'Não é hora de fazer o almoço do dia das mães', alerta o médico Drauzio Varella
O médico Drauzio Varella reforça a necessidade de evitar aglomerações, independentemente da pessoa ter sido vacinada ou não, para frear o avanço da Covid-19. "O fato de você estar vacinado, não te coloca numa categoria especial de pessoas imunes à transmissão do vírus. Não é hora de fazer o almoço do dia das mães”, disse
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Rede Brasil Atual - O segundo dia das mães desde o início da pandemia do novo coronavírus está aí e a vontade de estar junto das mães, avós, bisavós, é enorme. No entanto, ainda não é hora de fazer o almoço do dia das mães, alerta o médico Drauzio Varella. Em entrevista ao UOL, o oncologista lembra que as pessoas de mais idade se infectam via reuniões familiares, já que não vão a baladas nem aglomeram. “É aí que mora o perigo. Dia das mães vem só meus filhos. Dois filhos e quatro netos em casa”, exemplifica. “E essa pessoa não tem consciência de que ela está promovendo uma aglomeração. Basta uma pessoa infectada para entrar em contato com o vírus. Aqueles que têm possibilidade de fazer almoço ao ar livre, maravilha.”
Drauzio ressalta que também sente pena das mães que não conseguem reunir a família nesses dias. “Chegamos a essa situação no Brasil que é a pessoa chorar de emoção quando toma uma vacina como essa”, diz sobre os avós que comemoram a imunização para poder estar mais perto dos netos que não veem há mais de um ano. O médico, no entanto, alerta. “Infelizmente elas não podem ver os netos. Ou podem ver em situações de extrema segurança. A vacina não vai garantir com certeza absoluta que não vão se infectar com o vírus que receber de um dos netos”, explica, lembrando que o problema desses almoços é que ninguém usa a máscara. “Quem sabe o ano que vem vai dar. Temos de dar orientação clara para a população”, ressalta o médico, criticando a inação do governo federal.
Falta campanha
Já vacinado, o médico destaca que estamos numa fase da pandemia em que fica muito difícil explicar com clareza para as pessoas como elas devem se comportar, apesar de vacinadas. “A vacina não é um salvo conduto nenhum. Estou vacinado, mas vou sair de máscara, não vou aglomerar. Eu vou tentar reduzir ao máximo o risco de entrar em contato com o vírus. E isso tem de ser feito em campanhas de esclarecimento. Campanhas oficiais. Não existe vacinação sem campanha”, crava. “Nós nunca tivemos vacinação no Brasil sem campanhas, é a primeira vez. Estamos aí com 14 meses com a epidemia correndo no Brasil e não houve nenhuma campanha feita pelo governo federal. Nem para explicar qual a necessidade de usar máscara, por exemplo. Essa situação é que acaba gerando essa confusão (de as pessoas acharem que tomaram vacina e assim já podem visitar os netos).”
E lembra a experiência da Aids. “As campanhas deram certo quando se começou a dizer o que pode e o que não pode fazer. Agora estamos numa situação muito semelhante. A vacina é a solução, de fato. Coletivamente, a longo prazo, é. Mas, individualmente, o fato de você estar vacinado, não te coloca numa categoria especial de pessoas imunes à transmissão do vírus. Não é hora de fazer o almoço do dia das mães”, reforça o médico.
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