Médico rebate negacionismo sobre mortes na pandemia: 'eu não estou mentindo nos atestados de óbitos'
"Um amigo em uma rede social escreveu que as prefeituras estavam manipulando a quantidade de mortos. Eu respondi que a prefeitura só faz a estatística com base na declaração de óbito. Eu que preencho a declaração de óbito, eu não estou mentindo", disse o médico Artur Milach
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247 - O médico intensivista Artur Milach rebate a fake news propagada por negacionistas que contestam, sem provas, o número de vítimas da pandemia, apesar de já ter passado um ano.
"No começo da pandemia isso estava me adoecendo e aos meus colegas. A gente olhava e pensava: 'Estou trabalhando feito um louco alucinado, a doença está aí, a gente está vendo crescer. De onde essas pessoas tão dizendo que não tem nada?",relatou o médico em reportagem do UOL.
Artur Milach está na linha de frente da Covid-19 desde o início da pandemia, trabalhando no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e depois se mudou para Recife onde atua como coordenador de UTI-covid em dois hospitais da capital pernambucana: o Hospital de Referência Unidade Boa Viagem Covid-19 e o Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa.
"Um amigo em uma rede social escreveu que as prefeituras estavam manipulando a quantidade de mortos. Eu respondi que a prefeitura só faz a estatística com base na declaração de óbito. Eu que preencho a declaração de óbito, eu não estou mentindo", completou.
Ele também contestou a tese propagada inclusive pos Jair Bolsonaro de "tratamento precoce", com medicamentos sem comprovação científica de eficácia.
Segundo o médico, muitos jovens que chegam ao hospital contam terem utilizado o "kit covid de tratamento precoce".
"A gente vê nas redes sociais gente falando que a família toda tomou e ficou bem. Ela iria ficar bem com ou sem o medicamento. As UTIs estão lotadas de pacientes com tratamento precoce", disse.
Segundo ele, o perfil de paciente jovem que está chegando é muito grave. "É isso que está nos assustando. Muito parecido com alguns idosos que chegavam, entravam em insuficiência respiratória, precisavam de um consumo de oxigênio grande até serem intubados", conta.
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