Especialistas criticam redução do tempo de quarentena dos infectados com Covid-19
“Não tem nenhuma base científica essa redução de tempo da quarentena", diz o infectologista Carlos Magno Fortaleza, da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
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247 - A redução do tempo de quarentena para quem testar positivo para a Covid-19, como anunciado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, vem sendo alvo de críticas de especialistas. “Os dados são escassos para tomada de decisão. Não tem dados científicos consistentes”, disse o especialista da Fundação Oswaldo Cruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Júlio Croda, ao jornal O Estado de S. Paulo.
De acordo com a diretriz do governo federal, o isolamento exigido caiu para um mínimo sete dias para pacientes imunocompetentes (com capacidade para produzir anticorpos), como os vacinados. É preciso, ainda, que este grupo tenha apresentado sintomas leves ou moderados, estar assintomático e não ter feito uso de medicamentos antitérmicos nas 24 horas anteriores ao sétimo dia de quarentena. Até então, o período de isolamento era de 14 dias.
Segundo Croda não existe consenso científico mundial sobre o assunto e que 18% dos infectados ainda podem transmitir a Covid-19 entre o sexto e o nono dia após o diagnóstico. A reportagem destaca, ainda, que um estudo preliminar feito no Japão “aponta que o período de maior transmissibilidade do vírus estaria dentro desse novo intervalo”.
“Não tem nenhuma base científica essa redução de tempo da quarentena. Se liberarmos as pessoas infectadas com cinco dias de isolamento, elas estarão no auge da transmissibilidade”, afirmou o infectologista Carlos Magno Fortaleza, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Para o infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Leonardo Weissmann, “não há um consenso sobre o tempo ideal e necessário para o isolamento. Cinco dias é um tempo muito curto, bastante arriscado, com alto risco de transmissão. A maioria dos especialistas considera o mínimo de uma semana para a quarentena, pelo menos, independente de ser assintomático ou não”.
“É muito curioso como o nosso ministro da Saúde adere a essa medida duvidosa do CDC, mas questiona a indicação do mesmo órgão sobre a vacinação em crianças”, observou Fortaleza.
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