Fiocruz: terceira onda está ‘em ‘extinção’, mas não significa fim da pandemia

O surgimento de variantes mais letais ou que escapem da imunidade provocada pelas vacinas podem alterar esse cenário de "extinção" da terceira fase da pandemia

Fila de pessoas para fazer teste de Covid-19 no Rio de Janeiro06/01/2022
Fila de pessoas para fazer teste de Covid-19 no Rio de Janeiro06/01/2022 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Por Tiago Pereira, da RBA - Os indicadores de incidência e mortalidade pela covid-19 no Brasil continuaram em queda, entre 20 de março a 2 de abril. E pela primeira vez, desde maio de 2020, nenhum estado da federação superou a marca de 0,3 óbitos por 100 mil habitantes. É o que aponta o Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em boletim publicado nesta sexta-feira (8). De acordo com os pesquisadores, os dados permitem afirmar que a “terceira onda” da doença no Brasil, causada principalmente pela variante ômicron, está em “fase de extinção”.

Eles alertam, no entanto, que isso não significa o fim da pandemia. O surgimento de variantes mais letais ou que escapem da imunidade provocada pelas vacinas podem alterar esse cenário. Nesse sentido, para que os índices da pandemia sigam em queda é “fundamental” ampliar a cobertura vacinal no país, além de se manter os cuidados básicos necessários, como evitar aglomerações, usar máscaras e higienizar as mãos.

continua após o anúncio

O documento aponta para o “rejuvenescimento” da pandemia no Brasil. A idade média das internações e óbitos caiu abaixo dos sessenta anos. Mais da metade dos óbitos, no entanto, foram registrados em pessoas com no mínimo 74 anos. Proporcionalmente, também aumentou o número de crianças internadas.

“Por esta razão, é necessário ter atenção especial ao estímulo para a vacinação entre os idosos, já que para eles está disponível a quarta dose da vacina, e as crianças de 5 a 11 anos, para as quais a cobertura vacinal ainda cresce de forma muito lenta”, diz o documento.

continua após o anúncio

SRAG e internações

A tendência de queda da pandemia de covid-19 se reflete também nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Nas fases mais críticas da pandemia, 98% das internações por SRAG eram positivas para covid-19. Atualmente, são 50,7%.

Entre o fim de março e início de abril, a taxa de letalidade por Covid-19 ficou em cerca de 0,8%. Ao longo de 2021, essa taxa oscilou entre 2% e 3%, conforme o boletim. Chegaram a cair para 0,2% no início de 2022, mas, em março, passaram para 1%. “A redução desse indicador, observada durante a terceira onda epidêmica, é atribuída principalmente à vacinação de grande parte da população-alvo e à menor gravidade da infecção pela ômicron”.

continua após o anúncio

Além disso, todos os estados e o Distrito Federal continuam com taxas de ocupação inferiores dos leitos de UTI para covid-19 inferiores a 60%, fora da zona de alerta. Na terceira semana de março, foi a primeira vez que isso ocorreu foi em 21 meses. No entanto, os pesquisadores alertam que a taxa de ocupação tal apropriado, já que o número total de leitos oscilou ao longo da pandemia. Um dos principais desafios, segundo eles, é aproveitar esse período de menor transmissão da covid-19 para atender às demandas represadas durante as fases de alta de casos.

Aumento BA.2

Por outro lado, a Rede Genômica Fiocruz informou que a variante Ômicron substituiu completamente a delta no país. Ao mesmo tempo, observou-se uma tendência de aumento da subvariante BA.2 da ômicron, assim como ocorre nos Estados Unidos e em países da Europa. Em fevereiro, a BA.2 era responsável por 1,1% dos genomas. Em março, essa proporção subiu para 3,4%.

continua após o anúncio

Até o momento, a rede da Fiocruz identificou apenas as linhagens BA.1 (19.555 genomas), BA.1.1 (4.290 genomas) e BA.2 (151 genomas). No entanto, nesta quinta-feira (7), o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso da subvariante recombinante XE, potencialmente mais transmissível. O Instituto Butantan sequenciou a amostra de um homem de 39 anos, que já se recuperou da doença.

Balanço da covid no Brasil

O Brasil registrou hoje 149 mortes e 30.212 novos casos de covid-19, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). O Rio Grande do Norte, no entanto, não divulgou os dados até o fechamento dessa matéria.  Assim, a média diária de mortes calculada em sete dias ficou em 160, menor marca desde 17 de janeiro.

continua após o anúncio

Por outro lado, a média de casos semanais, que ficou em 21.257, voltou a subir, após quatro dias consecutivos de redução. Em uma semana, esse índice registrou queda de 13,9%. Nos últimos 15 dias, a redução foi de 38%. Ao todo, desde o início da pandemia, o Brasil tem 661.122 óbitos e cerca de 30,1 milhões de casos de de covid-19 confirmados oficialmente.

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247