para cada pessoa. Sejam donos de comércios, sejam empregados, sejam trabalhadores informais como é o caso das economias da América Latina. Ou seja, muitas das respostas dos governos para solucionar os problemas econômicos não chegam ou não são suficientes para o setor informal da economia. A opção não pode ser nunca um extremo ou outro”, afirmou
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