Jornalista indiano cobra resposta da Bharat Biotech e do governo do país sobre corrupção no Brasil

Shobhan Saxena, do site The Wire, considera a denúncia envolvendo a compra da vacina indiana um “escândalo”. “São muitas questões que precisam de resposta, mas, infelizmente, até agora o governo brasileiro não respondeu, assim como a Bharat Biotech e o governo indiano”. Assista na TV 247

Jornalista indiano Shobhan Saxena e a vacina Covaxin
Jornalista indiano Shobhan Saxena e a vacina Covaxin (Foto: Arquivo pessoal | Reprodução/Bharat Biotech)


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247 - O jornalista Shobhan Saxena, correspondente indiano no Brasil do site The Wire, cobrou uma resposta da Bharat Biotech sobre o caso de corrupção no Ministério da Saúde. A farmacêutica desenvolve a vacina Covaxin, que foi contratada pela pasta por um preço acima do valor de mercado, em um contrato de R$ 1,6 bilhões, e através de uma empresa representante no País.

Em entrevista à TV 247, o jornalista relatou a situação da aprovação da Covaxin na Índia e ao redor do mundo: “Essa vacina foi autorizada na Índia em janeiro sem estudos da fase 3. A autorização foi só para uso emergencial. Recentemente, a Bharat Biotech submeteu dados sobre os resultados da fase, mas não foi aprovada até agora pela agência reguladora indiana. O pedido de aprovação foi rejeitado pela Anvisa em março. Foi rejeitado nos Estados Unidos também pela FDA. Essas rejeições criaram muita confusão sobre a Bharat Biotech e a vacina deles”. 

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Segundo ele, o depoimento na CPI da Covid do deputado Luis Miranda (DEM-DF) aponta para um “escândalo”. “São muitas questões que precisam de resposta, mas, infelizmente, até agora o governo brasileiro não respondeu, assim como a Bharat Biotech e o governo indiano. Tem um cheiro de escândalo. Ainda não temos evidência de corrupção na Índia, porque não foi investigado. Mas tudo nessa história tem dados e documentos muito importantes. O invoice pro forma apresentado pelo governo brasileiro foi emitido no dia 19 de março. A opinião da Anvisa para a aprovação da Covaxin foi no dia 31 de março. Olhem só, se [o servidor Luis] Ricardo Miranda autorizou esse invoice, a empresa vai emitir um invoice final para pagamento. O invoice foi emitido antes da aprovação da Anvisa”, disse.

Saxena destacou que a nota fiscal em questão foi emitida pela empresa Madison Biotech, de Cingapura, um paraíso fiscal. A empresa, que cobrou US$ 45 milhões pela Covaxin, não opera no escritório onde está registrada e realizou transações que não são compatíveis com seu capital.

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“Essa empresa não tem nenhum acordo com o governo brasileiro e não é parte de contrato. Como que uma empresa que fica em Cingapura, não no Brasil nem na Índia, pode emitir uma nota fiscal pro forma para um acordo entre Bharat Biotech e o governo brasileiro? O capital inicial da Madison Biotech foi de só 750 dólares. Como que essa empresa pode emitir uma nota fiscal de 45 milhões de dólares? Essa questão até agora não foi respondida pelo governo brasileiro e pela Bharat Biotech”, afirmou o correspondente. 

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